China intensifica perseguição

Missas ou religião na internet, só se o Governo deixar

| 3 Jan 2022

Fundado pelo antigo bispo Raimondo Wang Chonglin de Zhaoxian, em 1988, o orfanato acolhia dezenas de crianças deficientes e alguns órfãos adultos. Foto: Direitos reservados.

 

 

Transmissão de missas ou quaisquer outras actividades religiosas através da Internet, incluindo homilias, sessões de formação ou a simples divulgação de informações, passarão a ter de ser autorizadas previamente pelas autoridades governamentais chinesas, já a partir do próximo dia 1 de Março, noticiou a agência Asia News.

Qualquer celebração do Natal também estará em risco, a avaliar por aquilo que se passou já na última festividade natalícia: as autoridades do condado de Rong’an (Guangxi) proibiram as celebrações do nascimento de Jesus, alegando que, enquanto “festa ocidental”, o Natal é uma ameaça para a cultura nacional chinesa, acrescenta a mesma fonte, reproduzida ainda pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). A multiplicação de iniciativas relacionadas com a Silent Night, noite silenciosa, a designação chinesa para a véspera de Natal, é uma agressão à cultura chinesa. Por isso, professores e membros do Partido Comunista Chinês (PCC) devem afirmar as tradições chinesas e qualquer cidadão era chamado a denunciar à polícia os casos de celebrações natalícias que conhecesse.

De acordo com a mesma fonte, todas as organizações e pessoas que queiram promover alguma actividade ou informação de carácter religioso na Internet tem de pedir uma licença específica prévia ao Departamento de Assuntos Religiosos da respectiva província. Também qualquer campanha de angariação de fundos “em nome da religião” na Internet fica proibida.

Estas novas medidas, diz a Asia News, reflectem indicações de Xi Jinping, o líder chinês, que há um mês disse que era preciso “melhorar o controlo democrático sobre as religiões”. As religiões, disse ainda o secretário-geral do PCC “devem adaptar-se ao facto de a China ser um país socialista”. Ou seja, deve rejeitar-se “toda a influência estrangeira”.

As novas regras estabelecem que as actividades religiosas na Internet não devem “incitar à subversão do poder do Estado, opor-se à direcção do Partido, minar o sistema socialista, a unidade nacional e a estabilidade social”.

Também as iniciativas online dirigidas explicitamente aos jovens não podem, a partir do dia 1 de Março, “induzir os menores, organizá-los ou obrigá-los a participar em actividades religiosas”.

A AIS recorda que estas medidas se inserem na promoção da “sinicização” da religião, processo iniciado em 2015. O mais recente Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado em Abril de 2021 pela AIS, refere o aumento das medidas repressivas do aparelho do Estado sobre as comunidades religiosas, nomeadamente os cristãos.

“A liberdade religiosa na China está actualmente sujeita à mais séria repressão desde a Revolução Cultural”, refere o documento. “A política é mais centralizada, a repressão é mais intensa e generalizada, e a tecnologia está a ser aperfeiçoada para a criação de um Estado de vigilância. Sob a actual liderança de Xi Jinping, as perspectivas para a liberdade religiosa e os direitos humanos em geral, estão a tornar-se cada vez mais frágeis. Sem uma liberalização política significativa à vista, a repressão e a perseguição continuarão e, com os instrumentos da tecnologia moderna, tornar-se-ão ainda mais intrusivas e generalizadas.”

 

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