Bispo de Tete, Diamantino Antunes

“Moçambique ainda cheira a sangue”

| 26 Mai 2024

Diamantino Antunes durante a entrevista: “Gostaria que já estivesse definitivamente enterrado machado de guerra em Moçambique.” Foto: Direotos reservados. 

Diamantino Antunes durante a entrevista: “Gostaria que já estivesse definitivamente enterrado machado de guerra em Moçambique.” Foto: Direitos reservados.

“Quisemos já exorcizar” os fantasmas da guerra, diz Diamantino Guapo Antunes, bispo português de Tete, no norte de Moçambique, em entrevista à TSF. Mas “Moçambique ainda cheira a sangue”. 

Referindo-se aos massacres de Wiriyamu e de Mucumbura que ocorreram durante a Guerra Colonial, há mais de meio século, no território daquela que é hoje a sua diocese, este responsável católico recorda: “Eu próprio, quando aqui cheguei, tive medo. Gostaria que já estivesse definitivamente enterrado machado de guerra em Moçambique.” Mas isso não aconteceu, como se tem visto com os ataques terroristas em Cabo Delgado, diz. 

Questionado sobre a polémica da restituição de bens culturais às antigas colónias portuguesas, o bispo missionário concorda com essa política, conquanto que essas obras sejam bem conservadas: “Temos de ser realistas, Moçambique pode não ter condições para receber essas obras de arte.”

Diamantino Antunes, livro Martírio e Liberdade – Mártires de Chapotera

Diamantino Antunes apresenta, nesta entrevista, o livro Martírio e Liberdade – Mártires de Chapotera, que acaba de ser editado. Trata-se da memória de dois missionários jesuítas assassinados, em 30 de Outubro de 1985, durante a guerra civil: João de Deus Kamtedza, de 66 anos, o primeiro jesuíta moçambicano, e Sílvio Alves Moreira, de 56 anos, natural de Rio Meão, Santa Maria da Feira.

Nesse ano horribilis na guerra civil em Moçambique, as duas mortes, ocorridas em Chapotera, diocese de Tete, revelaram quão cruento era o conflito entre a Frelimo e a Renamo.

Os dois jesuítas foram barbaramente torturados e mortos com arma branca. Os processos de canonização dos dois mártires já foram introduzidos no Vaticano. 

Diamantino Guapo Antunes nasceu em 1966, em Albergaria dos Doze (Pombal). Frequentou os seminários do Instituto das Missões da Consolata, onde foi ordenado padre em 1994. Fez doutoramento em Teologia Dogmática na Universidade Gregoriana, em Roma. Trabalhou já nas dioceses de Lichinga e de Inhambane. Em 2019 foi nomeado bispo de Tete, onde tenta seguir a há muitos anos, a metodologia do Papa Francisco, que quer uma igreja “sinodal”, “samaritana” e “ecuménica”, aberta a todos.

A diocese de Tete tem 3 milhões de habitantes, dos quais 750 mil são católicos. O seu território é maior que o território português continental e insular. Dispõe de 40 missões e 1.150 comunidades, com pequenas capelas, assistidas por 70 padres. O bispo português diz que não há crise de vocações religiosas no continente africano. Em Moçambique, as igrejas e os seminários estão cheios de jovens.

Na entrevista, Diamantino Antunes recorda ainda com emoção os bispos portugueses da antiga colónia, destacando como “profetas inovadores” Sebastião Soares de Resende, bispo da Beira e Manuel Vieira Pinto, arcebispo de Nampula.

A entrevista pode ser ouvida na íntegra neste endereço: https://www.tsf.pt/5757747456/mocambique-ainda-cheira-a-sangue-bispo-portugues-em-tete-quis-exorcizar-os-fantasmas-dos-massacres/

Uma tarde para aprender a “estar neste mundo como num grande templo”

Na Casa de Oração Santa Rafaela Maria

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Estamos neste mundo, não há dúvida. Mas como nos relacionamos com ele? E qual o nosso papel nele? “Estou neste mundo como num grande templo”, disse Santa Rafaela Maria, fundadora das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, em 1905. A frase continua a inspirar as religiosas da congregação e, neste ano em que assinalam o centenário da sua morte, “a mensagem não podia ser mais atual”, garante a irmã Irene Guia ao 7MARGENS. Por isso, foi escolhida para servir de mote a uma tarde de reflexão para a qual todos estão convidados. Será este sábado, às 15 horas, na Casa de Oração Santa Rafaela Maria, em Palmela, e as inscrições ainda estão abertas.

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Patriarca de Lisboa convida “todos” para “momento raro” na Igreja

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O patriarca de Lisboa, Rui Valério, escreveu uma carta a convocar “todos – sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e fiéis leigos” da diocese para estarem presentes naquele que será o “momento raro da ordenação episcopal de dois presbíteros”. A ordenação dos novos bispos auxiliares de Lisboa, Nuno Isidro e Alexandre Palma, está marcada para o próximo dia 21 de julho, às 16 horas, na Igreja de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos).

O exemplo de Maria João Sande Lemos

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Se há exemplo de ativismo religioso e cívico enquanto impulso permanente em prol da solidariedade, da dignidade humana e das boas causas é o de Maria João Sande Lemos (1938-2024), que há pouco nos deixou. Conheci-a, por razões familiares, antes de nos encontrarmos no então PPD, sempre com o mesmo espírito de entrega total. [Texto de Guilherme d’Oliveira Martins]

“Sempre pensei envelhecer como queria viver”

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O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo nono depoimento do total de vinte e cinco. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

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