Milhares de conteúdos antissemitas “extremos e violentos” na Internet

| 15 Jun 20

cartaz antissemitismo covid-19

Um dos cartazes divulgados nas redes: “Se tem o bicho, dê um abraço. Espalhe a gripe a todos os judeus.” Holo-tosse. Foto: Direitos reservados.

 

Há milhares de conteúdos antissemitas “facilmente acessíveis, extremos e violentos” a circular nas redes sociais, alerta um relatório divulgado pela Community Security Trust (CST), uma instituição de proteção das comunidades judaicas, sediada no Reino Unido.

O relatório, divulgado quinta-feira, 11 de junho, e intitulado O Combustível do Ódio: o oculto mundo on-line que alimenta o terror de extrema-direita revela que este tipo de conteúdos é sobretudo veiculado em sites e redes sociais alternativas ao Facebook e ao Youtube, menos conhecidos e também menos regulamentados, como por exemplo o Telegram, o Gab, BitChute ou 4chan, mas que nem por isso deixam de estar completamente acessíveis a quem quiser encontrá-los.

“O conteúdo revelado no relatório é tão extremo, quer em termos de violência das imagens que encontrámos, quer na quantidade de antissemitismo explícito, que seria irresponsável da parte da CST publicá-lo na íntegra”, avança a instituição num comunicado.

A CST optou por enviar o relatório diretamente para a polícia, o governo e outras organizações de relevo na luta contra o extremismo, tendo divulgado publicamente apenas algumas das conclusões e exemplos dos materiais identificados.

Só no portal BitChute, os vídeos com conteúdos antissemtitas já foram vistos por mais de três milhões de pessoas, sublinham. Em todas as plataformas, foram encontradas filmagens de ataques a sinagogas e mesquitas, onde se multiplicam os comentários a elogiar os responsáveis pelos crimes.

“Trata-se de um movimento global que já perpetrou ataques terroristas a sinagogas, mesquitas e outras minorias na Europa, América do Norte e Nova Zelândia. Os autores desses ataques são considerados heróis pelos extremistas de direita em todo o mundo, que comemoram as suas ações e se encorajam mutuamente a imitá-las”, denuncia a CST.

“Grande parte desse combustível de ódio online promove teorias da conspiração perigosas sobre judeus e outras minorias: as mesmas teorias da conspiração que inspiraram ataques mortais em todo o mundo nos últimos dois anos”.

 

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