
O conflito armado no Burkina Faso tem vindo a tornar-se cada vez mais brutal. Foto © Bumblee-Dee.
Um jovem missionário zambiano foi morto a tiro em Ouagadougou, capital do Burkina Faso, por militares que, alegadamente, tentavam impedir algumas pessoas de ultrapassar uma zona de segurança. O padre viajava num veículo que passava na ocasião pelo local e terá sido alvejado, desconhecendo-se ainda pormenores do que terá acontecido, avançou a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) esta segunda-feira, 3 de abril.
Moses Sense Simukonde, 34 anos, nasceu em Monze, na Zâmbia, e era missionário há seis anos, tendo estado antes ao serviço da Igreja no Níger. Atualmente trabalhava na casa de acolhimento dos Padres Brancos, como também são conhecidos os Missionários de África, em Ouagadougou.
Este é o segundo elemento da Igreja que perde a vida de forma violenta neste país de África desde o início do ano, assinala a Fundação AIS. Logo no dia 2 de Janeiro, o padre Jacques Yaro Zerbo, de 67 anos de idade, foi assassinado às mãos de homens armados em Soro, na região noroeste do país.
Desde 2015, o Burkina Faso atravessa uma fase de grave instabilidade política devido à violência de grupos jihadistas presentes em diversas áreas. A insurgência, refere a ACI Prensa, já causou pelo menos dez mil mortos e cerca de dois milhões de deslocados.
Segundo dados das Nações Unidas, citados pelo Vatican News, o número de crianças mortas, nos primeiros nove meses de 2022, triplicou em comparação ao mesmo período de 2021. A maioria das crianças foi vítima de tiroteios durante os ataques às suas aldeias, ou de explosivos improvisados ou resíduos de explosivos bélicos.
O conflito armado no país tem vindo a tornar-se cada vez mais brutal. Alguns grupos armados, que atuam nas grandes áreas do Mali, Burkina Faso e, sobretudo, do Níger, utilizam táticas como o bloqueio de cidades e aldeias e sabotagem do abastecimento de água. Segundo dados recentes, mais de 20 mil pessoas, na área de fronteira entre Burkina Faso, Mali e Níger, atingirão, até junho de 2023, um nível “catastrófico” de insegurança alimentar.
No passado dia 30 de março, foi declarado estado de emergência em oito regiões do país, que correspondem a quase metade do território nacional.










