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Batistério da Igreja Nossa Senhora de Fátima
[Batistério da Igreja Nossa Senhora de Fátima (1938), Lisboa © Fotografia: Joaquim Félix]

[Ensaio]

Mistagogia: por uma teologia poética na iniciação cristã (II)

| 30/05/2026

Da autoria do padre Joaquim Félix, o 7MARGENS publica hoje a segunda parte do Prefácio em jeito de ensaio ao livro “Mistagogia em tempos de secularização. A experiência mistagógica do século IV e o caminho de fé para a evangelização na contemporaneidade”, do diácono António Raimundo do Patriarcado de Lisboa. O livro, do Secretariado Nacional da Liturgia, acabou de sair e será apresentado na Feira do Livro de Lisboa.

 

Da tipologia à dimensão poética da mistagogia

No segundo capítulo, dedicado ao tempo áureo da mistagogia, que ocorre sobretudo no século IV, António Raimundo aprofunda, numa vertente mais histórica, o contexto de origem deste género de teologia da liturgia, focando-se nas catequeses mistagógicas de três Padres da Igreja: Ambrósio de Milão, Cirilo de Jerusalém e Agostinho de Hipona. Os conhecimentos auferidos nesta indagação revelaram-se pertinentes para ele salientar, no terceiro capítulo, a importância da mistagogia na evangelização, tendo em conta as circunstâncias em que ela se pratica no tempo presente. Será que uma pastoral mais mistagógica proporcionará uma melhor iniciação e maturação da vivência eclesial do evangelho de Jesus, perante os desafios colocados pela secularização, o pluralismo, a indiferença e as novas religiosidades? Porventura com um dinamismo mais poético ― já veremos o que por isto se possa entender ― a mistagogia poderá constituir-se como um modelo ― a revisitar, mas com adaptações ―, de evangelização? Poderemos alargar os horizontes da mistagogia a partir da passagem do contexto litúrgico e para-litúrgico, no qual esta teologia se produzia, a outros setores da pastoral?

Batistério Neoniano (final do séc. IV, decorado com mosaicos entre 451 e 475), Ravenna

[Batistério Neoniano (final do séc. IV, decorado com mosaicos entre 451 e 475), Ravenna © Fotografia: Joaquim Félix]

Tomando-as por perguntas abertas, cujas respostas implicam o discernimento e a avaliação de experiências bem preparadas e cuidadosamente acompanhadas, poderia continuar a formular outras. Seria um assumido exercício de maiêutica, sob certos aspetos, mistagógica. Longe de comprometerem uma inquirição mais minuciosa, penso que, sem as sobrestimar, elas serão amplas e envolvedoras para introduzir os pontos que a seguir desdobrarei, também eles geradores de perguntas outras.

Batistério na Igreja de S. Félix e Sta. Régula

[Batistério na Igreja de S. Félix e Sta. Régula (1951), Zurique, Suíça © Fotografia: Joaquim Félix]

 

Sagrada Escritura: tipologia bíblica, alegorismo e morte da mistagogia

O uso dos textos da Sagrada Escritura é comum na teologia patrística. É capital na sua argumentação teológica. Não apresentando dificuldades maiores quanto aos textos do Novo Testamento, não se pode dizer o mesmo do Antigo Testamento. Na exegese bíblica, para aceder à compreensão do mistério, sobretudo na relação entre as profecias e figuras veterotestamentárias, na sua correspondência com os eventos do Novo Testamento, a escola de Alexandria (mais alegorizante) e a de Antioquia (mais literalista) recorrem à tipologia. É um método de correspondência figura-realidade, que encontrámos já aplicado em certos livros bíblicos, nomeadamente na carta aos Hebreus, nas epístolas paulinas e nos evangelhos, em especial no de S. João. Como método, a tipologia não é só aplicada na exegese bíblica, mas também na mistagogia litúrgica. Comentando o simbolismo dos ritos batismais, Jean Daniélou acentua a importância do uso da tipologia na mistagogia: «a aplicação deste método à Escritura chama-se exegese espiritual; aplicado à liturgia chama-se mistagogia» (Daniélou 1945,17).

