“Não posso deixar de expressar minha dor por tanto sofrimento e reafirmar que a vida e a dignidade humanas são valores absolutos”, afirmou o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, em comentário à mortandade que resultou da operação policial contra o Comando Vermelho (CV), em alguns bairros populares do norte da capital fluminense, na última terça-feira, 28 de outubro.
Na tentativa de cumprir mandatos de busca e apreensão nos dois Complexos (do Alemão e da Penha) daquela capital e de atingir lideranças do CV, 2.500 policiais militares e civis, juntamente com membros do Ministério Público desencadearam uma aparatosa operação da qual resultaram mais de cem mortos e a prisão de mais de 80 alegados membros do Comando Vermelho.
Perante estes “trágicos acontecimentos (…) em que tantas vidas foram ceifadas”, o arcebispo Tempesta aludiu à violência e ao medo que “têm ferido o coração [daquela] cidade e tirado a paz de muitos lares” e disse fazer preces e enviar a sua “profunda solidariedade às famílias que choram a perda de seus entes queridos”.
Os discípulos de Cristo, observou o cardeal, são chamados a “ser construtores da paz, a superar o ódio, a vingança e a indiferença que corroem o tecido social”, acrescentando ser “urgente” unir forças “pela reconciliação, pelo respeito mútuo e, sobretudo, pela proteção da vida, pela promoção da justiça e pela construção de uma sociedade pacífica, que promova a dignidade de cada pessoa, especialmente dos mais pobres e vulneráveis”.
Entretanto, uma notícia citada pelo site do Instituto Humanitas da Unisinos refere uma fonte do Ministerio Público do Rio de Janeiro, segundo a qualo número de mortos da megaoperação pode ser superior a 130, ainda que, oficialmente, o governo estadual confirme 121. Tudo indica que esta terá sido a ação policial mais mortífera da história recente do Rio, superando o massacre de Carandiru, em 1992.
Em declarações na última quarta-feira, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, considerou “um sucesso” a operação policial na zona norte da capital fluminense e considerou que “de vítima, ontem, lá, só tivemos esses [quatro] policiais” que foram mortos nos confrontos.










