“Uma simples votação e sem debate”

Metodistas Unidos aprovam a ordenação de padres homossexuais

| 3 Mai 2024

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Culto de abertura da Conferência Geral Metodista Unida em Charlotte, Nova Carolina (EUA). Atrás deles vem uma procissão de bispos Metodistas Unidos, liderados pelo bispo Forrest Stith numa cadeira de rodas motorizada. Foto © Paul Jeffrey/Union Methodist News

A ordenação de padres homossexuais pode passar a ser uma realidade na Igreja Metodista Unida. A decisão foi tomada por maioria de voto na passada quarta-feira, dia 1, durante a assembleia desta confissão cristã, que decorre nos Estados Unidos. Através de uma votação e sem qualquer discussão, os delegados da Conferência Geral, o principal órgão decisório dos Metodistas Unidos, anularam unilateralmente a proibição da ordenação de “homossexuais praticantes declarados” – uma interdição que existia desde 1984.

Por meio desta decisão, a denominação mundial dos cerca de 11 milhões de membros da Igreja Metodista Unida “junta-se à maioria das denominações protestantes liberais, como a Igreja Episcopal, a Igreja Presbiteriana (EUA), a Igreja Evangélica Luterana na América e a Igreja Unida de Cristo, que também ordenam clérigos LGBT”, noticia o Religion News Service.

Após esta votação, os apoiantes da decisão, incluindo pessoas LGBT, “juntaram-se na entrada do Centro de Convenções de Charlotte para cantar, abraçar, aplaudir e derramar lágrimas”, acrescenta a notícia. Os votos, explica a mesma fonte, revertem as políticas proibitivas que tinham sido assumidas na Convenção Geral de 2019 da denominação em relação às pessoas LGBT. Nessa ocasião, os delegados reforçaram as proibições ao clero gay e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. A maioria dessas medidas de 2019 foi agora anulada. Após a Convenção Geral de 2019, cerca de 7600 igrejas tradicionalistas nos Estados Unidos abandonaram a denominação, temendo que o endurecimento das proibições não se mantivesse.

Esta votação segue-se a várias outras realizadas na última terça-feira, 30 de abril, que eliminaram as penas obrigatórias para o clero que celebrava casamentos entre pessoas do mesmo sexo, bem como a “proibição de financiamento de causas LGBT que promovam a aceitação da homossexualidade”.

Tom Lambrecht, vice-presidente e diretor-geral da Good News Magazine, um grupo teologicamente conservador, afirmou que a decisão era esperada. “Isto indica um consenso na Igreja Metodista Unida de que ela quer ir por um caminho muito mais liberal”, referiu Lambrecht, que anteriormente já foi padre nesta Igreja.

A Conferência debaterá ainda uma outra proposta que pretende anular, do Livro da Disciplina da Igreja Metodista Unida, a regra segundo a qual “a homossexualidade é incompatível com o ensino cristão”.

O principal grupo que se opôs às mudanças na atitude da Igreja em relação à inclusão das pessoas LGBT no ministério foi o dos representantes africanos. Muitos delers vivem em países onde a homossexualidade é mesmo ilegal. “Vemos a homossexualidade como um pecado”, afirmou Forbes Matonga, pastor de uma Igreja no oeste do Zimbabué, citado ainda pelo RNS. “Para nós, esta é uma diferença teológica fundamental, pois pensamos que os outros já não consideram a autoridade das Escrituras”, acrescentou.

Ken Carter, bispo da Conferência Metodista Unida do estado norte-americano da Carolina do Norte Ocidental fez questão de reconhecer o avanço histórico que a Igreja deu rumo à inclusão. “Há 52 anos que escolhemos um grupo para ser discriminado”, observou Carter. “Fizemo-lo com base numa compreensão da homossexualidade cujas origens remontam à altura em que era considerada uma doença e um distúrbio”, prosseguiu. “Agora, esta realidade mudou e cada vez mais as pessoas veem que o espírito de Deus está nas pessoas gays e lésbicas”, concluiu.

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