
Os anúncios têm como objetivo genérico atrair grupos que possam ter-se sentido excluídos das igrejas cristãs nos últimos anos. Foto © He Gets Us.
Um pouco mais de 20 milhões de dólares (18,6 milhões de euros) serão gastos em anúncios publicitários difundidos durante o Super Bowl do próximo domingo, dia 12 de fevereiro, para divulgar a ideia de que Jesus Cristo “entende-nos”. “He gets us” é o mote de uma campanha de marketing nos Estados Unidos, abrangendo outdoors, banners online e spots televisivos que prevê investir um total de mil milhões de dólares em três anos.
O Super Bowl é o jogo da final do campeonato de futebol americano que este ano opõe os Kansas City Chiefs aos Philadelphia Eagles. É também o acontecimento desportivo mais visto nos Estados Unidos e o segundo em audiência a nível mundial, apenas suplantado pela final da Liga dos Campeões da UEFA. Segundo o site do jornal Christianity Today, a campanha foi paga pela família proprietária da rede de lojas de artesanato Hobby Lobby, bem como outros grupos evangélicos, incluindo a fundação The Signatry.
Os vídeos publicitários podem também ser vistos em plataformas como o Youtube e têm como objetivo genérico atrair grupos que possam ter-se sentido excluídos das igrejas cristãs nos últimos anos, como membros da comunidade LGBT, ou de raças e etnias marginalizadas, e também pessoas que se afastaram por causa dos escândalos dos abusos sexuais.
Para Bob Smietana, jornalista do NPR “gastar tanto dinheiro” nesta campanha é como “admitir que há um problema” e “há, de facto, um problema nas instituições religiosas na América” que “estão em queda, sobretudo as congregações”. Smietana cruza este ‘emagrecimento’ das denominações cristãs com o seu receio de perda de influência política: “O problema que os evangélicos americanos enfrentam é um conflito novo entre as suas ambições políticas e as suas crenças religiosas e éticas profundamente arraigadas”, conflito esse visível no resultado das eleições de novembro de 2022, quando a aposta na campanha antiaborto parece ter afastado parte do eleitorado habitualmente disponível para votar no Partido Republicano. Daí que a atual campanha tenha como destinatários principais a juventude, os jovens adultos, migrantes, minorias étnicas específicas e a comunidade LGBT.










