
Poucos dias após o início da gestão da nova Presidente, Claudia Sheinbaum, foi registado o assassinato do padre Marcelo Pérez, firme defensor do povo indígena de Chiapas. Foto: Direitos reservados
A violência atingiu níveis preocupantes e nunca antes vistos no México, que se traduzem também em atos de perseguição religiosa. Desde 1990, foram assassinados 80 padres no país, enquanto muitos outros sofreram ameaças de morte, roubos e agressões físicas, revela um relatório divulgado esta semana pelo Centro Católico Multimédia (CCM), organização que monitoriza a violência contra membros da Igreja Católica no México.
Foi durante o mandato de seis anos do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador (no poder entre 2018 e 2024), que se atingiu o maior nível de homicídios da história moderna do México, somando um total de 199.621. Um aumento da violência que ocorreu no âmbito da controversa política governamental de “abraços, não balas” contra o crime organizado, assinala a ACI Prensa.
Para o padre Omar Sotelo Aguilar, diretor do CCM, o “vácuo de poder e o desmantelamento do Estado de direito” obrigou agentes pastorais, leigos, padres e ministros de outras igrejas a assumirem “o papel que as autoridades recusaram” por incapacidade, ou “pior ainda, por viver em conluio com os praticantes do mal e do crime num binómio destrutivo: corrupção e impunidade”.
De acordo com o relatório do CCM, durante o mandato de seis anos de López Obrador, houve dez padres assassinados, outros 14 padres e bispos atacados, uma média semanal de 26 templos atacados, profanados ou agredidos, e quase 900 casos de extorsão e ameaças de morte contra membros da Igreja Católica.
E a gestão da nova Presidente, Claudia Sheinbaum, não parece trazer consigo melhorias a este nível. Logo no início de outubro, poucos dias após a sua tomada de posse, foi registado o assassinato do padre Marcelo Pérez, morto a tiros por dois homens após ter celebrado missa. O presbítero era conhecido por ser um firme defensor do povo indígena de Chiapas e um “incansável apóstolo da paz”.
O diretor do CCM teme que “pode haver mais sangue, pode haver mais situações de violência”, tendo em conta que, desde que Sheinbaum chegou ao poder, “ocorreram massacres em vários lugares do país” contra civis. Além disso, existem “extorsões e ameaças de morte contra vários sacerdotes no México”, o que deixa claro que a situação “está latente”, alerta.
“Não queremos isso, espero que estejamos errados”, ressalva, mas conclui reconhecendo que “as tendências são, infelizmente, desfavoráveis”.
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