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Vista aérea da área de Taybeh. Foto © The Catholic Church Bishops' Conference of England and Wales (CBCEW)

Última vila cristã da Cisjordânia

Militares israelitas isolam Taybeh para “proteger” os palestinianos dos colonos

| 14/08/2026

 

As autoridades israelitas anunciaram no início da semana o estabelecimento de uma “zona militar fechada” à volta da vila de Taybeh, na Cisjordânia (território palestiniano), determinando que israelitas, jornalistas e estrangeiros estavam proibidos de entrar na localidade. As notícias que vão chegando do terreno, no entanto, contradizem o que foi anunciado.

A medida destinava-se alegadamente a “proteger os residentes” dos sucessivos ataques de grupos de colonos israelitas, que cresceram nos últimos meses. Porém, desde o início esse anúncio foi interpretado de diferentes modos, nem sempre convergentes. A desconfiança decorre do facto de vários dos ataques, destruições e ocupações dos colonos ter tido a cobertura ativa ou passiva dos próprios militares. [ver 7MARGENS]

O padre Bashar Fawaedlh, pároco da Igreja Cristo Redentor na vila, que tem sido voz de denúncia dos atropelos aos direitos humanos da população local, comentou o anúncio das Forças de Defesa de Israel em declarações citadas pelo site Catholic Independent News,   dizendo que a Igreja acolhe qualquer medida para proteger as pessoas, as suas casas e terras e a liberdade.

A declaração de Taybeh como zona militar fechada para israelitas não residentes pode ser um passo positivo se for genuína e consistentemente aplicada para impedir que colonos entrem nas nossas terras e realizem novos ataques. O que nos importa, porém, não é o anúncio em si, mas o que acontecerá no terreno nos próximos dias e semanas”, acrescentou o pároco, justificando a sua cautela:

“Vamos julgar esta decisão pelos seus resultados: os ataques cessaram? Os nossos agricultores conseguem chegar às suas terras em segurança? As famílias conseguem viver nas suas casas sem medo? Foram impedidas as tentativas de estabelecer novos assentamentos de colonos em redor de Taybeh? (… ) Não é privilégios que pedimos, mas o direito básico de permanecer pacificamente na nossa terra e de preservar a presença cristã que existe aqui há séculos”, notou o responsável católico.

Por sua vez, o presidente da Câmara de, Suleiman Khoury, afirmou que restringir a entrada de visitantes estrangeiros terá um sério impacto económico”, visto que esta localidade é também “um destino religioso e turístico popular, com hotéis, restaurantes e outros comércios que dependem fortemente dos visitantes”.

Outros observadores salientaram que a proibição de entrada de ativistas dos direitos humanos e de jornalistas internacionais irá impedir testemunhos e recolha de imagens que documentem os ataques diários dos colonos. É o caso de Ihab Hassan, um defensor palestiniano cristão dos direitos humanos, que não hesita em classificar esta medida como sendo “profundamente alarmante e mais um passo do governo e do exército israelitas rumo à limpeza étnica da última aldeia inteiramente cristã na Cisjordânia”.

Eles querem fazer isso em silêncio – sem testemunhas, sem jornalistas e sem que o mundo perceba. Em vez de prender os terroristas colonos responsáveis por esses ataques, as autoridades estão a proibir a entrada na aldeia de jornalistas e ativistas que os documentam”, observou Ihab Hassan.

James Curry

Bispo James Curry: “está longe de ser certo” que a medida tomada pelo exército atingirá o objetivo de impedir ataques de colonos israelitas contra moradores. Foto © Diocese de Westminster

Quem também se disse “profundamente alarmado” com a declaração de Taybeh como “zona militar fechada” foi o bispo James Curry, que tem a responsabilidade pela Terra Santa na Conferência Episcopal católica de Inglaterra e já visitou aquele território.

Para Curry, “está longe de ser certo” que a medida tomada pelo exército atingirá o objetivo de impedir ataques de colonos israelitas contra moradores. “O governo israelita – observou – precisa de encontrar uma maneira de proteger as comunidades legítimas da violência dos colonos, permitindo, ao mesmo tempo, que os cidadãos continuem com suas atividades normais. Esta proibição resultará numa perda significativa de receita proveniente do turismo e das peregrinações e, consequentemente, em maior atenção internacional sobre a situação”.

Nas redes sociais multiplicam-se relatos e imagens de grupos de colonos em atitude de provocação dos moradores, sem que se veja o mínimo sinal da presença militar.

 

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