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Padre Pedro Fernandes. Foto Congregação do Espírito Santo
Com 56 anos, o novo bispo é "conhecido pela sua profunda espiritualidade e vida de oração". Foto © Congregação do Espírito Santo

Nomeado esta terça-feira

Missionário espiritano Pedro Fernandes será o novo bispo de Portalegre-Castelo Branco

| 07/10/2025

O Papa acaba de nomear o padre Pedro Fernandes, missionário espiritano, como bispo da diocese de Portalegre-Castelo Branco. Após seis anos como responsável máximo dos Espiritanos em Portugal, o prelado era desde 2024 o administrador da Comunidade Espiritana da Estrela, em Lisboa, e sucederá a Antonino Dias, que renunciou por motivos de idade.

Nascido a 22 de junho de 1969 na Paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, em Lisboa, Pedro Fernandes é o filho único de uma família ligada aos Espiritanos, nomeadamente através do Renovamento Carismático e da Liga Intensificadora da Ação Missionária (LIAM), pode ler-se na página oficial da congregação, onde se assinala ainda uma curiosidade: “É bom saber que este Movimento Missionário foi fundado por D. Agostinho de Moura, Espiritano, que também foi Bispo de Portalegre-Castelo Branco (1952-1978)”.

Depois de terminar o ensino secundário em 1987, Pedro Fernandes começou a estudar Filosofia na Universidade Católica de Lisboa. Em 1988, entrou na Casa de Formação Espiritana, situada no Restelo (Lisboa), conciliando os estudos teológicos com o trabalho pastoral entre comunidades de imigrantes.

Entrou no noviciado em Silva, Barcelos, em 1991, e fez a sua profissão religiosa a 8 de setembro de 1992. Concluiu o curso de Teologia em Lisboa, com uma tese sobre o diálogo católico-anglicano e, mais tarde, fez um mestrado em Ciências da Religião, em Paris. O seu estágio missionário como diácono decorreu na Guiné-Bissau (Missão de Caió) e foi ordenado padre a 21 de julho de 1996, na sua paróquia natal de Benfica.

Recebeu depois nomeação missionária para Moçambique, tendo sido um dos pioneiros da missão espiritana neste país lusófono, na diocese de Nacala. Em Netia, uma região vasta e empobrecida, ainda marcada pela guerra civil, ajudou a desenvolver a pastoral e a ação social entre comunidades rurais dispersas. Mais tarde, liderou a fundação de uma nova Missão em Itoculo, no âmbito da qual foi construída uma residência, uma capela e um centro pastoral. Com as Irmãs Espiritanas, criou lares para acolher adolescentes e jovens de aldeias remotas, e apostou na formação de líderes leigos, abraçando a visão da Conferência Episcopal Moçambicana de uma “Igreja ministerial”.

Após anos de serviço missionário em Moçambique, regressou a Portugal e assumiu a direção da Casa Internacional de Formação Espiritana no Porto, acolhendo jovens espiritanos de todo o mundo. Ali se envolveu na pastoral juvenil com os Jovens Sem Fronteiras (JSF) e apoiou a formação dos futuros padres da diocese do Porto. Antes de iniciar esta nova tarefa, fez ainda um curso de Formação de Formadores em Roma.

De 2012 a 2018, foi o Primeiro Assistente Provincial, coordenador da formação espiritana. Em 2018, foi eleito Superior Provincial da Província de Portugal, cargo que ocupou até 2024. Durante o tempo que viveu em Portugal, participou em dois Capítulos Gerais da Congregação (2012 e 2021, ambos na Tanzânia), foi Moderador do Conselho Geral Alargado em Roma (2016) e vice-presidente da Conferência dos Religiosos de Portugal (CIRP), participando com os bispos nas Assembleias Plenárias da CEP.

“Conhecido pela sua profunda espiritualidade e vida de oração, o padre Pedro dedicou-se de alma e coração aos Confrades, a todos os Dinamismos (Leigos Associados, Fraternidades, Voluntariado), Movimentos (LIAM, JSF, MOMIP, ASES), e Instituições (CEPAC, Anima Una, Sol Sem Fronteiras) da grande e plural Família Espiritana”, destaca o artigo no sítio da Congregação do Espírito Santo.

Para o padre Tony Neves, também ele espiritano e amigo de Pedro Fernandes há quase 40 anos, “a escolha que o Papa faz mostra a qualidade humana, intelectual e pastoral deste grande missionário”. “E isso, obviamente, me honra muito, sobretudo por estar certo de que ele vai ser um bom pastor, totalmente dedicado ao povo que agora lhe é confiado como bispo”, escreve aquele que o antecedeu como Provincial dos Espiritanos, num depoimento enviado ao 7MARGENS, que pode ser lido na íntegra abaixo.

 

Força, D. Pedro Fernandes

 

Há notícias que nos entram pelo coração adentro deixando-nos um misto de sentimentos. A nomeação do padre Pedro para bispo de Portalegre-Castelo Branco é uma delas. Falo de sentimentos mistos porque somos irmãos de Missão há quase 40 anos, amigos de peito e, por isso, a carga que lhe cai sobre os ombros faz-me tremer também a mim. Mas, por outro lado, a escolha que o Papa faz mostra a qualidade humana, intelectual e pastoral deste grande missionário Espiritano. E isso, obviamente, me honra muito, sobretudo por estar certo de que ele vai ser um bom Pastor, totalmente dedicado ao povo que agora lhe é confiado como Bispo.

