Metade das crianças do mundo são vítimas de violência. Países falham na prevenção, denuncia ONU

| 19 Jun 20

Um rapaz de 13 anos transporta água no campo Ammar Bin Yasser, destinado a pessoas deslocadas por causa do conflito no Iémen. Foto © UNICEF 

Aproximadamente mil milhões de crianças, cerca de metade no mundo inteiro, são anualmente vítimas de violência física, sexual ou psicológica. A informação é avançada pelo relatório publicado esta quinta-feira numa iniciativa conjunta de diversas agências das Nações Unidas, que acusam a generalidade dos países de não cumprir as estratégias estabelecidas para proteger os menores.

De acordo com o Relatório sobre o estado global da Prevenção da Violência Contra as Crianças, de 2020, o primeiro do género a diagnosticar a evolução da violência contra as crianças em 155 estados, “embora quase todos os países (88%) possuam leis importantes para proteger as crianças da violência, menos de metade (47%) afirmou que essas legislações estão a ser aplicadas consistentemente”.

O relatório revela que 300 milhões de crianças dos dois aos quatro anos são frequentemente submetidas a castigos violentos pelos seus cuidadores e que um terço dos estudantes dos 11 aos 15 anos foram vítimas de intimidação por parte dos seus pares no último mês.

Calcula-se ainda que 120 milhões de raparigas tenham tido algum tipo de contacto sexual contra a sua vontade antes dos 20 anos e que uma em cada quatro crianças no mundo viva com uma mãe vítima de violência doméstica.

O estudo divulga também as primeiras estimativas globais sobre homicídios de menores de 18 anos, revelando que, em 2017, cerca de 40.150 crianças foram assassinadas em todo o mundo.

A pandemia de covid-19 e as medidas tomadas para a sua contenção por parte da generalidade dos países “influenciaram enormemente a prevalência de atos de violência contra as crianças e o mais provável é que tenham consequências adversas de longa duração”, acrescenta o relatório.

“A violência contra as crianças sempre foi generalizada e as coisas podem piorar agora”, alertou Henrietta Fore, diretora geral da UNICEF, uma das entidades envolvidas no estudo. “Confinamento, escolas fechadas, restrições à liberdade de circulação, deixaram muitas crianças presas com aqueles que as maltratam, sem os espaços seguros que as escolas normalmente ofereceriam. Há uma necessidade urgente de ampliar os esforços para proteger as crianças nesses períodos e não só, incluindo a designação dos trabalhadores dos serviços sociais como essenciais, e o fortalecimento das linhas de assistência à infância”.

Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), que também contribuiu para a realização do relatório, afirmou por seu lado que “nunca há desculpa para a violência contra crianças”. “Dispomos de comprovados instrumentos para preveni-la e pedimos a todos os Estados para implementá-las. Proteger a saúde e o bem-estar das crianças é crucial para proteger a saúde e o bem-estar coletivos, agora e no futuro.”

 

ONG criticam retirada do Iémen da “lista negra” 

Num outro relatório divulgado na segunda-feira,15 de junho, pela ONU, que referencia os Estados e grupos que violam os direitos das crianças, foi retirada da lista a coligação liderada pela Arábia Saudita a operar no Iémen. Esta alteração, que segundo o documento fica a dever-se a uma diminuição dos crimes contra crianças naquele país, está a ser fortemente criticada por diversas organizações de defesa dos direitos humanos e dos direitos das crianças.

Esta decisão ignora “as próprias provas da ONU sobre a continuação das violações graves contra as crianças” no Iémen, realçou a dirigente da Human Rights Watch, Jo Becker, que alertou também para a retirada de países como a Rússia e Israel. “O secretário-geral da ONU expõe as crianças a novos ataques e prejudica seriamente um mecanismo importante de responsabilização”, considerou, por seu lado, a Watchlist on Children and Armed Conflict.

Em conferência de imprensa, a enviada de Guterres para as crianças e os conflitos armados, Virginia Gamba, assegurou que a ONU não tinha sofrido “qualquer pressão” da Arábia Saudita e que o relatório se baseava em “números”.

 

Artigos relacionados

Campanha 15.000 euros para o 7M: no final de junho passámos os €12.000 !

Campanha 15.000 euros para o 7M: no final de junho passámos os €12.000 !

