Alegado encobrimento de abusos

Marcelo contactou Ornelas: “Tomei eu a iniciativa”

| 4 Out 2022

Marcelo Rebelo de Sousa com José Ornelas, numa foto de arquivo, quando tomou posse para o seu segundo mandato como Presidente da República. Foto © Miguel Nogueira/CM Porto.

 

O Presidente da República veio esta terça-feira justificar a sua participação no caso do alegado encobrimento de abusos sexuais pelo bispo de Leiria-Fátima, tendo necessidade de o fazer a dois tempos. Primeiro, por uma nota publicada no site da Presidência, depois de viva voz, em declarações aos jornalistas.

Na primeira, a Presidência da República informou que “enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR), no dia 6 de setembro, uma denúncia envolvendo, nomeadamente, D. José Ornelas”, sem especificar em que consistia essa denúncia.

Já ao final do dia, em resposta a perguntas dos jornalistas, divulgadas pela Lusa, numa notícia partilhada pelo DN, Marcelo Rebelo de Sousa, explicou que o seu contacto com o bispo que também preside à Conferência Episcopal Portuguesa, em 24 de setembro, foi posterior ao envio da denúncia para a PGR — que, segundo o comunicado de Belém, foi a 6 de setembro.

De acordo com Marcelo, quando ocorreu o contacto entre os dois, José Ornelas já “sabia pela comunicação social há semanas que havia a investigação” do Ministério Público (o que não foi dito pelo próprio bispo), embora ainda não tivessem saído notícias sobre este caso de alegado encobrimento de abusos sexuais.

O Presidente, que assumiu a iniciativa do contacto — “Tomei eu a iniciativa”, disse —, rejeitou que este seu contacto com o bispo de Leiria-Fátima possa ter colocado em causa a investigação em curso: “Não, pois a Presidência comunicou para a investigação, [o bispo] soube pela comunicação social que estava a ser investigado, que o Ministério Público estava a investigar. Não tinha nenhum problema.”

Marcelo rejeitou ainda que se tratasse de uma questão “pessoal”: “Eu senti-me na obrigação [de o contactar] porque entretanto me chegou uma versão apresentada pela comunicação social de que teria sido uma iniciativa por ser A, B ou C. E eu disse: ‘olhe, senhor D. José, é muito simples, isto é a regra geral que se aplica e, portanto, a comunicação social diz que foi uma coisa pessoal, não foi pessoal’.”

Citado pela mesmas fontes, o Presidente da República relatou que quando a denúncia lhe chegou às mãos no Palácio de Belém “despachou para o chefe da Casa Civil, sem olhar sequer para o teor da suspeita, sem ler o teor da suspeita”. Marcelo mandou encaminhar a denúncia para o Ministério Público, “dizendo: é uma suspeita de matéria criminal, faça-se como sempre”.

Na nota publicada no site da Presidência, lê-se que, “a 24 de setembro, o Presidente da República confirmou a D. José Ornelas esse envio, já depois de este ter sido contactado pela comunicação social sobre este assunto”.

No sábado, o Ministério Público confirmou estar a investigar o bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, por alegado encobrimento de abusos sexuais, referindo ter recebido sobre esta matéria uma “participação provinda da Presidência da República”.

De acordo com a nota publicada, “a Presidência da República enviou à Procuradoria-Geral da República, no dia 06 de setembro, uma denúncia envolvendo, nomeadamente, D. José Ornelas” e, depois dessa data, “foi contactada por vários órgãos de comunicação social, para confirmar tal envio, o que naturalmente confirmou”. (ver 7MARGENS)

José Ornelas, bispo da diocese de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, assumiu em entrevista à CNN Portugal, na segunda-feira, que foram abafados casos de abusos sexuais de menores na Igreja Católica.

Em Timor, Igreja fala de “crimes graves” de Ximenes  

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“Esta é uma sentença. É uma declaração que não é a nível de acusação. As restrições que lhe foram postas foram declaradas pela autoridade. É uma decisão, não é uma acusação. Não estamos ao nível de acusação, estamos ao nível de decisão, que o bispo aceitou”, afirmou monsenhor Marco Sprizzi em declarações à RTTL, a televisão pública timorense, citadas pela Lusa e reproduzidas no DN.

“Não vamos ter mais nenhum processo. Nem do Estado, porque os crimes já prescreveram, foram há mais de 20 anos, e porque da parte da Santa Sé tudo já foi julgado e decidido. São decisões tomadas e aceites pelo bispo e que nós só temos que respeitar, respeitar o bispo e respeitar as decisões do Vaticano”, afirmou nesta terça-feira, 4 de outubro.

 

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