
Aung San Suu Kyi está em parte incerta desde o golpe miliar no país. Foto © Comune Parma
Aung San Suu Kyi, a líder do movimento que ganhou de modo contundente as eleições democráticas de há um ano em Myanmar (Birmânia) e que está detida em parte incerta desde o golpe militar de 1 de fevereiro foi condenada a quatro anos de prisão, noticiou nesta segunda-feira, 6 de dezembro, a BBC, citando os advogados da Nobel da Paz.
Numa decisão que releva do humor negro, Min Aung Hlaing, líder da junta militar, reduziu a pena para dois anos. Sobre Suu Kyi impendem 11 acusações que devem originar condenações suficientes para a manter em prisão perpétua. Durante uma década, os chefes militares de Myanmar aceitaram um processo de negociação que levou Aung San Suu Kyi a ganhar eleições democráticas e à chefia do Governo. Contudo, os militares mantiveram sempre as rédeas do poder e perpetraram amplas ações de extermínio da minoria Rohingya sem oposição pública da então primeira-ministra.
Michelle Bachelet, alta comissão dos Direitos Humanos da ONU, condenou o “julgamento simulado”, acrescentando que esta condenação só “aprofundaria a rejeição ao golpe”. “A detenção arbitrária de políticos eleitos só aumenta o risco de agitação” considerou, por seu turno, Liz Truss, secretária de Estado para as Relações Exteriores do Reino Unido, que exigiu a libertação de todos os presos políticos e o retorno à democracia.
A brutal resistência dos militares a entregar o poder aos eleitos não tem por base qualquer ideologia; radica exclusivamente no facto das altas patentes militares controlarem a riqueza do país gerindo-a em seu proveito. Observadores internacionais calculam que mais de 80 por cento do comércio externo de Myanmar seja controlado por empresas diretamente relacionadas com as altas chefias militares.