O Pedro tem um percurso humano e cristão muito interessante. Filho único, nasce numa família já muito ligada aos Espiritanos através do Renovamento Carismático e da LIAM. Já estudava Filosofia na Católica em Lisboa quando decide experimentar a vida religiosa e missionária, entrando na Casa de Formação dos Espiritanos. Fez o noviciado, professando em 1992. Daí para cá, toda a sua vida foi de inteira dedicação à missão. Estudou Teologia em Lisboa, realizou o estágio de diácono na Guiné-Bissau e fez o mestrado de Ciências da Religião, em Paris. Foi ordenado padre em 1996, aceitando a difícil e desafiante tarefa de ser um dos iniciadores da Missão Espiritana em Moçambique.

Tive a oportunidade de ainda o encontrar na ‘sua’ Missão de Netia, na Diocese de Nacala, uma área missionária imensa, cheia de comunidades espalhadas pela área florestal, pobre e abandonada pelas autoridades, ainda a pagar faturas de uma terrível guerra civil. Ali, juntamente com outros Espiritanos, desenvolveu uma atividade pastoral e social notável.

Padre Pedro Fernandes com padre Tony Neves. Foto Agencia Ecclesia MC

Tony Neves e Pedro Fernandes. “Somos irmãos de Missão há quase 40 anos, amigos de peito.” Foto © Agência Ecclesia / MC

Depois, liderou outro desafio enorme: construir de raiz uma nova Missão, destacada numa das áreas de Netia: Itoculo. Nesta povoação isolada, situada a alguns kms da estrada Nampula-Nacala, foi preciso construir a residência, a capela, o centro pastoral e, mais tarde, já com as Irmãs Espiritanas, avançaram para a criação (tão urgente como necessária) dos Lares para Rapazes e Meninas que vinham das aldeias do interior para frequentar a escola. E, de forma muito estruturada, lançaram-se na formação de líderes laicais, bem como nas visitas regulares às dezenas de comunidades que pertenciam à nova Paróquia de S. José. Assim abraçaram na perfeição a opção da Conferência Episcopal de Moçambique por uma ‘Igreja ministerial’.

Anos mais tarde, voltou a fazer as malas para ser, no Porto, o responsável pela casa de Formação Internacional que ali ainda funciona, com jovens vindos do mundo inteiro. E, claro, ali iniciou um trabalho pastoral muito interessante com os Jovens Sem Fronteiras e ajudou na sensibilização para a Missão dos futuros padres da diocese do Porto. Na ponte entre Moçambique e Portugal, foi a Roma fazer um curso de Formação de Formadores.

Quando eu fui eleito Superior Provincial dos Espiritanos em 2012, tornou-se o meu 1º Assistente, um daqueles braços direitos que é meia equipa, não querendo eu desvalorizar a restante equipa, toda ela fantástica. Foi o responsável pela Formação Espiritana, foi um conselheiro topo de gama, com quem sempre pude contar. Foi e é um amigo de peito, confidente de todas as horas.

Claro que ‘ganhou’ facilmente as ‘eleições’ quando eu terminei o segundo mandado, sendo Provincial dos Espiritanos de 2018 a 2024. Foram muito complicados esses anos, mas teve sempre inspiração, engenho e arte (e muita transpiração!) para animar a Família Espiritana em Portugal. Durante este período, participou comigo em dois Capítulos Gerais (2012 e 2021 – ambos na Tanzânia) e moderou o Conselho Geral Ampliado, realizado em Roma em 2016. Foi vice-Presidente da Conferência dos Religiosos de Portugal (CIRP), sentando-se com os bispos nas Assembleias Plenárias da CEP. Sempre mostrou ser um padre de profunda espiritualidade, alimentada por uma vida intensa de oração.

Findo este mandato de Superior Provincial, aceitou humildemente regressar à base (como acontece com todos os Espiritanos), sendo atualmente o administrador (dizemos ‘ecónomo’) da Comunidade Espiritana da Estrela em Lisboa, continuando a trabalhar como animador missionário. Foi lá que o surpreendeu o convite para esta nova Missão, agora Episcopal.

Recebemos aqui em Roma a notícia com tranquilidade, como mais um apelo a oferecer confrades para servir a Igreja universal. Dia 6 fora publicada a nomeação do padre Frédéric Rossignol, Espiritano belga, também para o ministério Episcopal. Outros serão nomeados, juntando-se à ‘nossa’ trintena de bispos espalhados pelo mundo. A Missão Espiritana é servir e, por isso, aceitamos sempre com humildade ‘perder’ confrades para que a Igreja ‘ganhe’ pastores.

Rezo agora pelo D. Pedro para que cumpra a Missão que Deus, pela Igreja, lhe confia. E que nunca lhe falte a inspiração do Espírito e a proteção da Mãe.

Tony Neves, em Roma

 

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