Um testemunho

Missão País: “Lança as redes e encontrarás”

| 9 Mar 2024

Maria Beja, 19 anos. Está no segundo ano da licenciatura em Psicologia, no ISPA, e fez este ano, 2024, a Missão País com estudantes de Enfermagem de Lisboa, em Boliqueime, Algarve.

Maria Beja, 19 anos. Está no segundo ano da licenciatura em Psicologia, no ISPA, e fez este ano, 2024, a Missão País com estudantes de Enfermagem de Lisboa, em Boliqueime, Algarve. Foto: Direitos reservados.

 

Sou a Maria Beja, tenho 19 anos. Estou no segundo ano da licenciatura em Psicologia, no ISPA (Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida).

Este ano, 2024, fiz a Missão País com a Escola de Enfermagem de Lisboa, ESEL, em Boliqueime, Algarve. Candidatei-me para várias missões de faculdades diferentes, pois não podia ir na data da missão da minha. Já sem qualquer esperança de ser admitida, a chefe geral da Missão País da ESEL liga-me, a cinco dias da mesma acontecer, a informar-me que tinha sido admitida e que podia integrar o grupo. Fiquei muito feliz e aceitei o desafio.

Eu nunca tinha feito missão antes e fui para esta sem qualquer expectativa, missão esta onde não conhecia ninguém. De coração completamente aberto, para receber todo o amor que os missionários me poderiam dar, aberta para conhecer novas pessoas, fazer novas amizades e, obviamente, dar todo o carinho que era capaz àquela população algarvia. Este foi o terceiro ano de missão da ESEL em Boliqueime, ou seja, o último, ano este chamado de “ano do envio”. É aquele em que nós enviamos a comunidade e deixamos as sementes para que as comunidades possam, ao longo dos anos que se seguem, manter esta fé de missionário e, a partir desse momento, serem eles também os missionários.

Missão País com estudantes de Enfermagem de Lisboa, em Boliqueime, Algarve

Missão País com estudantes de Enfermagem de Lisboa, em Boliqueime, Algarve. Foto: Direitos reservados.

Confesso que disse o meu “sim” um bocado a medo, pois não conhecendo ninguém, nem sequer de vista, e sabendo que iria estar uma semana com pessoas que não conhecia, longe de casa, e a dormir sete dias no chão, sem saber se me iria adaptar bem e fazer amigos… Éramos 60 pessoas e dizia para mim: “Maria, no máximo, sais daqui com cinco ou seis amigos, são imensas pessoas para conseguires falar com toda agente apenas numa semana.” Meus caros, enganei-me profundamente! Fui bastante surpreendida pela positiva. Hoje, uma semana depois, encontro-me aqui a dar o testemunho de uma das melhores semanas que já vivi. Foi das experiências mais enriquecedoras que fiz e que mais me fez crescer. 

A Missão País deste ano teve como tema “Lança as redes e encontrarás”. É uma chamada à ação. É um convite a sairmos da nossa zona de conforto e a partirmos ao encontro do próximo, partilhando aquilo que recebemos em abundância. Com Cristo a pesca é abundante! A santidade é a vida de Cristo em nós, deixarmos que a vontade de Deus se faça em nós, só assim encontramos aquilo que procuramos!

Na missão, durante estes sete dias, para além de termos todos os nossos momentos de oração, como seja a da noite, da manhã, o terço e a missa, em que rezamos por todas estas pessoas também, nós tentamos chegar um pouco a todos. Fazemos voluntariado em lares e centros de dia, onde conhecemos os idosos e nos damos a conhecer também, e o nosso objetivo é que, naquela semana, pelo menos, os idosos se sintam felizes, amados e acompanhados por nós. Fazemos voluntariado em “pré-escolares”, onde brincamos com as crianças, damos-lhes de comer e fazemos-lhes companhia.

Também temos o projeto “Porta a porta”. Neste, vamos de porta em porta oferecer tempo e auxílio. Fazemos companhia às pessoas, passamos lá um bom tempinho ou a jogar às cartas ou a conversar ou simplesmente a estar. Fazemos o famoso teatro onde alguns de nós se preparam durante a semana para, no final, apresentarem uma peça de teatro à comunidade.

 

Missão País com estudantes de Enfermagem de Lisboa, em Boliqueime, Algarve. Foto: Direitos reservados.

Missão País: “É uma semana muito intensa e trabalhosa para este grupo, mas também é aqui onde os laços entre missionários, mais facilmente se tornam fortalecidos”, testemunha Maria Beja. Foto: Direitos reservados.

 

É uma semana muito intensa e trabalhosa para este grupo, mas também é aqui onde os laços entre missionários, mais facilmente se tornam fortalecidos, muito mesmo. Eu, pessoalmente, integrei o grupo do teatro, era a minha última opção, mas hoje, colocaria o teatro como primeira opção. Foi muito divertido, tirou-me por completo da minha zona de conforto, fui, completamente, surpreendida pela positiva, fiz amigos que certamente ficarão para a vida. É mesmo gratificante chegar ao fim da semana e saber que nos esforçámos imenso e agora aquelas pessoas estão ali, para nos verem representar, a passar uma mensagem. Este ano convidámos todos a saírem da sua zona de conforto, a desafiarem-se a si próprios para conseguirem encontrar Jesus. Lembrámos que, há momentos em que andamos perdidos e é nesses momentos que, com Jesus, “lançando as redes”, conseguimos encontrar o caminho e a nossa missão.

Quando voltei da missão dei por mim a ter esta reflexão: “Estive uma semana fora, longe de casa, e não gastei 0,01€, nem tive vontade de comprar nada!!” Como assim? Uma semana inexplicável em que tentei contar e explicar tudo o que senti aos meus amigos e à minha família e tento também passar um pouco neste testemunho, mas não consigo! É impossível conseguirmos descrever tudo o que sentimos e vivemos naquela semana, pois é algo tão interior e tão nosso, sensações tão boas, que só quem viveu aquela semana comigo compreende todo o sentimento que nos preenche. Como é que me sinto tão bem e feliz, tão completa e rica e não gastei UM CÊNTIMO!? Pois aqui está a verdadeira prova de que para sermos felizes, o consumo não é o mais importante, precisamos, essencialmente, de amor e de pessoas boas à nossa volta, pessoas prontas para nos receber e pessoas de coração bom que nos preenchem.

A missão 2024, em Boliqueime, foi a materialização de que aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós, como escreveu Antoine de Saint-Exupéry.

 

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