Obra Católica de Migrações acusa

Movimentos violentos e intimidatórios já atingiram a Igreja em Portugal

| 9 Mai 2024

Eugenia Quaresma defende que Igreja e sociedade devem trabalhar "em conjunto" nesta questão dos refugiados e migrantes. Foto © Ricardo Perna | Família Cristã

Eugenia Quaresma: já houve atitudes abusivas contra uma instituição católica que trabalha com imigrantes. Foto © Ricardo Perna

Uma instituição eclesial portuguesa foi já alvo de atitudes abusivas por parte de pessoas que procuravam depoimentos de imigrantes para alimentar conteúdos nas redes sociais. Estes teriam como finalidade estimular a xenofobia. São palavras de Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) que considera preocupantes os relatos de agressões e discursos de ódio contra estrangeiros que se têm verificado em Portugal.

Eugénia Quaresma falava à Agência Ecclesia a respeito dos episódios de violência ocorridos na madrugada do dia 3 de maio, no Porto, praticados contra imigrantes de nacionalidades argelina e marroquina [ver 7MARGENS].

A diretora da OCPM disse que procurou informações junto do Secretariado Diocesano de Migrações da Diocese do Porto, do qual recebeu indicações de que as vítimas são imigrantes “pacíficos”, que vivem do seu trabalho.

Para Eugénia Quaresma, “é grave” que a invasão da própria habitação aconteça num Estado de direito, que deve ser salvaguardado pelas forças policiais e pela justiça. “Há movimentos que estão ao serviço de uma agenda política”, indica a responsável, que apela ao combate das atitudes violentas e intimidatórias.

A OCPM quer envolver as associações de imigrantes num “trabalho de proximidade” para perceber como as comunidades estão a viver este momento. “O medo só se combate promovendo o encontro e este é essencial para a coesão social”, afirma.

Questionada sobre a falta de resposta por parte da nova Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA), Eugénia Quaresma reconhece a “pesada herança” recebida após a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), mas sublinha que isso “não pode ser justificação para a violência”. “A baixa eficiência da AIMA e a legislação portuguesa nesta matéria poderão estar a ser exploradas por máfias que canalizam para Portugal um fluxo migratório artificial e elevado, favorecendo o alarme público”, reconhece.

Eugénia Quaresma considera “urgente um trabalho diplomático com estes países de origem” e diz que há acordo sobre a “necessidade de trabalhar para a questão da inclusão e das condições de vida”.

A responsável da OCPM destaca a questão da habitação e fala das escolas como um “laboratório de interculturalidade”, que reivindica apoio aos professores para aprenderem a lidar com uma grande diversidade cultural.

Esta responsável considera ainda importante “clarificar o que está a acontecer nos nossos consulados” admitindo mesmo que “a corrupção tem de ser combatida”.

A OCPM reuniu na última quarta-feira, 8 de maio, com a Comissão de Apoio às Vítimas do Tráfico de Pessoas e com as congregações religiosas em Portugal, visando, entre outros objetivos, “encontrar respostas assertivas e positivas” que combatam a violência.

 

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