Batistério de Parma

[Batistério de Parma (1196-1216), Itália © Fotografia: Joaquim Félix]

Para clarificar a diferença entre tipologia e alegoria, na tentativa de melhor entender a distinção entre eventos e textos, Enrico Mazza observa o seguinte: «a alegoria ocupa-se do significado de um texto, enquanto a tipologia respeita à concretização de um evento de salvação» (Mazza 1996,26). Segundo ele, esta distinção é fundamental para evitar os graves problemas de interpretação alegórica dos textos bíblicos. O recurso à tipologia poderá evitar tais problemas, tanto no campo da exegese bíblica, como na compressão dos eventos litúrgicos. Embora de forma mais extensa, René Bonert, que partilha o pensamento de Jean Daniélou, apresenta assim esta diferença: «A tipologia bíblica e litúrgica explica as Escrituras ou comenta os ritos com base na correspondência objetiva que existe entre as diferentes fases da história da salvação. A tipologia pode ser profética e anunciar o futuro escatológico, ou comemorativa e mostrar o cumprimento do passado. A alegoria, pelo contrário, interpela as Escrituras e a liturgia sem ter em conta as reais relações que existem entre as sucessivas etapas da economia divina. A tipologia goza de um fundamento histórico objetivo. A alegoria, fazendo abstração da analogia entre as diferentes fases do mesmo plano divino, constitui uma inovação arbitrária. (…) Na exegese espiritual e na mistagogia, o que tributário da tipologia permanece sempre válido; o que pertence à alegoria é caduco» (Bornet 1966,44-45).

[Batistério da Igreja de S. Pedro (1962 e 1966), Klippan, Suécia © Fotografia: Joaquim Félix]

Porque é decisiva esta clarificação? Porque, não sendo sempre fácil distinguir uma da outra, a tipologia e a alegoria, poderia dar-se o caso de, com boas intenções, cair-se no alegorismo, ou em algo mais caduco ainda, quanto ao nível das explicações, catequéticas ou de outra natureza pastoral. Tendo em conta a vitória da alegoria sobre a tipologia, da qual o Liber officialis de Amalário de Metz (cf. Hanssens 1948) é estandarte por excelência, quanto à explicação da missa, Enrico Mazza responde a uma pergunta que nos coloca a pensar, desde já com avisado sentido de discernimento a cuidar, nas sugestões mistagógico-pastorais adiantadas por António Raimundo no capítulo III: «Se nos interrogarmos sobre a razão pela qual a catequese e o comentário mistagógico praticamente desapareceram na hodierna Igreja romana, devemos reconhecer que a causa reside no papel excessivo que a alegoria desempenhou nos tratados medievais e nos livros de piedade que, na época moderna, por eles foram inspirados. Historicamente, a alegoria foi a morte da mistagogia» (Mazza 1996,28).

[Batistério da Igreja de Notre-Dame-de-Toute-Grâce du Plateau d’Assy (1937-1946), detalhe da pia e do painel de azulejos “La Traversée de la mer Rouge” de Marc Chagall, Passy, Alta Saboia. © Fotografia: Joaquim Félix]

Tantas as mistagogias quantos os mistagogos

O método da mistagogia é o mesmo, mas as suas aplicações podem fazer-se com grande maleabilidade. Enrico Mazza apresenta-o em cinco etapas sucessivas: 1) descrição do rito, gesto, ação ou formulário litúrgico a explicar; 2) convocação de um texto bíblico com um evento de salvação realizado por Deus, apto a esclarecer os aspetos litúrgicos da etapa precedente; 3) desenvolvimento da compreensão do evento litúrgico eleito na etapa anterior, eventualmente, com a colação de outros textos bíblicos; 4) aplicação de tudo o que fez nas etapas anteriores, especialmente na ilustração do evento de salvação, ao rito litúrgico; 5) elaboração da última fase da teologia da liturgia com recurso à terminologia da sacramentalidade (cf. Mazza 1996,195-196). As etapas essenciais, porém, correspondem à segunda e à quarta: «1) A subida, ou seja, a identificação da citação bíblica que descreve o acontecimento da salvação; 2) A descida, ou seja, a aplicação à liturgia de tudo o que se encontrou a respeito do acontecimento da salvação» (Mazza 1996,197). Conhecedores deste método, nem todos os mistagogos o seguiam etapa a etapa. Sem ser defeito ou falta de rigor, nunca foi seu apanágio serem escrupulosos ou sistemáticos observantes do método. Neste capítulo, podemos dizer que eram tantas as mistagogias quantos os mistagogos.

Batistério paleocristão no Parque Arqueológica de Venosa

[Batistério paleocristão no Parque Arqueológica de Venosa (fins do séc. V, inícios do séc. VI), Itália © Fotografia: Joaquim Félix]

Justificando a sua escolha, António Raimundo fez a opção por apresentar três Padres e algumas das suas catequeses mistagógicas: Ambrósio de Milão, Cirilo de Jerusalém e Agostinho de Hipona. Poderia ter escolhido outros? Podia. E, para os estudar, teria semelhante facilidade no acesso à edição crítica das suas catequeses. A este propósito, a não ser que esteja em causa um estudo comparativo, por exemplo, convém dizer que, progressivamente, se vai estabelecendo, nos estudos teológicos e filosóficos, um modelo que privilegia a seleção de autores por cada época histórica ou de algum movimento, que possam ser estimados como os mais representativos.

