Todos os mosaicos do padre artista e teólogo Marko Rupnik que decoram a frontaria do Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Lourdes, serão cobertos – não apenas durante a visita do Papa, como tinha sido inicialmente anunciado, mas em definitivo.
A decisão foi assumida pelo bispo local Jean-Marc Micas, e tem como justificação o imperativo de receber todos e todas, incluindo aqueles e aquelas que foram vítimas de abusos sexuais, psicológicos e espirituais e que se sentem incomodados pela presença tão ostensiva de obras de arte de alguém acusado daqueles crimes.
O bispo Jean-Marc Micas criou uma comissão multidisciplinar e diversificada, na qual se incluíam vítimas de abusos, que examinou o assunto, entre 2023 e 2024. Qualquer dos cenários estudado encontrava adeptos e detratores. Para o bispo, enquanto último responsável na diocese, o facto de o imputado perpetrador e as vítimas estarem vivos distingue o caso de Lourdes de situações análogas ocorridas há vários séculos.
“O meu papel – escreveu Jean-Marc Micas num comunicado de 2024 – é fazer com que o Santuário acolha a todos, especialmente aos que sofrem; entre eles pessoas vítimas de abuso e agressão sexual, crianças e adultos. Em Lourdes, as pessoas julgadas e feridas que precisam de consolo e reparação devem manter o primeiro lugar. Esta é a graça específica deste Santuário: nada deve impedi-los de responder à mensagem de Nossa Senhora que os convida a ir até lá em peregrinação”.
Enquanto o bispo continuava a amadurecer a melhor solução, continuando um trabalho de “reparação e consolação” com as vítimas, foi decidido, ainda em 2024, deixar de iluminar os mosaicos durante as procissões noturnas e, no ano seguinte, cobrir os mosaicos de Rupnik que se encontram sobre a entrada da Basílica.
A chegada do Papa, integrada no programa da visita pastoral que fará a França, foi o pretexto para o responsável da diocese de Tarbes-Lourdes dar mais um passo, cobrindo integralmente toda a obra de arte que tenha a mão daquele padre ex-jesuíta. E já não apenas durante a visita, mas para o próximo futuro. O prelado explica o que se vai passar, em declarações citadas pelo jornal francês La Dépêche: “Os mosaicos permanecerão cobertos após a peregrinação do Santo Padre, no final da qual será lançada uma nova reflexão. A atual comissão será ampliada, passando a envolver nomeadamente artistas e teólogos, para refletir sobre o futuro da fachada da basílica.”
Entretanto, foi tornado público que este mesmo bispo de Tarbes e Lourdes revogou a autorização concedida aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X (FSSPX) para celebrar missa ou administrar os sacramentos na Basílica de Lourdes.
“Após o decreto de cisma e excomunhão publicado pela Santa Sé, não posso autorizar a celebração da missa ou dos outros sacramentos, nem mesmo as orações públicas da Fraternidade São Pio X dentro do santuário”, explicou o bispo, num comunicado de 13 deste mês de agosto.
Esta revogação não impede que alguém ligado à Sociedade em causa possa vir a título particular à gruta para orar, segundo o comunicado do bispo.










