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Metropolita Epifânio na cerimónia de entrega do Thomos que concedeu autonomia à Igreja Ortodoxa da Ucrânia, em 2019. Foto © Presidência da Ucrânia

Cirilo justificou invasão de Putin

Metropolita Epifânio, da Ucrânia, critica Patriarca de Moscovo

| 28/02/2022

Metropolita Epifânio na cerimónia de entrega do Thomos que concedeu autonomia à Igreja Ortodoxa da Ucrânia, em 2019. Foto © Presidência da Ucrânia

Metropolita Epifânio lamentou a falta de crítica do Patriarca de Moscovo às ações russas na Ucrânia. Foto © Presidência da Ucrânia

 

O primaz da Igreja Ortodoxa da Ucrânia (IOU), Epifânio, escreveu uma mensagem ao Patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa, pedindo-lhe que venha recolher os corpos dos soldados russos que morreram na Ucrânia pela ideia de um “mundo russo”.

Na mensagem, datada de 27 de fevereiro, Epifânio escreve ao Patriarca: “Ficou claro pelas suas declarações anteriores que manter o compromisso de Putin e da liderança russa é muito mais importante para si do que cuidar das pessoas na Ucrânia, algumas das quais o consideravam seu pastor antes da guerra”, pelo que “dificilmente faz sentido pedir que faça algo eficaz para que a agressão da Rússia contra a Ucrânia pare imediatamente”.

Efetivamente, dias antes, o Patriarca Cirilo tinha enviado uma mensagem a todos os pastores e fiéis da Igreja Ortodoxa Russa, “cujo rebanho está na Rússia, Ucrânia e outros estados”, pedindo às partes em conflito que “façam todo o possível para evitar baixas entre a população pacífica”.

As declarações surgiram pouco depois do início da ofensiva russa na Ucrânia, mas não eram uma crítica ao gesto de Vladimir Putin, bem pelo contrário. “Os povos russo e ucraniano compartilham uma história ao longo dos séculos, que remonta ao Batismo dos Rus’ pelo santo príncipe Vladimir”, escreveu na altura o Patriarca Cirilo.

Patriarca Kirill I de Moscovo, responsável pela Igreja Ortodoxa Russa. Foto © Serge Serebro, Vitebsk Popular News

O Patriarca Cirilo I de Moscovo, responsável pela Igreja Ortodoxa Russa, optou por não criticar as ações de Putin no terreno. Foto © Serge Serebro, Vitebsk Popular News

Esta unidade dada por Deus, argumenta o patriarca, “será capaz de superar as divisões que surgiram e as contradições que levaram à guerra atual”.

Em outubro de 2018, o patriarca de Constantinopla tomou a decisão histórica de reconhecer uma Igreja ortodoxa independente na Ucrânia. A decisão provocou a cólera da Igreja Russa que denunciou um “cisma” e rompeu laços com Constantinopla.

Agora, o primaz da IOU expressa, na carta, a esperança de que Cirilo encontre recursos espirituais para manifestar o seu humanismo e cuidar, pelo menos, dos seus concidadãos. “Estamos a falar de mais de três mil militares russos mortos, cujos corpos estão no solo da Ucrânia. A liderança de nosso país já apelou à Cruz Vermelha Internacional para facilitar o retorno dos corpos de soldados russos à sua terra natal para que parentes e amigos se possam despedir deles e enterrá-los. Infelizmente, nenhuma resposta foi recebida do lado russo até agora”, observa o metropolita Epifânio.

Neste sentido, o prelado apela ao chefe da Igreja Ortodoxa Russa que “se não pode levantar sua voz contra a agressão, pelo menos ajude a tirar os corpos dos soldados russos que pagaram com suas vidas estas ideias do ‘mundo russo’ – a sua e a do seu presidente”, conclui a nota.

Esta troca de argumentos surge numa altura em que o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, diz que a Santa Sé está pronta para “facilitar negociações” entre a Rússia e a Ucrânia, alertando para a “catástrofe gigantesca” que seria a escalada do conflito. “A Santa Sé, que nos últimos anos tem acompanhado de forma constante, discreta e com grande atenção os acontecimentos na Ucrânia, oferecendo a sua disponibilidade para facilitar o diálogo com a Rússia, está sempre pronta a ajudar as partes a retomar este caminho”, referiu, citado pela Agência Ecclesia.

 

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