Batistério na Igreja do Mosteiro de S. Romão de Neiva, Viana do Castelo

[Batistério na Igreja do Mosteiro de S. Romão de Neiva, Viana do Castelo © Fotografia: Joaquim Félix]

É particularmente significativo que António Raimundo tenha escolhido Santo Agostinho, pois não é assim tão fácil estudar a sua produção no campo da mistagogia que, como sabemos, se estende até aos inícios do século V. Ainda bem que Suzanne Poque reuniu as suas homilias pascais (cf. Poque 1966), caso contrário, devido à dispersão dos seus sermões, seria ainda mais difícil. E surpreenderá, também, que os outros dois escolhidos sejam Ambrósio de Milão e Cirilo de Jerusalém. As acentuações de um e outro são deveras assinaláveis, como sustenta Enrico Mazza: «O uso da tipologia litúrgica de Ambrósio difere bastante do de Cirilo: para o primeiro, os dois Testamentos como que se sobrepõem para dar vida a uma única perspetiva litúrgica que explica o realismo e a eficácia sacramental, mantendo, no entanto, uma certa distinção entre evento e sacramento; para o segundo, porém, os dois Testamentos permanecem bem distintos, e o sacramento não se confunde com a realidade salvífica de que é sacramento, embora se afirme claramente a sua eficácia e realismo. (…) Para Ambrósio, a tipologia bíblica é o veículo direto dos conteúdos do sacramento, enquanto para Cirilo ela permanece uma confirmação exterior da teologia do sacramento, que é constatada por via não tipológica» (Mazza 1996,194).

Batistério da Igreja de Santo António (2008-2009), Bairro dos Assentos, Portalegre

[Batistério da Igreja de Santo António (2008-2009), Bairro dos Assentos, Portalegre © Fotografia: Joaquim Félix]

Dimensão poética da mistagogia

Esta dimensão, a poética, é aqui relevada em função da mistagogia, sim, mas também tendo em vista a consideração prática das propostas que António Raimundo aponta no capítulo III. Sem ser um tema de reflexão completamente inédito, exige que a ele voltemos, para beneficiar de décadas de evolução do pensamento em relação às disputationes que afloraram sobretudo na segunda metade do século XX. Porquê? Não tendo que tomar partido pelos estudiosos, que, nesse período, entraram em debate, estou persuadido de que todos eles valorizavam aspetos e perspetivas diferentes da mistagogia compatíveis com o que se poderá entender por «dimensão poética». Tudo depende da forma e dos âmbitos da «poética». Se, numa perspetiva de sentido amplo, considerarmos que ela compreende aspetos festivos, de simplicidade plena, de alegria da verdade, de iluminação de sentidos outros que extravasam o registo das interpretações racionais, creio que poderemos concluir: a mistagogia é poética. Que fique bem claro: o mistério é, profunda e visceralmente, poético. Por isso, a maneira de o iluminar, segundo o método da mistagogia, há de ser poética. Nesse sentido, poderemos considerar a teologia litúrgica da produção mistagógica como uma forma, entre outras, de teopoética. Em todo o caso, a designação, nessa altura, não tinha dado entrada no léxico teológico.

Detalhe na pia batismal na Catedral de Cefalù (séc. XII), Sicília, Itália

[Detalhe na pia batismal na Catedral de Cefalù (séc. XII), Sicília, Itália © Fotografia: Joaquim Félix]

Quem mais aprofundou a dimensão poética da mistagogia foi Pie Duployé (cf. Duployé 1968). Justamente, como assim considero, ele sustenta que os textos mistagógicos são poéticos. Poéticos, sim, porque contêm a alacridade da verdade, inclusive no processo da sua condução, a simplicidade e a plenitude do fervor na apresentação do mistério, a onírica própria do universo da festa. Por causa desta dimensão, Pie Duployé pensava que as mistagogias não poderiam ser consideradas teologia. Evitando contradizê-lo, ainda assim, pergunto: Não poderá fazer-se teologia de forma teopoética?

