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Narendra Modi. Índia

Índia

Modi: dois terços dos seus discursos de campanha com conteúdo islamofóbico

| 14/08/2024

Foto: O primeiro ministro Narendra Modi cumprimenta as pessoas em Varanasi.© Gabinete do Primeiro-ministro, Governo da Índia. / Wikimedia Commons

 

Em pelo menos 110 discursos dos 173 discursos que o atual primeiro-ministro indiano Narendra Modi pronunciou durante a última campanha eleitoral, Modi fez comentários islamofóbicos destinados a minar a oposição política e a fomentar o medo entre a comunidade maioritariamente hindu através da desinformação, conclui um relatório da Human Rights Watch divulgado dia 14 de agosto.

A organização analisou todos os 173 discursos pronunciados após a entrada em vigor do código de conduta eleitoral [16 de março de 2024] pelo líder do partido Bharatiya Janata (BJP) enquanto candidato a primeiro-ministro durante a campanha eleitoral terminada no final de abril deste ano. O BJP foi o partido mais votado, mas ficou longe da maioria absoluta que havia conquistado nas duas últimas eleições, tendo Modi sido obrigado a constituir um Governo de coligação para este seu terceiro mandato.

O código de conduta eleitoral proíbe, entre outros aspetos “apelar aos sentimentos identitários para garantir votos”. Contudo, Elaine Pearson, diretora para a Ásia da Human Rights Watch, afirmou durante a apresentação do referido relatório que: “O primeiro-ministro indiano Modi e os líderes do BJP fizeram afirmações descaradamente falsas nos seus discursos de campanha contra os muçulmanos e outros grupos minoritários. Estes discursos inflamados, no meio de uma década de ataques e de discriminação contra minorias sob a administração Modi, normalizaram ainda mais os abusos contra muçulmanos, cristãos e outros.”

Modi rejeitou sempre as alegações de preconceito antimuçulmano. Em entrevistas com jornalistas, citadas pela Human Rights Watch, ele disse sobre o seu partido: “Não somos contra os muçulmanos. Esse não é o nosso assunto.” Quando questionado diretamente sobre os discursos antimuçulmanos durante a campanha respondeu: “No dia em que eu começar a falar sobre [a oposição] hindu-muçulmano [na política], estarei inapto para a vida pública. (…) Esta é a minha decisão.” No entanto, durante a campanha, refere a Human Rights Watch, Modi levantou “regularmente receios entre os hindus através de falsas alegações de que a sua fé, os seus locais de culto, a sua riqueza, as suas terras e a segurança das raparigas e mulheres da sua comunidade estariam sob ameaça dos muçulmanos se os partidos da oposição chegassem ao poder.”

Desde que o governo do BJP de Modi tomou posse pela primeira vez em 2014 – relata a Human Rights Watch  –, “as suas políticas discriminatórias e os discursos antimuçulmanos dos líderes do BJP incitaram a violência nacionalista hindu. As autoridades não tomaram medidas adequadas contra os responsáveis de atos violentos, promovendo uma cultura de impunidade que alimentou novos abusos. Ao mesmo tempo, as autoridades agiram frequentemente contra as vítimas da violência e procuraram perseguir os críticos do Governo através de processos judiciais motivados politicamente”.

Os ataques contra a minoria cristã têm sido frequentemente noticiados, levando inclusive líderes cristãos americanos a escreverem ao Departamento de Estado dos EUA instando a que a Índia seja colocada na lista de “países de particular preocupação” no âmbito dos piores violadores da liberdade religiosa do mundo, [ver 7MARGENS], mas este é o primeiro relatório que põe em evidência, discurso a discurso, a campanha antimuçulmana levada a cabo diretamente pelo próprio Narendra Modi

A perseguição continuada de cristãos, com destruição de igrejas, lugares de culto e de centros sociais, espancamentos e assassinatos levou os bispos católicos a solicitaram um encontro com o primeiro-ministro em meados de julho, logo no início do seu terceiro mandato, para lhe entregarem um memorando sobre a situação [ver 7MARGENS].

 

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