Mentalidade cristã

| 6 Out 2023

Ter a mente de Cristo significa ver, sentir, falar, pensar e agir como Ele. E é por isso que um cristão não pode ficar conformado com este mundo, nem revoltado contra este mundo, nem alienado deste mundo. Mas passar a olhar o mundo com os olhos de Deus e trabalhar para a justiça.

Pessoas

“Renovar a mente não é um momento, mas um processo.” Ilustração: Direitos reservados

 

O Novo Testamento apresenta-nos um texto do apóstolo Paulo, dirigido à comunidade cristã de Roma, que trata da necessidade de renovação da mente, ou seja, de adquirir uma mentalidade cristã. Esta capacidade constituirá talvez a consequência mais directa da conversão a Jesus Cristo.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (12:1,2).

Ora, “renovar a mente” não é um momento mas um processo. É relativamente fácil mudar as leis, mudar de casa, de profissão, de curso, de penteado ou de carro. Também é possível mudar a alimentação sem grandes dramas ou a forma de vestir ou mesmo mudar de parceiro/a. Mas mudar a forma de pensar (mentalidade) é que parece muito difícil. Mas é possível quando existe disposição para cooperar com o Espírito Santo nessa matéria.

 

A mentalidade cristã não nos induz a ser conformados.

Não somos chamados para assumir a forma do mundo (com+forme=com a mesma forma). Se os cristãos se conformarem com o estado do mundo, então a Igreja não está aqui a fazer nada. Não nos podemos resignar. Jesus não se resignou com os males deste mundo, e fez o que estava ao seu alcance para o melhorar. Ele anunciou o reino de Deus, combateu a hipocrisia religiosa, curou doentes, ressuscitou mortos, deu esperança aos abatidos.

 

A mentalidade cristã não nos induz a ser revoltados.

Vivemos num mundo de revoltados. As redes sociais estão cada vez mais tóxicas, a prática política mais extremada e as pessoas mais intolerantes. Das crises que vamos vivendo resulta sempre que os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres, como nos casos da crise do subprime (2008), da crise pandémica da covid-19 (2019); da guerra na Ucrânia e decorrente crise inflaccionária (2022).

Apesar de a própria Bíblia estar cheia de alertas sobre a injustiça social, em especial por parte dos profetas hebreus, não há qualquer apelo a que sejamos revoltados, mas sim que contribuamos para a justiça e a dignidade de todo o ser humano.

 

A mentalidade cristã não nos induz a ser alienados.

Jesus nunca ensinou a ninguém a ser alienado, como se fosse inconsciente, distraído, fora do mundo. Alguma religião, sim, mas Jesus não. Por exemplo, ele sempre alertou os discípulos para a falsa religião: “cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus”. Por outro lado, Jesus tentou preparar os discípulos para a sua morte sacrificial e alertou-os para os sinais dos tempos.

 

A mentalidade cristã induz-nos a ser transformados.

O apelo é para a transformação: “Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento (mentalidade)”. Mas esta transformação tem um objectivo: “para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” A mentalidade cristã conduz-nos à vontade de Deus.

Afinal, o segredo é exercitarmo-nos a fim de sermos capazes de pensar como Cristo (possuir a “mente de Cristo”): “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.” (I Coríntios 2:14-16).

Ter a mente de Cristo significa ver, sentir, falar, pensar e agir como Ele. E é por isso que um cristão não pode ficar conformado com este mundo, nem revoltado contra este mundo, nem alienado deste mundo. Mas passar a olhar o mundo com os olhos de Deus e trabalhar para a justiça.

 

José Brissos-Lino é director do mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e director da revista teológica Ad Aeternum.

 

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