Miguel Duarte: “Salvámos 113, perdemos uma menina de 3 anos e a sua mãe. Esta memória transforma-se em indignação”

| 2 Jul 19 | Cooperação e Solidariedade, Destaque 2, Direitos Humanos, Estado, Política e Religiões, Sociedade - homepage, Últimas

Depois do português Miguel Duarte e de mais nove pessoas terem sido acusadas de auxílio à imigração ilegal, as autoridades italianas prenderam uma capitã de um navio humanitário, que há 15 dias andava no mar à espera de autorização para atracar num porto. 

Miguel Duarte a bordo do “Juventa”: histórias dramáticas que se transformam em indignação. Foto © Rita Gaspar

 

Miguel Duarte, 26 anos, não esquecerá a primeira vez que participou numa missão no navio Juventa, da ONG (organização não-governamental) alemã Jugend Rettet (algo como “resgate de jovens”): “Foi uma situação de emergência, em Outubro de 2016”, conta ao 7MARGENS. “Encontrámos muitas pessoas num barco de borracha furado. A maior parte destas pessoas vem de países que nem sequer têm ligação ao mar, nem sabem nadar. Atirámos tudo o que flutuava para dentro de água, incluindo muitos coletes salva-vidas. Salvámos 113 pessoas, também com a ajuda de outra ONG. Mas perdemos uma menina de 3 anos e a sua mãe. Esta memória não me sai da cabeça e muitas vezes transforma-se em indignação.”

Entretanto, o jovem português foi constituído arguido em Itália, acusado de auxílio à imigração ilegal, enfrentando uma pena de prisão que pode ir até aos 20 anos de cadeia. Uma outra activista do resgate de imigrantes, a capitã do navio humanitário Sea Watch 3, Carola Rackete, foi detida sábado passado, na ilha de Lampedusa (Itália) e conhecerá esta terça-feira, 2 de Julho, uma decisão sobre a sua situação imediata, depois de ter sido ouvida por um juiz na segunda-feira, 1 de Julho, em Agrigento (Sicília), que decretou prisão domiciliária.

“Tenho estado em contacto com várias pessoas de outras ONG e a acompanhar as notícias sobre o caso”, diz Miguel Duarte ao 7MARGENS. “O que se passou neste último fim-de-semana é que a Carola Rackete teve de fazer uma escolha: ou salvava pessoas em condições muito, muito precárias de saúde, zelando pelas suas vidas, ou respeitava uma lei que é absurda. A sua escolha foi corajosa e muitíssimo acertada.”

Na véspera do último Dia Mundial do Refugiado, a Cáritas Europa denunciou o aumento da criminalização do apoio a migrantes. E no último fim-de-semana a Comunidade de Sant’Egídio anunciou que, só desde Janeiro, já morreram mais de 900 pessoas no Mediterrâneo.

Refugiados a bordo do “Juventa”, a pedir passagens seguras que os governos europeus teimam em não lhes dar. Foto © Rita Gaspar

 

“O resgate no mar não é um crime, é um acto humanitário”

A capitã do navio, com 31 anos, atracou sem autorização em Lampedusa, depois de vários dias no mar à espera de uma autorização, para poder desembarcar 40 migrantes resgatados ao largo da Líbia e que permaneciam a bordo do navio há mais de duas semanas. Com o seu gesto, a capitã desafiou a “política de portos fechados” do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, da Liga Norte, partido de extrema-direita.

Segundo a acusação, recorda o JN, Carola Rackete resistiu com violência a um navio de guerra estrangeiro, além de ter tentado abalroar uma patrulha de uma unidade policial militarizada (Guardia di Finanza) durante as manobras no porto de Lampedusa e de ter entrado em águas territoriais italianas sem autorização. As acusações podem valer-lhe uma pena de prisão de dois a dez anos.

A própria e os seus advogados dizem que Carola Rackete não pretendia prejudicar ninguém e que a sua manobra não foi “um acto de violência, mas apenas de desobediência”.

Citado pela mesma fonte, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, afirmou que a capitã deve ser libertada porque o acto foi humanitário e não criminoso: “O resgate no mar não é um crime, é um acto humanitário e, portanto, qualquer coisa que não leve a sua libertação será considerado causa de grande irritação.”

