Ministério Público pede oito anos de prisão para ex-padre Preynat por abusos sobre 10 pessoas

| 20 Jan 20

Oito anos de prisão foi a pena mínima pedida pelo Ministério Público francês no Tribunal de Lyon, sexta-feira, 17, para o ex-padre Bernard Preynat, que, durante a semana passada, foi julgado por agressões sexuais a menores, cometidas entre 1986 e 1990. As vítimas do então pároco de Sainte-Foy-lès-Lyon foram mais numerosas, mas apenas em relação a dez os crimes não se encontravam ainda prescritos. A sentença será conhecida no dia 16 de Março.

O diário Le Monde noticiou que a procuradora Dominique Sauves defendeu que a prisão é a única sentença possível para punir “a gravidade e a multiplicidade” dos crimes de Bernard Preynat, registados desde 1971 e ao longo de quase vinte anos, no período em que o ex-padre dirigiu um grupo de quatrocentos escuteiros. Citada pelo jornal, a procuradora afirmou que “este não é o julgamento de uma infâmia colectiva ou de uma instituição, mas de um homem que montou a sua própria estrutura para responder às suas pulsões” e deplorou a “traição” da sua missão educativa e espiritual.

Dominique Sauves não deixou de lamentar também a “confiança cega dos pais” em Bernard Preynat. Um dos episódios referidos no julgamento foi o de uma vítima que falou à mãe das suspeitas em relação ao então padre. Tranquilizada por Bernard Preynat, a senhora pedir-lhe-ia para vir abençoar a casa da família.

O Monde noticiou que, após vinte anos de desvios impunes e trinta anos de silêncio, seria no julgamento que viria a ser revelado que o ex-padre tinha, ele próprio, sido agredido sexualmente por padres no período em que esteve no seminário. Numa carta enviada ao bispo de Lyon no dia anterior ao julgamento, Bernard Preynat detalhou as circunstâncias, mas os queixosos não quiseram acreditar, temendo que se tratasse de mais um artifício do réu para escapar às suas responsabilidades. O ex-padre aguardará a sentença em liberdade condicional.

O caso de Preynat levou o arcebispo de Lyon, cardeal Philippe Barbarin, a julgamento, por encobrimento dos crimes do antigo padre. No próximo dia 30, o cardeal conhecerá a decisão do Tribunal de Recurso para o qual apelou para anular a condenação de 7 de Março do ano passado, em primeira instância, a um ano de prisão convertido em seis meses de pena suspensa pela não denúncia dos actos pedófilos de Bernard Preynat.

O cardeal Barbarin, arcebispo demissionário de Lyon, foi julgado por encobrimento dos crimes do padre Preynat. Foto: Direitos reservados.

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