
“Não nos parece que corresponda ao bem das crianças e jovens levá-los a hostilizar o seu corpo (como se tivessem nascido no ‘corpo errado’) ou alimentar a ilusão de que podem ‘mudar de sexo'”, dizem médicos e juristas católicos. Foto © Arthur Krijgsman/Pexels
As Associações de Médicos e de Juristas Católicos manifestaram esta terça-feira, 2 de janeiro, “a sua viva oposição” ao recém-aprovado projeto de lei relativo à implementação nas escolas do “direito à identidade de género e de expressão de género”, por considerarem que este “defende ideias sem qualquer evidência científica” e que “faz da ideologia de género lei em Portugal”.
De acordo com a nota conjunta assinada por estas associações e enviada ao 7MARGENS, os pressupostos do projeto em causa “nada têm de científico, são próprios de uma opção ideológica” e “negam as evidências factuais e objetivas”.
“O pressuposto dessa ideologia é que sobre a dimensão objetiva e biológica do sexo de cada pessoa prevalece o seu género autopercecionado. Sempre que não houver uma coincidência com o ‘sexo atribuído à nascença’ – como se esta suposta ‘atribuição’ fosse algo de arbitrário – deverá ser feita a ‘transição da identidade de género’, caminho a percorrer desde a mais tenra idade e que deverá culminar em intervenções hormonais e cirúrgicas”, refere o texto.
E alerta: “Na verdade, não há ‘atribuição de sexo à nascença’, já que a medicina verifica e certifica o sexo do bebé e pode fazê-lo muito antes do nascimento, ora por imagem, ora por estudo cromossómico. O uso dessa expressão é uma maquilhagem linguística que visa um propósito ideológico”.
Além disso, o projeto falha ao não prever “encaminhamento ou acompanhamento psicológico da criança ou adolescente para se verificarem os pressupostos de uma decisão livre e saudável”, sublinham ainda médicos e juristas católicos. “Também não nos parece que corresponda ao bem das crianças e jovens levá-los a hostilizar o seu corpo (como se tivessem nascido no ‘corpo errado’) ou alimentar a ilusão de que podem ‘mudar de sexo'”, pode ler-se na nota.
E conclui: “Apelamos ao Senhor Presidente da República para que, no exercício dos seus poderes constitucionais, faça o que está ao seu alcance para que este projeto de lei não chegue a entrar em vigor”.