Batistério exterior no Santuário de S. Pio de Pietrelcina (1991-2004), San Giovanni Rotondo, Itália

[Batistério exterior no Santuário de S. Pio de Pietrelcina (1991-2004), San Giovanni Rotondo, Itália © Fotografia: Joaquim Félix]

Sem deixar de apreciar o mérito da reflexão de Pie Duployé, cuja profundidade é reconhecida, Pierre-Marie Gy afastou-se da sua visão, na medida em que, nesse caso, a ser poética, por um lado, teria de se considerar como sendo mistagogia muita da produção hínica da Igreja, e, por outro, não se compreenderia o motivo porque certas catequeses mistagógicas ficariam de fora. Enrico Mazza revê-se nesta leitura de Pierre-Marie Gy. Permita-se, contudo, que recupere um comentário presente numa nota de rodapé ― às vezes, estas notas revelam autênticas surpresas ― feito por Enrico Mazza à investigação desenvolvida por Tommaso Frederici sobre a mistagogia, onde aprecia grande número de textos, entre eles muitos do Novo Testamento: «Destes textos é especialmente enfatizado o seu caráter poético e claramente realçado o mistério da salvação que acentua o seu fascínio: estes textos são uma verdadeira celebração da grandeza e do fascínio do evento de salvação. Pela sua natureza de comentário dos eventos da salvação, com a capacidade de exaltar o seu valor e de os tornar irresistíveis, todos estes textos são vistos como tributários do género literário da mistagogia. Deste modo, o campo dos textos mistagógicos expande-se enormemente, seja em relação à época, incluindo a do período neotestamentário, seja em termos de textos, englobando também textos que não concernem aos ritos de iniciação cristã» (Mazza 1996,12).

Batistério de Pisa (séc. XII), Itália

[Batistério de Pisa (séc. XII), Itália © Fotografia: Joaquim Félix]

Considerações finais

Sem descontextualizar, poderemos colher benefícios do comentário de Enrico Mazza para enquadrar muitas das propostas ― nomeadamente nas áreas da catequese de adultos, da lectio divina e da formação ao longo do catecumenado e após a celebração dos sacramentos da iniciação cristã ― feitas na obra de António Raimundo. Lendo-a e discernindo os sinais e as circunstâncias do tempo, ficaremos mais esclarecidos quanto à urgência de uma pastoral mistagógica na contemporaneidade. Mistagogia que não se poderá fazer na revivescência, nostálgica e plagiada, das catequeses mistagógicas do século IV, mas com a produção de outros artefactos teológicos que beneficiem do seu conhecimento enquanto método praticado, com ordem e maleabilidade, num contexto completamente diferente do atual.

Batistério da Igreja de Santa Maria Assunta (1977 e 1978), Riola di Vergato, Itália

[Batistério da Igreja de Santa Maria Assunta (1977 e 1978), Riola di Vergato, Itália © Fotografia: Joaquim Félix]

Para adequar as modalidades da teologia mistagógica, no presente contexto de secularização, será importante aprofundar a leitura dos «sinais dos tempos», à luz das chaves hermenêuticas desenvolvidas pelos autores colacionados por António Raimundo, e por outros, entre os quais poderíamos acrescentar, pela sua atualidade e pertinência, José Frazão Correia (Frazão Correia 2025) e Tiago Freitas (Freitas 2025a e b). Além disso, tendo presente os modelos de catequese apresentados, a humildade aconselhará a reconhecer que as experiências da sua implementação, acompanhamento e avaliação supõem constantes adaptações. Estou em crer que até Vasco Gonçalves (Cruz Gonçalves 2011), na sequência da aplicação da catequese de adultos nas paróquias onde serve, terá pensado em reajustes. O que não poderá faltar, conforme salienta António Raimundo, é «a opção preferencial pela mistagogia em saída», em sintonia com a visão do Papa Francisco, aplicada tanto à nova evangelização quanto à vivência da liturgia.

Batistério no fundo da Igreja da Nazaré (2002), Funchal

[Batistério no fundo da Igreja da Nazaré (2002), Funchal © Fotografia: Joaquim Félix]

A mistagogia não é uma panaceia. Produzida, porém, como forma de teologia de acentuado pendor poético, poderá acentuar o fascínio pelo mistério da salvação, na sua celebração como evento tornado irresistível. Combinadas a teologia e a poética, numa abordagem interdisciplinar, com uma estética a ser cuidada através das metáforas vivas e da imaginação profética, mesmo que a produção de sentido seja paradoxal, haveremos de ser mais mistagógicos, construtores de pontes entre a fé e o mundo. António Raimundo deixa bem claro, desde a Introdução, este contributo da mistagogia: «A mistagogia, enquanto introdução progressiva e existencial no mistério cristão, oferece uma resposta pastoral profunda e eficaz, capaz de renovar a vida sacramental, promover o discipulado e tornar a proposta cristã mais acessível e significativa para o Homem contemporâneo.

Batistério paleocristão da igreja de Santa Maria Maggiore (segunda metade do séc. VI), Nocera Superiore, Itália

[Batistério paleocristão da igreja de Santa Maria Maggiore (segunda metade do séc. VI), Nocera Superiore, Itália © Fotografia: Joaquim Félix]

Referências

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Joaquim Félix é padre católico, vice-reitor do Seminário Conciliar de Braga e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa; autor de vários livros, entre os quais Pentateuco das Passagens.

 

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