“O resgate no mar não é um crime, é um acto humanitário”, lembrou o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros. Foto © Rita Gaspar

 

Entre o “mais horrível” e o “muito feliz”

Miguel Duarte não tem dúvidas de que, quer o seu (e de mais nove arguidos no âmbito do mesmo processo), quer o de Carola Rackete são processos políticos. No seu caso, o navio em que trabalhava foi arrestado antes das últimas eleições, ainda com o Governo anterior, presidido por Matteo Renzi, do Partido Democrático (centro-esquerda).

“O que se passou com o início desta investigação [da acusação de auxílio à imigração ilegal] foi uma atitude cada vez mais hostil por parte das autoridades italianas”, observa. Até aí, explica, havia um “trabalho de cooperação o mais normal possível com as autoridades italianas”: eram elas quem coordenava as operações dos navios de resgate das ONG que operavam no Mediterrâneo.

“Era mais do que cooperação, era um trabalho de coordenação: a maioria dos casos eram comunicados por eles e nós enviávamos as informações para a Guarda Costeira ou a Marinha. As pessoas que resgatávamos eram invariavelmente entregues às autoridades, não esperávamos o que aconteceu”, confessa.

Quando, em Agosto de 2017, o navio foi confiscado pela polícia italiana, ele e o seus companheiros da Jugend Rettet ficaram surpreendidos. “Estamos constituídos arguidos, mas não sabemos qual é o suporte probatório da investigação. A conclusão é que este é um caso político.”

O trabalho de Miguel Duarte no Juventa  durou cerca de um ano, com interrupções que o levaram a trabalhar com a PAR (Plataforma de Apoio aos Refugiados), na Grécia e em campos na Turquia. Em ambos os casos, “as condições de vida eram más e precárias”, mas na Turquia há campos sem qualquer apoio de ONG. Para além dos milhares de sírios que fogem da guerra civil no seu país, os refugiados que chegam a essas zonas são provenientes sobretudo do Iraque, Afeganistão e Paquistão.

Essas interrupções eram necessárias, pois a pressão psicológica é muita: “Vi viu as coisas mais horríveis que já vi na vida e foi o mais difícil que já fiz”, confessa. Ao mesmo tempo, nunca se sentiu “tão feliz”. É uma “sensação enorme e avassaladora, ver a esperança que se percebe nas pessoas quando elas entram no barco e se sentem a salvo: muitas delas chegavam e adormeciam imediatamente, muitas vezes apesar das condições adversas à volta. “Muitas vezes chegámos tarde, mas a maior parte das situações foram bem-sucedidas”, recorda.

“Havia de tudo” nos barcos e botes de borracha que encontravam: “famílias, homens solteiros, mulheres solteiras, menores desacompanhados, mulheres grávidas”. “Muita gente da Síria, mas também muitos migrantes oriundos de países de África subsariana: Nigéria, Sudão, Eritreia… A maior parte não traziam sapatos sequer, muitos vinham em tronco nu, mochilas nem pensar”, descreve o voluntário português.

” É uma sensação avassaladora, ver a esperança que se percebe nas pessoas quando elas entram no barco e se sentem a salvo”, diz o activista português. Foto © Rita Gaspar

 
Duas campanhas em marcha

A decisão de Miguel Duarte em ajudar os migrantes que tentam atravessar o Mediterrâneo surgiu em 2016: “Era preciso tomar parte activa” numa situação com tantas vidas humanas em risco. As imagens que chegavam diariamente a casa dos portugueses pelas televisões foram o elemento mobilizador, até porque “não concordava com as meias soluções adoptadas pelos Estados europeus”.

Miguel Duarte caracterizou-nos o panorama de actuação das operações marítimas no Mediterrâneo “em que não existiam meios de resgaste suficientes” para dar resposta a todas as situações de necessidade de salvamento com que os voluntários se deparavam, “com barcos de borracha completamente sobrelotados com 700, 800 pessoas” e outros, feitos de madeira, “com construção de má qualidade”, “onde viriam cerca de 150 migrantes num espaço concebido apenas para poucas dezenas”.

Neste cenário de caos e de extrema urgência humanitária nem sempre era possível corresponder a tempo. “Muitas vezes chegámos tarde”, reconhece com tristeza Miguel Duarte, ainda que o conforte a noção de que “ a maior parte das situações foram bem-sucedidas!”.