Os donativos entregues por 136 leitores e amigos somaram, até terça, 30 de junho, €12.020,00. Estes números mostram uma grande adesão ao apelo que lançámos a 7 de junho, com o objetivo de reunirmos €15.000 para expandir o 7MARGENS ao longo do segundo semestre de 2020. A campanha decorre até ao final de julho e já só faltam menos de €3.000! Contamos consigo para a divulgar.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

Clubes Terra Justa: a cidadania não se confinou

Clubes Terra Justa: a cidadania não se confinou

Durante esta semana, estudantes e movimento associativo de Fafe debatem o impacto do confinamento na cidadania e na justiça. A Semana Online dos Clubes Terra Justa é assinalada em conferências, trabalhos e exposições, com transmissão exclusiva pela internet. Entre as várias iniciativas, contam-se as conversas com alunos do 7º ao 12º ano, constituídos como Clubes Terra Justa dos vários agrupamentos de escolas de Fafe.

É notícia

Entre margens

De joelhos os grandes sistemas económicos novidade

Mas – dizem –, se existem catástrofes na economia motivada por um vírus exponencial, a “mão humana” lá está para dar alento a esta tempestade. E essa tem um “confinamento” suave, porque quem sofre são os trabalhadores mais vulneráveis, os informais, os pobres, as mulheres, as pessoas de cor, os migrantes e os refugiados. A violência doméstica aumenta, os direitos humanos são atrofiados e a indústria privada farmacêutica e o seu sistema de patentes é orientada para lucros inconcebíveis, em que a defesa da dignidade das mulheres e dos homens é colocada em causa.

O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente

Presumir a virtude do sujeito que detém o poder é, para além de naïf, algo injusto. Expor qualquer pessoa à possibilidade do poder sem limites (ainda que entendido como serviço) é deixá-la desamparada nas múltiplas decisões que tem de tomar com repercussões não só em si mesma, mas igualmente em terceiros. E também, obviamente, muito mais vulnerável para ceder a pressões, incluindo as da sua própria fragilidade.

Economista social ou socioeconomista?

Em 2014, a revista Povos e Culturas, da Universidade Católica Portuguesa, dedicou um número especial a “Os católicos e o 25 de Abril”. Entre os vários testemunhos figura um que intitulei: “25 de Abril: Católicos nas contingências do pleno emprego”. No artigo consideram-se especialmente o dr. João Pereira de Moura e outros profissionais dos organismos por ele dirigidos; o realce do “pleno emprego”, quantitativo e qualitativo, resulta do facto de este constituir um dos grandes objetivos que os unia.

Cultura e artes

Ennio Morricone: O compositor que nos ensinou a “sonhar, emocionar e reflectir” novidade

Na sequência de uma queda em casa, que lhe provocou a ruptura do fémur, o maestro e compositor italiano Ennio Morricone morreu esta segunda-feira em Roma, na unidade de saúde onde estava hospitalizado. Tinha 91 anos. O primeiro-ministro, Giuseppe Conte, evocou com “infinito reconhecimento” o “génio artístico” do compositor, que fez o público “sonhar, emocionar, refletir, escrevendo acordes memoráveis que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema”.

Teologia bela, à escuta do Humano novidade

Pensar a fé, a vivência e o exercício do espírito evangélico nos dias comuns, é a tarefa da teologia, mais do que enunciar e provar fórmulas doutrinárias. Tal exercício pede atenção, humildade e escuta dos rumores divinos na vida humana, no que de mais belo e também de mais dramático acontece na comunidade dos crentes e de toda a humanidade.

Morreu João de Almeida, renovador da arquitectura religiosa em Portugal

Em Maio de 2015, manifestava-se, em entrevista ao Expresso um homem “cem por cento contente com a vida”. O arquitecto e pintor João de Almeida, fundador do Movimento de Renovação da Arte Religiosa (MRAR) morreu na segunda-feira, em Lisboa, aos 92 anos. O seu funeral e cremação será esta quarta, 24 de Junho, às 17h, no cemitério do Alto de São João.

Sete Partidas

STOP nas nossas vidas: Parar e continuar

Ao chegar aos EUA tive que tirar a carta condução novamente. De raiz. Estudar o código. Praticar. Fazer testes. Nos EUA existe um sinal de trânsito que todos conhecemos. Porque é igual em todo o mundo. Diz “STOP”. Octogonal, fundo branco, letras brancas. Maiúsculas. Impossível não ver. Todos vemos. Nada de novo. O que me surpreendeu desde que cheguei aos EUA, é que aqui todos param num STOP. Mesmo. Não abrandam. Param. O carro imobiliza-se. As ruas desertas, sem trânsito. Um cruzamento com visibilidade total. Um bairro residencial. E o carro imobiliza-se. Não abranda. Para mesmo. E depois segue.

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Parceiros

Fale connosco