Alegadas críticas ao Papa

Morte de Bento XVI foi instrumentalizada por sectários, acusa Francisco

| 5 Fev 2023

Francisco de visita a Bento XVI, em agosto de 2022, quando do consistório de cardeais. Foto © Vatican Media, via Ecclesia.

Francisco de visita a Bento XVI (com o secretário deste, Georg Gänswein), em agosto de 2022, quando do consistório de cardeais. Foto © Vatican Media, via Ecclesia.

 

No regresso a Roma, depois da terminada a visita ao Sudão do Sul, o Papa Francisco foi questionado pelas alegadas críticas que Bento XVI terá dirigido a algumas das suas decisões, e — sem nomear ninguém — disse acreditar que a morte do Papa emérito, a 31 de dezembro passado, aos 95 anos, foi instrumentalizada “por pessoas sectárias [no original, em italiano, “gente di partito”] e não da Igreja”.

Numa notícia da Lusa, com origem em agências internacionais, e difundida pelo DN, Francisco afirmou mesmo que “algumas histórias que circulam, que Bento ficou amargurado por coisas que o novo Papa fez”, são como um conto de fadas. O Papa usou a expressão em italiano “storie cinesi”, “histórias chinesas”, que a agência Vatican News publicou com outra expressão idiomática, “telefone sem fios”, avariado.

Francisco aludia a Georg Gänswein, ainda que não o nomeasse, a propósito de uma entrevista em que o ex-secretário pessoal de Bento XVI assegurou que o anterior bispo de Roma não gostou do limite que Papa Francisco reintroduziu às missas no rito tridentino, anteriores ao Concílio Vaticano II, e que são celebradas em latim e de costas para os fiéis.

“Na realidade, consultei Bento [que abdicou em 2013] em relação a algumas decisões que tomei. E ele concordou”, referiu, dizendo acreditar que a morte do Papa emérito foi “instrumentalizada” por “pessoas sectárias”, que querem “levar a água ao seu moinho”, como explica a Vatican News, na tradução em inglês. O Papa considera que “aqueles que instrumentalizam uma pessoa tão boa, tão de Deus, quase um Santo Padre da Igreja, são pessoas sem ética, são pessoas sectárias, não de Igreja”.

Recorde-se que, após a morte de Ratzinger, Georg Gänswein publicou um livro e deu entrevistas onde revelou a existência de tensões entre o antigo e o atual bispo de Roma.

A bordo do avião papal, e também a responder aos jornalistas, estiveram o primaz da Igreja Anglicana, o arcebispo de Cantuária, Justin Welby, e o moderador da Igreja Presbiteriana da Escócia, Iain Greenshields, que acompanharam o Papa ao Sudão do Sul, numa “peregrinação ecuménica pela paz”. 


“A criminalização dos homossexuais é uma injustiça”

Francisco foi também questionado por declarações recentes suas, sobre a homossexualidade, e reiterou as críticas à sua criminalização. “A criminalização dos homossexuais é uma injustiça”, sublinhando, no entanto, também a doutrina da Igreja de que se trata de “um pecado”.

Questionado sobre a perseguição sofrida por homossexuais em alguns países africanos, o Papa disse: “Se uma pessoa é de tendência homossexual e crente e procura Deus, quem sou eu para o julgar?”. A “criminalização da homossexualidade é um problema que não deve deixar de ser contestado”, apontou, estimando em perto de 50 o número de países que, de uma forma ou de outra, criminalizam homossexuais. “Alguns dizem ser ainda mais [países] e, em alguns destes, cerca de dez, há mesmo a pena de morte para homossexuais. Isto não é justo”, criticou.

Reiterando o que afirmara na entrevista à agência Associated Press (AP), o Papa disse que as “pessoas com tendências homossexuais são filhas de Deus”. “Deus ama-os, Deus acompanha-os e condenar tal pessoa é um pecado.” “Criminalizar pessoas com tendências homossexuais é uma injustiça. Não estou a falar de grupos, isso é outra coisa, os lóbis são outra coisa. Estou a falar de pessoas e o catecismo da Igreja já diz que ninguém deve ser marginalizado”, completou.

 

sobre as águas

sobre as águas novidade

Breve comentário do p. António Pedro Monteiro aos textos bíblicos lidos em comunidade, no Domingo XII do Tempo Comum B. ⁠Hospital de Santa Marta⁠, Lisboa, 22 de Junho de 2024.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Uma tarde para aprender a “estar neste mundo como num grande templo”

Na Casa de Oração Santa Rafaela Maria

Uma tarde para aprender a “estar neste mundo como num grande templo”

Estamos neste mundo, não há dúvida. Mas como nos relacionamos com ele? E qual o nosso papel nele? “Estou neste mundo como num grande templo”, disse Santa Rafaela Maria, fundadora das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, em 1905. A frase continua a inspirar as religiosas da congregação e, neste ano em que assinalam o centenário da sua morte, “a mensagem não podia ser mais atual”, garante a irmã Irene Guia ao 7MARGENS. Por isso, foi escolhida para servir de mote a uma tarde de reflexão para a qual todos estão convidados. Será este sábado, às 15 horas, na Casa de Oração Santa Rafaela Maria, em Palmela, e as inscrições ainda estão abertas.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This