Moçambique: sobe o número de mortos, mobiliza-se a solidariedade

As inundações na cidade da Beira. Foto © Programa Alimentar Mundial- WFP/Photolibrary
Na noite de quarta-feira, o número de mortos em Moçambique, Zimbabwe e Malawi, vítimas do ciclone Idai, ultrapassava já os 300. O número, que cresce todos os dias, foi dado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que alertou ainda para o número de 350 mil “em situação de risco” ao decretar o estado de emergência nacional.
A cidade da Beira é a mais afetada, como dá conta a Cruz Vermelha Internacional, que indicou que pelo menos 400.000 pessoas estão desalojadas naquela área (a cidade tinha pouco mais de meio milhão de habitantes). O país cumpre desde esta quarta-feira três dias de luto nacional, até sexta, 22.
A ajuda a Moçambique tem chegado de toda a parte: na terça-feira, saiu de Portugal uma missão de reconhecimento no âmbito de um grupo interministerial criado pelo Governo português. Na noite de quarta, um corpo de intervenção rápida das Forças Armadas seguiu também para a Beira.
Do Banco Mundial chegará um financiamento de 90 milhões de dólares, aprovado na terça-feira no âmbito do programa de gestão de acidentes e riscos, e destinado a melhorar a eficácia da proteção e ajuda às pessoas perante desastres naturais. O Fundo de Gestão de Desastres permitirá o fortalecimento da prontidão do país para responder a catástrofes e criação de resistência às questões climáticas e reforço e modernização das vulneráveis infraestruturas de educação.
Muitos bens alimentares começaram a chegar no domingo e continuarão a chegar, segundo a representante do Programa Alimentar Mundial em Moçambique, Karin Manente: depois de um primeiro voo com 22 toneladas de alimentos que chegou no domingo, estava previsto um outro com mais 40 toneladas.
De Portugal, há outros apoios já anunciados: a Ordem dos Médicos, em parceria com a Câmara Municipal do Porto, o Instituto Camões e a Direcção-Geral da Saúde, apoiará com ajuda médica e medicamentosa. Ao mesmo tempo, pretende recrutar vários médicos que aceitem ir para Moçambique durante um mês.
A Câmara Municipal de Lisboa também anunciou que vai conceder um apoio no valor de 150 mil euros a Moçambique, “havendo igualmente disponibilidade imediata de envio de equipas multidisciplinares de técnicos para apoio a necessidades básicas no terreno”. Também a diocese de Braga doará 25 mil euros e a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre destinará, para já, outros 30 mil euros para ajudas, através das comunidades cristãs, sobretudo para necessidades imediatas: toldos, equipamentos básicos para habitação (como pratos, copos, baldes, etc.), alimentos e logística para deslocações. Outras organizações como a Cáritas já tinham anunciado outras ajudas, e também na quarta-feira o Papa apelou a que a comunidade internacional apoie de forma clara as vítimas da tempestade.
O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na quinta-feira à noite, 14 de março, deixando os cerca de 500 mil residentes na segunda maior cidade do país sem energia nem comunicações.
A tempestade atingiu também o Zimbabwe (onde se contabilizam pelo menos 100 mortos, 200 feridos e 200 desaparecidos) e o Malawi, onde se contam até à data 112 mortos.
Nesta quarta-feira, 20, as Nações Unidas, que já consideraram este desastre como a maior tragédia de sempre no hemisfério sul, fizeram saber que necessitam de mais apoio monetário dos estados-membros, mesmo se não se consegue para já contabilizar os estragos materiais da catástrofe: “Deixámos claro que a quantidade de dinheiro que temos em mãos agora é insuficiente para ir ao encontro das necessidades no terreno, por isso vamos voltar a dirigir-nos ao Estados-membros para pedir mais ajuda”, disse Farhan Haq, porta-voz do secretário-geral, em conferência de imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque.
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