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Birmânia, protesto, manifestação, golpe militar

Movimento de desobediência civil cresce e desafia militares na Birmânia

| 20/02/2021

Birmânia, protesto, manifestação, golpe militar

Protestos na Birmânia a 6 de Fevereiro 2021, contra o golpe militar de 1 de Fevereiro: as manifestações não páram; neste sábado houve dois mortos. Foto: Wikimedia Commons.

 

Com dezenas ou, em alguns dias, centenas de milhares de pessoas nas ruas, os militares da Birmânia que, no início deste mês de fevereiro, fizeram um golpe de estado, têm visto tornar-se impraticável a tarefa de criar alguma normalidade.

A contestação popular que parece ser generalizada e que conta com o apoio de várias confissões religiosas, tem uma caraterística que se tem vindo a evidenciar: o eclodir de um movimento de resistência civil, nomeadamente para proteger trabalhadores grevistas que pretendem paralisar o país em protesto pelo golpe.

Neste sábado, 20 de fevereiro, duas pessoas foram mortas e várias dezenas ficaram feridas, na cidade de Mandalay, a segunda do país, quando os militares atiraram a matar com balas reais e de borracha. O propósito era romper uma manifestação de pessoas que se sentaram nas ruas de modo a não permitir que aquelas forças atacassem os grevistas de um estaleiro naval, para os forçar a retomar o trabalho.

Entretanto, os funcionários públicos de 21 ministérios, espalhados por perto de duas centenas e meia de distritos, entraram em greve. Repartições e salas de aula ficaram desertas e um número indeterminado de hospitais teve de fechar. Com isto, muitos serviços governamentais ficaram praticamente paralisados.

Segundo o site de notícias Irrawaddy, o presidente da autoridade budista estadual, Ma Ha Na, pediu negociações entre os militares e os responsáveis do partido de Aung San Suu Kyi, para resolver a “crescente crise política”, apelando às partes para “não guardar rancor nem buscar o esmagamento total uma da outra, mas ter amor e simpatia e negociar o mais rápido possível para resolver a crise em curso”. E acrescentou: “A responsabilidade por qualquer violência, incluindo incêndio criminoso, envenenamento e uso de produtos químicos, finalmente recairá sobre os líderes do país”, disse o monge, instando-os a garantir que tal não aconteça.

A mesma fonte enumera uma série de outras diligências no sentido de sentar à mesa do diálogo os militares e os representantes do povo, as quais depararam com a recusa por parte dos autores do golpe. Destaca ainda que o arcebispo de Yangon, cardeal Charles Maung Bo, e líderes de outras confissões religiosas além da católica (minoritária no país), pediram aos militares que mostrassem compreensão pelos sentimentos e frustrações das pessoas que votaram pela democracia e não usassem violência contra manifestantes pacíficos”.

Ainda que as situações de tensão tenham vindo a crescer e este sábado tenha sido o mais violento desde o golpe de estado, nota-se alguma contenção nos militares, que procuram desmobilizar a resistência pelo cansaço, ao mesmo tempo que detêm dirigentes políticos e ativistas. Contudo, observadores no terreno sublinham a força das manifestações, o crescimento da resistência civil e a capacidade de atuação local dos cidadãos, quando os militares pretendem forçar a retomada de atividade de setores de funcionários públicos em greve.

 

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