Em todos os momentos, Miguel Duarte sentiu-se apoiado pela família: “Sempre me apoiaram muito, acreditam nos mesmos princípios que eu.” Licenciado em Física e a fazer o doutoramento em Matemática no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, confessa-se ateu, mas olha com simpatia as posições do Papa Francisco sobre o assunto: “Ele tem dado bastante apoio às ONG de resgate e à solidariedade; infelizmente, tem sido contrariado pelo Governo italiano, mas tem sido uma força importante nesta luta pela solidariedade.”

Agora, embora tranquilo, está a mobilizar apoios para a sua defesa, através de uma página de informação e recolha de fundos e na qual se pode ver um vídeo em que Miguel Duarte explica o que está em causa com a sua história. Até à noite de dia 1 de Julho, tinham sido angariados mais de 53 mil euros. Também no caso de Carola Rackete corre já uma petição digital que, na noite de 1 de Julho, estava a caminho dos 67 mil signatários.

(Texto com o contributo de Hugo Silva)

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Dez
14
Sáb
3º Concerto de Natal da Academia de Música de Santa Cecília @ Basílica do Palácio Nacional de Mafra
Dez 14@21:00_22:30

Entrada gratuita mediante o levantamento de bilhetes nos Postos de Turismo de Mafra e Ericeira

 

A Academia de Música de Santa Cecília, escola de ensino integrado de música, apresenta o seu terceiro concerto de Natal nos dias 14 e 15 de Dezembro, no Palácio Nacional de Mafra, classificado recentemente como Património Cultural Mundial da UNESCO.

Neste concerto participa um coro constituído por 250 crianças e jovens dos 10 aos 17 anos e uma orquestra de cordas de alunos da escola, a soprano Ana Paula Russo e ainda o conjunto, único no mundo, dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

No programa estão representados vários compositores nacionais e estrangeiros, destacando-se a obra “Seus braços dão Vida ao mundo”, sobre um poema de José Régio, da autoria da jovem Francisca Pizarro, aluna finalista do Curso Secundário de Composição da Academia de Música de Santa Cecília.

O concerto assume especial importância não apenas pela singularidade do conjunto dos seis órgãos do Palácio Nacional de Mafra mas também pela dimensão do número de jovens músicos envolvidos.

A relevância do concerto manifestou-se em edições anteriores (2016 e 2017), pela sua transmissão integral na RTP2, tendo o concerto de Natal de 2017 sido difundido em directo para a União Europeia de Rádio. O concerto tem o patrocínio da Câmara Municipal de Mafra.

Programa do concerto

Arr. Carlos Garcia (1983)
Ó Pastores, Pastorinhos (tradicional de Alferrarede)

Francisca Pizzaro (2001)
Seus braços dão Vida ao mundo (sobre um poema de José Régio), obra em estreia absoluta, encomendada para a ocasião; Francisca Pizarro é aluna do curso secundário de Composição da AMSC

Arr. Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
O Menino nas Palhas (tradicional da Beira Baixa)

Eurico Carrapatoso (1962)
Dece do Ceo (sobre um poema de Luís de Camões)

Arr. Carlos Garcia
Gloria in excelsis Deo (tradicional francesa) *

Franz Xaver Gruber (1787-1863) Arr. Carlos Garcia
Stille Nacht

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Alleluia, do moteto Exsultate, jubilate

Tradicional francesa
Quand Dieu naquit à Noël

Louis-Claude Daquin (1694-1772)
Noël X

Arr. Malcolm Sargent (1895-1967)
Zither Carol (tradicional da República Checa)

Tradicional do País de Gales
Deck the Halls

John Henry Hopkins Jr. (1820-1891); Arr. Martin Neary (1940)
We three Kings

Arr. Mack Wilberg (1955)
Ding! Dong! Merrily on High (tradicional francesa)

Arr. David Willcocks (1919-2015)
Adeste Fideles (tradicional), com a participação do público.

CANTORES E MÚSICOS
Ana Paula Russo, soprano

Ensemble Vocal da AMSC
Coro do 2º Ciclo da AMSC
Coros do 3º Ciclo e Secundário da AMSC

Orquestra de Cordas da AMSC
Pedro Martins, percussão

Rui Paiva, órgão da Epístola
Flávia Almeida Castro, órgão do Evangelho
Carlos Garcia, órgão de S. Pedro d’Alcântara
João Valério (aluno da AMSC), órgão do Sacramento Liliana Silva, órgão da Conceição
Afonso Dias (ex-aluno da AMSC), órgão de Sta. Bárbara

Carlos Silva, direcção da orquestra

António Gonçalves, direcção

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