Thich Nhat Hanh

Morreu o mestre budista da paz e da consciência atenta

| 23 Jan 2022

Thich Nhat Hanh, mestre budista, celebrava 95 anos de vida. Foto © Duc

 

Era considerado um dos nomes do budismo mais influentes internacionalmente: Thich Nhat Hanh “morreu pacificamente” este sábado, 22 de janeiro, aos 95 anos, segundo anúncio feito pela comunidade a que pertencia.

Considerado um dos maiores mestres do budismo, este monge tinha regressado ao seu país natal há cerca de três anos, depois de quase 40 de exílio em França e encontrava-se no templo Tu Hieu, considerado o centro do budismo vietnamita, na cidade de Hue, onde faleceu.

O seu exílio foi a consequência da luta pacífica que travou para exigir o fim da guerra do Vietname. Em 1966, foi recebido em audiência pelo Papa Paulo VI, para o sensibilizar para a paz no seu país. E Martin Luther King, que Nhat Hanh apoiou, chegou a propor, no ano seguinte, o seu nome para Nobel da Paz.

Contudo, a sua forma de viver a religião de forma ativa começou ainda nos anos 50 do século passado. Durante esses anos, escreve este domingo, 23, The Washington Post, “ele desenvolveu o conceito de ‘budismo comprometido’, no qual os ensinamentos da sua fé poderiam ser usados ​​para promover práticas humanísticas na educação, saúde e política”. “As suas ideias não eram populares entre os monges budistas tradicionais, que normalmente se mantinham fora da vida pública e praticavam a sua fé em mosteiros”, observa aquele diário.

Na guerra, ele e os monges que o seguiram, assim como uma organização juvenil de caráter social e cívico que criou, ajudaram as populações, sem terem aderido a qualquer dos lados em luta. Um dia, tiveram de remar por um rio acima com atiradores de ambos os lados.

“Quando as bombas começam a cair sobre as pessoas, tu não podes ficar no espaço da meditação o tempo todo”, disse ele ao Los Angeles Times em 2010. “Meditação é sobre a consciência do que está a acontecer, não apenas com o teu corpo e sentimentos, mas também ao teu redor.”

A União Budista Portuguesa (UBP) evocou, em comunicado enviado ao 7 MARGENS, a morte de Thich Nhat Hanh, manifestando “reconhecimento pela vida deste Mestre”. A UBP partilhou também uma mensagem da comunidade de Plum Village, que o monge fundou e onde viveu, na qual se sublinha: “Quer o tenhamos encontrado em retiros, em conversas públicas, ou através dos seus livros e ensinamentos online – ou simplesmente através da história da sua incrível vida – podemos ver que Thay (Thich Nhat Hanh) tem sido um verdadeiro bodhisatva, uma imensa força de paz e cura no mundo.”

Dominando vários idiomas, Nhat Hanh orientou retiros e workshops em vários países ocidentais, trabalhando de forma aprofundada o conceito de mindfulness (característica e qualidade de quem está completamente atento aos, e focado nos, seus pensamentos, atos e ambientes, em cada momento). Muitas desses atividades resultaram dos (e deram origem aos) mais de cem livros que publicou. Entre estes, há vários publicados em Portugal por editoras como a Sextante, Presença, Pergaminho, Sinais de Fogo e, no Brasil, pelo menos uma dezenas de títulos na Vozes.

O caminho para atingir a mindfulness seria, segundo o monge, a respiração consciente (noutras alturas, acrescentava também a caminhada consciente).

Desde que teve um derrame, em 2014, Thich Nhat Hanh não conseguia falar e deslocava-se em cadeira de rodas.

No YouTube encontram-se vários vídeos de palestras e formações deste mestre budista.

 

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