
Os menores não acompanhados correm sérios riscos de caírem nas redes de tráfico ou de distribuição de droga. Foto © UNICEF/UN0826756/Karacan
A situação dos migrantes menores não acompanhados está a aumentar de ano para ano. Segundo dados da organização Save the Children, citados pela revista America, relatam que, apenas ana Grécia, o número de menores a chegar à costa aumentou 400% em relação ao ano passado. Em Espanha, a organização estima que este ano se atinja um máximo histórico de entrada de jovens não acompanhados.
Os menores não acompanhados são extremamente vulneráveis. De acordo com a Save the Children, “até que um tutor seja nomeado [pelos funcionários da imigração grega], estas crianças não têm ninguém que lhes traga roupas, sapatos ou mesmo um telemóvel para ligar para casa e falar com a família.”
Os migrantes que chegam irregularmente às fronteiras europeias passam normalmente duas a três semanas numa área vedada, conhecida na Grécia como centro fechado de acesso controlado, antes de serem transferidos para um abrigo para refugiados. Estes jovens enfrentam uma batalha difícil para obterem o estatuto de asilo ou outra documentação que lhes permita permanecer legalmente na Grécia.
“Quando uma criança não acompanhada é colocada na área segura, ainda tem vestida a roupa molhada que usou durante a viagem de barco”, explica Fileri Kyriaki, advogada do Conselho Grego para os Refugiados, descrevendo a condição dos menores não acompanhados com que se encontrou numa declaração à imprensa.
“Não há nada para fazer na zona de segurança, nem qualquer tipo de actividades, recreativas ou outras”, disse Kyriaki. “Eles estão aborrecidos e o local parece uma prisão; não é nada amigo das crianças. É um contentor com arame farpado à volta”. Explicou que as crianças que viajaram com as suas famílias podem sair rapidamente do campo, “enquanto as crianças não acompanhadas não podem”.
Em Espanha, a organização Save the Children conta que, apesar das viagens difíceis que fizeram, chegam a Espanha ansiosos por aprender espanhol, trabalhar ou participar em programas educativos e de formação profissional. Mas orientá-los e direcioná-los para as oportunidades disponíveis requer um nível de atenção personalizada que os centros sobrecarregados não são capazes de oferecer.
Os jovens são frequentemente transferidos das Ilhas Canárias para centros em Espanha, no continente, mas as transferências requerem a cooperação dos governos regionais, cooperação essa que tem sido menos frequente à medida que a migração se tornou uma questão politicamente carregada nos últimos anos, particularmente com a chegada do partido de extrema-direita Vox à cena política espanhola.
Os bispos das Ilhas Canárias apelaram à solidariedade para com estes jovens migrantes que se encontram dispersos por Espanha. Apelaram ao fim da instrumentalização da migração e do medo na retórica política, recordando aos fiéis, numa carta sobre o assunto, que as causas da migração contemporânea são complexas.
Os bispos espanhóis salientaram que a insegurança, a desigualdade no comércio, o conflito sobre os recursos, os governantes corruptos e a falta de oportunidades de educação e de emprego – uma oportunidade para um “futuro digno” – estão entre os muitos fatores que provocam a migração.
“Sem condições de vida, trabalho e dignidade para as populações dos países de origem, não será fácil reduzir os fluxos migratórios”, afirmaram os bispos numa declaração aos meios de comunicação social. “Muitos destes nossos irmãos não iniciariam uma viagem tão incerta e perigosa se se vivessem situações mais justas nas suas cidades e países e se Espanha e a Europa promovessem mais eficazmente os caminhos para uma migração legal, ordenada e segura”, concluem.









