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Barco com refugiados no Mediterrâneo. Foto © ACNUR
Barco com refugiados no mar Mediterrâneo (2022), que continua a ser um "vasto cemitério". Foto © ACNUR

Um “vasto cemitério”

Mediterrâneo devolve corpos de migrantes vítimas de naufrágios

| 01/03/2026

Treze corpos não identificados foram encontrados nas praias italianas da Calábria e da Sicília até ao passado dia 18 de fevereiro, segundo o jornal italiano Avvenire, que adianta que se tratam de “corpos de migrantes vítimas de naufrágios”.

Giuseppe Durante é comandante da Guarda Costeira de Tropea e no passado dia 17 de fevereiro entrou no mar para recuperar um corpo. “É um homem, definitivamente um migrante, vítima dos muitos ‘naufrágios fantasmas’ no Mediterrâneo. Reconheci o colete salva-vidas laranja, que é usado ​​por migrantes. Participei em muitos resgates nos últimos anos e reconheço estes coletes.”

O Ministério Público de Paola – onde vários corpos deram à costa – iniciou uma investigação. Segundo o Avvenire, “a hipótese mais provável é que os migrantes tenham caído de uma embarcação, possivelmente um naufrágio, sem que ninguém soubesse, e tenham sido levados para a costa pelas fortes tempestades recentes”. Por sua vez, o Ministério Público de Vibo Valentia – região onde corpos também foram recuperados – “ordenou autópsias nos corpos encontrados” nas praias do mar Tirreno, perto de Cosenza. “A causa da morte e quaisquer sinais de violência nos corpos estão a ser investigados”, assegura a mesma fonte.

Laura Marmorale é presidente da organização Mediterranea Saving Humans e afirma que o mar Mediterrâneo se transformou num “vasto cemitério”. “Durante dez dias, os nossos grupos locais na Sicília e na Calábria têm monitorizado o fluxo constante de corpos encontrados ao longo da costa, naquilo que é uma trágica confirmação do massacre de migrantes ocorrido no mar entre 15 e 22 de janeiro. Nós perguntamos: será que há alguém nas instituições do nosso país se importe com este massacre e com as centenas de vítimas?”

A rota do Mediterrâneo Central continua a ser a mais mortal para aqueles que fogem do Norte de África para alcançar a Europa. Estimativas da Organização Internacional para as Migrações indicam que só em janeiro mais de 450 pessoas perderam a vida, três vezes mais do que no mesmo mês do ano passado. Segundo a organização Refugiados na Líbia, aproximadamente mil migrantes desapareceram no mar, uma estimativa baseada nos alertas daqueles que ficaram sem notícias dos seus entes queridos que partiram em embarcações.

Texto publicado ao abrigo da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária

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