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Padre Pier Luigi Maccalli

Missionário raptado por jihadistas veio a Fátima agradecer libertação

| 05/08/2021

O sacerdote Pier Luigi Maccalli esteve 2 anos em cativeiro até ser libertado em outubro de 2020. Foto Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

 

Depois de quase dois anos nas mãos de um grupo jihadista na região do Sahel, em África, o padre Pier Luigi Maccali esteve em Fátima, no domingo, 1, para agradecer a Maria a sua libertação do cativeiro, em outubro passado.

Este missionário da Sociedade das Missões Africanas contou, numa entrevista à organização Ajuda à Igreja que Sofe (AIS), momentos e aspetos mais salientes da dura experiência vivida.

O mais difícil terá sido, diz ele, quando foi algemado e transportado de mota através de todo o Burqina Fasso. Nesse dia ficou numa caverna ele e os seus captores, em situação muito desconfortável, que o levou a gritar, as palavras de Jesus na Cruz: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste.”
Prosseguiu o relato:

“Creio que [os raptores] estavam organizados porque quem me raptou eram jovens fulani, de perto do Burquina Fasso. (…) Quando lhes perguntei para onde me levavam, disseram: “Para os árabes.” Os árabes são uma população que vive no Mali. De facto, depois desta viagem fui entregue a estes árabes que me levaram de automóvel até ao deserto do Sara. Um ano depois, estes levaram-me para outra zona onde estão os tuaregues. No primeiro vídeo que fizeram, no dia 28 de Outubro, obrigaram-me a dizer que o primeiro grupo que me tinha raptado era o grupo de apoio ao Islão e aos Muçulmanos. Este grupo dirige diversas associações que estão ligadas à Al-Qaeda.”

Porque foi raptado? Vezes sem conta se colocou essa pergunta e não encontrou resposta que pudesse decorrer do comportamento que sempre teve na missão de Bomoanga (diocese de Niamey, República do Níger), em que trabalhava. As condições era convidativas, porque “a missão de Bomoanga é uma missão isolada, onde é fácil raptar alguém e desaparecer na selva. Não há polícia, ninguém está de guarda à missão”. Mas o facto de ser branco, mais do que missionário, deve ter pesado: “Simplesmente viram um indivíduo branco e, para eles, isso era já um emblema do Ocidente.”

Agora que está livre, não se cansa de lembrar o caso da Irmã Gloria Narvaez Argoti, uma religiosa colombiana que foi igualmente raptada por jihadistas em Karangasso, no Mali, em 2017, e que está em cativeiro há mais de quatro anos, pedindo as orações de todos para que ela possa rapidamente ser libertada.

A médica francesa Sophie Pètronin, que foi libertada no mesmo dia que Macalli, esteve no cativeiro com aquela religiosa e falou-lhe como ela tem uma saúde periclitante e está presa há quatro anos. “Creio que necessita de muitas orações”, alerta.

 

 

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