Meia centena de pessoas decapitadas em Cabo Delgado

| 10 Nov 20

luiz fernando lisboa, bispo de pemba, site missionarios combonianos

O bispo Luiz Fernando Lisboa, bispo de Pemba: as pessoas “estão todas com medo, amedrontadas e perplexas com tudo o que está a acontecer”, diz à TSF. Foto: Direitos reservados. 

 

Mais de 50 pessoas terão sido decapitadas na aldeia de Muatide, no Norte de Moçambique, por forças extremistas islâmicas, avançam a BBC, a Aljazeera e o The Times, citados pela TSF.

Nesta mesma rádio portuguesa, o bispo de Pemba, Luiz Fernando Lisboa, afirmou que os ataques armados de grupos terroristas são constantes, como aconteceu na última semana em 11 aldeias da região. “O que temos de confirmação é que, na aldeia 24 de Março, mataram cerca de 20 pessoas, entre elas 15 jovens que estavam num rito de iniciação”, afirmou o bispo.

O bispo Lisboa recorda que os grupos terroristas reivindicam a sua ligação ao Estado Islâmico e arrasam tudo à sua passagem: “Destroem casas, bens públicos, matam pessoas, raptam – meninas principalmente. Temos casos de meninas que fugiram, mas elas são levadas e não voltam, estão lá com eles. Muitas meninas já foram raptadas.”

A população da zona Norte de Moçambique vive com medo constante, acrescenta o bispo nas suas declarações à rádio. As pessoas “estão todas com medo, amedrontadas e perplexas com tudo o que está a acontecer”. Há “gente que perdeu o marido, que perdeu os pais, pais que perderam os filhos, pessoas que viram familiares a serem decapitados… Há um trauma geral.”

O bispo de Pemba refere também a fuga de milhares de pessoas, que se sentem ameaçadas nas suas aldeias e procuram refúgio em Pemba. Nos últimos dias, pelo menos 12 mil pessoas e mais de 200 embarcações chegaram à capital da província de Cabo delgado, dizia. A Igreja, o Governo moçambicano e várias organizações de solidariedade têm apoiado os deslocados.

Citando media locais, a BBC diz que os terroristas transformaram um campo de futebol num “campo de execução”, onde decapitaram dezenas de pessoas e violentaram os corpos.

jornal The Times, citado igualmente pela TSF, dá conta de que várias mulheres e meninas foram desmembradas e mortas, depois de as suas casas terem sido incendiadas, informações eu teriam sido confirmadas numa conferência de imprensa da polícia moçambicana. Finalmente, a televisão Al Jazeera cita o comandante general Bernardino Rafael: “Eles queimaram as casas, depois foram atrás da população que fugiu para a floresta e começaram as suas ações macabras.”

A província de Cabo Delgado, rica em rubi e gás natural que são explorados por multinacionais, começou a sofrer estes ataques em 2017, mas este ano eles aumentaram de frequência e intensidade este ano. Calcula-se que haja já mais de dois mil mortos e cerca de 430 mil desalojados na província, maioritariamente muçulmana.

Os terroristas assumiram entretanto a responsabilidade por um ataque a três aldeias, em Mtwara, registou a Helpo, uma organização não-governamental, num relatório enviado à TSF. Desses ataques resultaram vários edifícios queimados e uma esquadra de polícia saqueada, com os grupos armados a dizer que tinham atacado três “aldeias cristãs” no sul da Tanzânia, mas o relatório cita vários outros casos descritos em pormenor na notícia da rádio portuguesa.

 

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