Ana Maria Jorge, a primeira mulher e a primeira leiga a dirigir a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (FT/UCP), morreu nesta segunda-feira, 2 de Dezembro, sete anos depois de ter sido escolhida para aquele cargo, em Novembro de 2018, exercendo-o até ao início deste ano. Foi ela que substituiu José Tolentino Mendonça, que meses antes tinha sido nomeado bispo e chamado pelo Papa Francisco para a direcção do Arquivo e Biblioteca do Vaticano.
O Patriarcado de Lisboa reagiu “com profunda consternação”, a Faculdade de Teologia com “profunda tristeza” à notícia. “A sua partida deixa um vazio sentido na nossa comunidade académica e eclesial, em todos quantos com ela estudaram, trabalharam e caminharam ao serviço da missão universitária da Igreja”, diz o comunicado da FT, a propósito da morte da ex-directora.
“Figura de referência na vida académica da Universidade Católica Portuguesa”, diz o comunicado do Patriarcado, que acrescenta, sobre o perfil de Ana Maria Jorge: “Auxiliar do Apostolado, foi um testemunho eloquente do compromisso laical com a vida e missão da Igreja” Católica.
Nascida em Julho de 1962 no Vimeiro (Lourinhã), Ana Maria Jorge licenciou-se em História. Doutorou-se depois em 1998 em Ciências Históricas pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Católica de Lovaina, com uma tese sobre “O episcopado da Lusitânia durante a Antiguidade Tardia”.
Professora nas áreas de História da Igreja e História do Cristianismo, foi vice-directora da Faculdade de Teologia durante o mandato do actual cardeal Tolentino. Antes, foi vogal (1995-2001), directora-adjunta (2001-06) e directora (2007-2010) do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR). Nesta instituição, de acordo com o comunicado do Centro, participou e coordenou diversos projectos, entre os quais a História Religiosa de Portugal e o respectivo Dicionário. Dirigiu também o mestrado de Estudos da Religião e a revista Lusitania Sacra.
Pessoa de grande afabilidade, os mais próximos destacam o seu sentido de rectidão, a sensibilidade pessoal que demonstrava, a boa disposição e o sentido de entrega às missões a que se dedicava. Factores sublinhados também pelo Patriarcado, que fala do “pensamento rigoroso”, da “capacidade de diálogo” e de um “habitual espírito de comunhão” que “deixam marca profunda em todos os que com ela conviveram”. Bem como a “sua alegria cristã, serena e contagiante, [que] marcava o quotidiano das relações académicas e pessoais, criando um ambiente de proximidade e confiança”.
No comunicado divulgado, o Patriarcado destaca ainda as “décadas” dedicadas “ao estudo, à docência e ao serviço à Igreja, exercendo com notável competência e sentido de missão” o cargo de directora da Faculdade entre 2018 e 2025.
No seu mandato na FT, acrescenta a mesma nota de pesar, Ana Maria Jorge “dinamizou reformas significativas e contribuiu para projetar a Teologia no debate público, com a convicção de que a fé ilumina a compreensão do mundo e abre horizontes de sentido para a sociedade contemporânea”. Além disso, em tempos “de maior exigência ou incerteza, a sua capacidade de escutar, de discernir com serenidade e de apoiar com firmeza fazia dela uma presença que gerava esperança, abrindo caminhos e motivando todos a dar o melhor de si, docentes, estudantes e pessoal não docente”.
A ex-directora da FT integrou também a Sociedade Científica da UCP, a Sociedade de Estudos Medievais e a Academia Portuguesa da História.
A nota do CEHR refere ainda a gratidão pela vida de “entrega e de serviço aos outros” que Ana Maria Jorge manifestava, “através da sua presença amiga e trabalho académico”. Conclui a nota de pesar: “Dela colhemos um testemunho de generosidade, de empenho, seriedade e de alegria de viver, na procura do bem comum.”










