Milhões de desalojados e 86 mortos depois de ciclone na Índia

| 27 Mai 20

ciclone india foto Vatican News

Mais de um milhão de casas desabaram, o que pode fazer aumentar muito o número de vítimas. Foto Direitos reservados/Vatican News

 

Estes são os dados oficiais do Governo indiano, mas o cenário real pode ser bem mais catastrófico: pelo menos 86 pessoas morreram, mais de um milhão de casas desabaram, 100 mil hectares de plantações ficaram destruídos e quase um milhão de cabeças de gado foram perdidas. Esta segunda-feira, cinco dias depois da passagem do ciclone Amphan pelo país, ainda havia povoações isoladas, sem transporte, eletricidade e comunicação e diversas instituições religiosas, entre as quais várias da Igreja Católica, estavam a tentar chegar aos milhares de pessoas que ficaram sem comida, nem água potável.

“Esta é apenas uma estimativa inicial, as perdas podem ser muito maiores”, avisou o padre Parimal Kanji, diretor de obras sociais da diocese de Baruipur (Bengala Ocidental), uma das mais atingidas pela tempestade. “A nossa gente perdeu praticamente tudo”, afirmou, citado pelo site Vatican News. “O ciclone destruiu casas, plantações e gado da população de pelo menos 24 paróquias. Também as igrejas foram danificadas”.

De acordo com o padre Kanji, as pessoas afetadas “são pobres e ganham a vida principalmente com a pesca, a agricultura, a colheita de mel e de outros produtos florestais”, pelo que a Igreja, através do Catholic Relief Service e da Cáritas Índia está já a trabalhar com as paróquias locais para fornecer ajuda às populações.

“Começámos a distribuir alimentos a duas mil pessoas em áreas vulneráveis”, assegurou o padre Franklin Menezes, diretor de serviços sociais da arquidiocese de Calcutá, que diz querer chegar a pelo menos dez mil, assim que mais algumas estradas sejam desbloqueadas. “Muitas pessoas na cidade estão com fome e sede, pois não há água potável. As inundações contaminaram poços abertos e outras fontes de água” e a falta de eletricidade tornou impossível bombear a água dos poços, sublinhou.

 

Missionárias da Caridade na linha da frente

Numa altura em que a Índia regista as temperaturas mais elevadas no mês de maio desde 2002 (esta terça-feira, em Nova Deli, os termómetros chegaram aos 46ºC) e o número de casos de covid-19 não pára de aumentar, toda a ajuda é pouca e o trabalho das Missionárias da Caridade (congregação fundada por Madre Teresa de Calcutá) tem sido determinante.

Ainda antes da passagem do ciclone Amphan pelo país, as missionárias conseguiram distribuir comida a 40 mil famílias. Com um camião e uma ambulância, percorreram várias zonas da cidade de Calcutá, onde vivem quase 15 milhões de pessoas, e ajudaram também os mais pobres da favela de Howrah, cidade vizinha, com mais um milhão de pessoas. Levaram caixas com arroz, açúcar, farinha de trigo, legumes secos e lentilhas, que distribuíram porta a porta, com o apoio da polícia.

Também os hospitais católicos têm estado na linha da frente do combate à pandemia, proporcionando não apenas o tratamento necessário aos pacientes com coronavírus (montando, em alguns casos, pavilhões específicos para esse fim), mas também distribuindo comida aos mais pobres e ajudando os migrantes de outros estados da Índia com os processos burocráticos necessários para que possam regressar às suas casas.

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