
Há um número cada vez maior de mulheres diagnosticadas com cancro cervical e uterino e o número de pessoas com doença renal, incluindo crianças, também tem vindo a aumentar exponencialmente. Foto © WHO / Ernest Ankomah.
Uma semana de oração e jejum pelo ambiente é o que pedem os líderes religiosos do Gana, com o objetivo de alertar para a devastação ambiental que a exploração ilegal de ouro está a provocar no país, além das consequências negativas que tem tido na saúde das populações e na economia, noticiou este domingo, 23, o jornal Crux.
“Com efeito imediato, pedimos aos líderes religiosos que usem braçadeiras vermelhas para mostrar a nossa profunda preocupação com a destruição do meio ambiente através da galamsey [mineração ilegal de caráter artesanal]”, disse Philip Naameh, presidente da Conferência dos Bispos Católicos de Gana, em representação de cristãos e muçulmanos. “Durante muitos anos, o nosso país soberano Gana tem testemunhado, sob o nosso olhar nu, o mais triste golpe de estado ambiental já desencadeado na nossa nação, anunciando um desastre ecológico programado e completo.”
“Os nossos ecossistemas estão a ser destruídos irreversivelmente; os nossos solos estão contaminados com produtos químicos venenosos, que são muito difíceis, se não impossíveis, de eliminar”, alertou o arcebispo Naameh, sublinhando: “O nosso povo está a beber água perigosamente poluída; alguns dos nossos hospitais missionários estão a registar um aumento de doenças estranhas.”
De acordo com o líder católico, há cada vez mais mulheres diagnosticadas com cancro cervical e uterino e o número de pessoas com doença renal, incluindo crianças, também tem vindo a aumentar exponencialmente.
“A vida marinha, o nosso gado, pássaros, insetos e reservas de caça dependem, bebem e também usam essas águas altamente poluídas. A sua carne e vegetação comestível terminam nas nossas mesas de jantar”, lembrou ainda Philip Naameh.
Cerca de 35% do ouro no Gana é extraído através da mineração ilegal de ouro artesanal e em pequena escala, ou galamsey. Segundo os ambientalistas, os efeitos desta superam os das grandes minas que recorrem a métodos mais seguros e amigos do ambiente para a exploração do solo.










