“Mas é importante, Mariama, que a Igreja de Teu filho não fique em palavra, não fique em aplauso”

| 19 Jan 2024

Cerimónia de acolhimento ao Papa Francisco na Colina do Encontro no Parque Eduardo VII.

Cerimónia de acolhimento ao Papa Francisco na Colina do Encontro no Parque Eduardo VII. Foto © Sebastião Roxo / JMJ Lisboa 2023

 

A recente entrevista ao senhor Patriarca, bem como tantas outras entrevistas e respostas, já feitas e dadas, lembram-me as palavras de D. Hélder da Câmara que fazem o título desta minha reflexão.

A começar pelas do Santo Padre; mas destas no sentido amplamente positivo: viu aqueles dias, sentiu, extravasou, incendiou. Já não tanto as outras, a começar pelas do Senhor Patriarca. Desta vez, dou os parabéns à Jornalista que fez perguntas certas, oportunas, pertinentes a quem devia: a um Pastor da Igreja e não tanto a Pastores da Igreja como se fossem sociólogos ou assistentes sociais.

A JMJ., bem como a sua preparação, cujos referentes primeiros sejam os católicos, não o são exclusivos; abrange o mundo e, neste, todo o ser humano, por ser simplesmente humano. Mas, quem acompanhou, minimamente, a sua notícia, a sua preparação, notou que só se começou a saber, a ter conhecimento e a tomar consciência da JMJ, após se salientar o “deus Mamona”- o preço dos altares.

Para preparar e dinamizar este Evento Universal, foi sagrado Bispo um Presbítero novo, dinâmico, simpático, inteligente, comunicativo, com todas as características humanas e pastorais requeridas, e, pelo seu curriculum, eu vejo nele o Dedo de Deus.

O Santo Padre, certamente, não acompanhou a par e passo a sua preparação; apenas recebeu o calor normal de uma multidão que veio, se juntou e uniu, não pela jornada, mas pela sua presença, motivada pela sua aura humana e pastoral que sempre irradiou através da sua vida. A sua presença foi a JMJ. Daí, que o senhor Patriarca tenha razão: “a centena de milhares de peregrinos que aqui vieram e que aqui testemunharam o que é a experiência única de fé, de esperança, de comunhão e de paz”. E continuam esta “experiência única” nas suas dioceses, nas suas paróquias?

Do que me constou, do que “observei da minha janela”- expressão do Santo Padre – a preparação, mesmo com a prorrogação do prazo, limitou-se à passagem dos Símbolos a deslocações do senhor Bispo, fora e dentro, inclusivamente a algumas passagens destes que se caracterizaram pela limitada presença e fria participação, inclusive no cântico do hino.

Eu, antes, pensei que o senhor Bispo se reuniria com os Bispos de cada diocese e estes com os seus Párocos e estes dinamizariam os seus paroquianos, particularmente os jovens, para a grande jornada, a começar pela passagem dos Símbolos.

De que preparação fala o senhor Patriarca, ao afirmar: “Não apenas a semana da Jornada, mas também todo o caminho percorrido de preparação se revestiu de um tempo de graça, de festa e de renovação da juventude portuguesa”? Continuamos no vago, nas palavras e até na poesia pastoral…

Quanto à pergunta do sucesso, o senhor Patriarca dá duas respostas: do passado e para o futuro. Do passado para a Igreja e para Portugal. Para a Igreja: alguém notou, pelo menos aos domingos, a sua participação, ao menos a sua presença? Na Paróquia, o Pároco tem alguma programação, iniciativa pastorais para manter o fogo da JMJ? . Verificou-se ” o enorme destaque, para o papel ativo da juventude católica portuguesa”? Não só dos católicos, mas de todos, “realidade… extravasou as fronteiras da religião”? Cabem aqui as suas palavras?” O que começou por ser uma experiência da comunidade católica, rapidamente se transformou numa realidade nacional e internacional que extravasou, em muito, as fronteiras da religião”. Nota-se?…

Quem constatou? “Há efeitos imediatos, como a tomada de consciência – dentro e fora da Igreja – da força, da energia e da criatividade imensa que existe nas bases, nos movimentos e nas dioceses de todo o País.” De concreto, salienta-se “apresentaremos contas até ao último cento” repetidas vezes e, agora, ” até deu lucro”. “(…) as contas da JMJ foram exemplares e apontam para um superavit”. E as ” contas” pastorais, alguém fala delas? “E essa marca tem, naturalmente, frutos que se manifestam, desde logo na vontade de continuar o trabalho de organização e de mobilização do conjunto de toda a Igreja”. Nota-se esta vontade?

Do futuro; falar do futuro, entende-se a partir do dia sete de agosto. Temos verificado que “essa marca tem, naturalmente, frutos que se manifestam, desde logo na vontade de continuar o trabalho de organização e de mobilização do conjunto de toda a Igreja.” Concretamente, o que mudou nas dioceses, nas Paróquias, no trabalho pastoral da juventude?

O Papa Francisco, pelo que viu, sentiu e viveu e levou consigo, tem razão para ficar feliz e dar os elogios que deu à organização, concretamente ao senhor D. Américo, rosto da JMJ. Mas, foi mais um rosto de logística ou de Pastoral Juvenil; dum sociólogo ou de um Apóstolo? De um economista ou de uma presença humano- Evangélica?

Como interpretar as recentes palavras, aquando da ida a agradecer a Jornada: “NÃO DEIXEIS QUE NADA SE PERCA DA JMJ”., pediu o Papa Francisco aos portugueses. – Lembrança? Simples aviso? Já admoestação? …

Temo que perante tanta inação e sossego nos seus elogios, a própria Igreja se torne num contrafogo ao incêndio que ele ateou.

Termino também com o Hélder que, brevemente, veremos nos altares: “Não basta pedir perdão pelos erros de ontem: É preciso apressar o passo, hoje, sem ligar ao que disserem”.

 

Serafim Falcão é professor aposentado do Ensino Secundário e autor de A Alegria do Evangelho na nossa Paróquia, baseado, motivado e inspirado na exortação apostólica do Papa Francisco. Contacto: s.m.falcao@gmail.com

 

 

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