
Militares e civis depois da revolução de 1974: os cristãos hoje vivem a experiência de “uma grande tempestade de vento”, propõe o Metanoia. Foto: Direitos reservados.
“Uma reflexão histórica, teológica e filosófica” sobre “Viver na liberdade” é a proposta do Metanoia – Movimento Católico de Profissionais para a edição de 2024 do seu Encontro de Reflexão Teológica. A iniciativa decorre entre os dias 27 a 30 de Julho, no Seminário Diocesano de Leiria e tem em conta também a celebração dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, que este ano se assinalam.
O encontro parte de um episódio narrado no Evangelho segundo são Marcos: “E disse-lhes, naquele dia, ao cair da tarde: ‘Atravessemos para a outra margem’. E, deixando a multidão, levaram-no no barco tal como estava. Surgiu, então, uma grande tempestade de vento, e as ondas arremessavam-se contra o barco, de tal modo que o barco já se estava a encher de água.” (Marcos 4, 35-38).
Os cristãos hoje também vivem a experiência de “uma grande tempestade de vento”, de querer atravessar para outra margem e de clamar que se está perdido, diz o texto de apresentação do encontro.

Desenho de Catarina Castel-Branco e frase de Mendo Castro Henriques, para exposição na Galeria Diferença, nos 50 anos do 25 Abril 1974. Imagem cedida pelos autores.
“Este é o nosso temporal: as guerras, as transformações climáticas, os movimentos migratórios, a intolerância, a lógica [do confronto], os desafios antropológicos colocados pelo desenvolvimento científico-tecnológico e por processos identitários decorrentes da liberdade individual, o deslaçamento social e tantos outros sinais dos tempos pessoais e comunitários”, refere o mesmo documento.
O encontro será animado por três professores universitários: Paulo Fontes, historiador do Centro de Estudos de História Religiosa, da Universidade Católica, Teresa Toldy, teóloga, da Universidade Fernando Pessoa, e José Silva Rosa, filósofo da Universidade da Beira Interior. A reflexão partirá de perguntas como: “Ainda é possível um projecto para a Humanidade que respeite as diferenças e promova a justiça? De que modo pode a mensagem evangélica, a forma como foi recebida e vivida, o diálogo e tensões com o pensamento filosófico coetâneo contribuir para um horizonte comum de esperança?”
A iniciativa proporá, por isso, que “na liberdade” a que, segundo São Paulo, os cristãos são chamados, bem como “no respeito pela consciência individual não tutelada”, os crentes devem “ser sal, luz, fermento a partir das circunstâncias individuais e colectivas” que vivem, alcançando “a outra margem”.
O programa pode ser consultado na página do Metanoia e as inscrições podem ser feitas também no formulário da Google disponível para o efeito.










