
O metropolita Epifânio, de Kyiv, convidou o metropolita Onofre, líder da Igreja Ortodoxa Ucraniana (ligada ao Patriarcado de Moscovo), para um diálogo “sem condições prévias”. Foto © Presidência da Ucrânia
O metropolita Epifânio, de Kyiv, convidou o metropolita Onofre, líder da Igreja Ortodoxa Ucraniana (ligada ao Patriarcado de Moscovo), para um diálogo “sem condições prévias”. Numa carta publicada na página da Igreja Ortodoxa da Ucrânia (autocéfala, reconhecida pelo Patriarcado de Constantinopla), o metropolita Epifânio exorta Onofre a encetar conversações diretas, sublinhando a necessidade de unidade e reconciliação no seio da comunidade ortodoxa ucraniana, noticiou o Orthodox Times nesta sexta-feira, 16.
Já tinham sido feitas tentativas semelhantes no passado, mas o metropolita Onofre pôs condições que a Igreja Ortodoxa autocéfala da Ucrânia não aceitou.
O apelo do metropolita Epifânio é particularmente significativo, uma vez que se segue à sua recente visita ao Fanar, em Istambul, onde se encontrou com o patriarca ecuménico Bartolomeu, líder espiritual dos ortodoxos. Esta visita sublinhou a importância de resolver a atual divisão no seio da ortodoxia na Ucrânia, que Epifânio atribui a razões largamente seculares e não eclesiásticas.
Na sua carta, Epifânio referiu-se ao Conselho de Unificação de 2018 em Kyiv, destacando a ausência do metropolita Onofre, apesar de este ter recebido um convite formal. Lamentou esta oportunidade perdida para a unidade e sublinhou a necessidade permanente de diálogo.
O metropolita Epifânio também condenou a doutrina do “mundo russo”, descrevendo as suas consequências como “diabólicas”, particularmente à luz da atual guerra da Rússia contra a Ucrânia. Criticou o Patriarca Cirilo de Moscovo por ter abençoado o conflito e exortou aqueles que se preocupam com o bem-estar da Igreja a distanciarem-se de tais ideologias prejudiciais.
Epifânio deixou claro que qualquer diálogo com a Igreja Ortodoxa Ucraniana sob a liderança do metropolita Onofre deve ser feito sem condições prévias. Referiu tentativas anteriores de diálogo que foram impedidas pelas condições estabelecidas por este último, incluindo a recusa em reconhecer as decisões do Patriarcado Ecuménico, que tem a primazia de honra entre os ortodoxos.
Epifânio sublinhou que o diálogo deveria seguir o exemplo dado pelo falecido metropolita Volodymyr, de Kyiv e toda a Ucrânia, que inicialmente abençoou tais esforços antes de serem minados pelo Patriarcado de Moscovo. Ao apelar a uma discussão aberta e incondicional, o metropolitaEpifânio pretende reconstruir pontes e promover a unidade no seio da Igreja Ortodoxa na Ucrânia.









