Mudanças na nunciatura da Santa Sé em Lisboa por causa da JMJ

| 19 Jul 20

Nunciatura apostólica da Santa Sé em Lisboa

Nunciatura apostólica da Santa Sé em Lisboa. Foto da imagem do Google Maps.

 

O colombiano Mauricio Rueda Beltz, que há quatro anos era responsável pelas viagens internacionais do Papa, será o novo conselheiro da nunciatura apostólica (embaixada) da Santa Sé em Lisboa, a partir de final de Agosto. A notícia veio este sábado, 18 de Julho, no Avvenire, diário da Conferência Episcopal Italiana, confirmando assim uma das hipóteses que tinha sido antecipada há dias pelo Il Sismografo, conforme o 7MARGENS noticiara.

O jornal italiano diz que a “transferência” de monsenhor Mauricio Rueda para Lisboa é “particularmente significativa”. Responsável, no âmbito da secção da Secretaria de Estado do Vaticano para os assuntos gerais, pelas viagens internacionais do Papa durante os últimos quatro anos, a sua mudança para Lisboa significa também, adianta o Avvenire, que devido ao coronavírus, nos “próximos meses (pelo menos dezoito, ao que parece), não são esperadas” novas viagens.

A notícia do Il Sismografo dizia que Mauricio Rueda poderia vir como conselheiro ou substituir o núncio – hipótese menos provável, já que Ivo Scapolo foi nomeado para Portugal no final de Agosto do ano passado. Agora, o jornal católico afirma que ele virá como conselheiro, substituindo monsenhor Amaury Medina Blanco, que irá para Sarajevo. A mesma informação tinha sido confirmada na sexta-feira, ao final do dia, por uma fonte bem colocada em Roma: “Irá como conselheiro”, garantiu um responsável do Vaticano ao 7MARGENS.

Colocando em Lisboa – uma das nunciaturas a que a diplomacia da Santa Sé dá tradicionalmente importância – a pessoa que até agora tem tratado da preparação e organização das viagens do Papa, o Vaticano está também a dar um sinal de que pretende acompanhar de bem perto a organização da Jornada Mundial da Juventude, inicialmente prevista para 2022 e adiada para 2023, por causa da covid-19.

A mudança pode significar ainda, adiantam fontes eclesiásticas ao 7MARGENS, que o Papa pretende acompanhar essa preparação através de alguém da sua confiança pessoal – o que não acontecerá com o actual núncio Ivo Scapolo, que saiu do Chile debaixo de acusações, até hoje não esclarecidas, mas que o próprio já desmentiu, de encobrimento de casos de abusos e de não ter gerido bem a informação que chegou (ou não) ao Papa, acerca do tema.

Recorde-se que, em Janeiro de 2018, o Papa esteve no Chile, tendo na ocasião defendido o bispo Juan Barros, nessa altura acusado de encobrimento de abusos sexuais do padre Fernando Karadima. Depois disso, Francisco decidiu enviar os arcebispos Charles Scicluna e Jordi Bertomeu para falar com as vítimas e chamou depois todos os bispos chilenos a Roma, a quem pediu um forte exame de consciência.

O encontro culminou com o pedido de demissão de todos os bispos, tendo o Papa aceite vários deles, incluindo o de Juan Barros. Ainda em Setembro desse ano, Karadima acabaria irradiado do sacerdócio, uma vez provadas as acusações que contra ele eram feitas. Vários responsáveis da Igreja Católica no Chile criticaram na época a gestão do caso feita pelo actual núncio em Lisboa, que na altura ocupava o mesmo cargo em Santiago do Chile.

 

Uma diplomacia cada vez mais internacional

De acordo com o Avvenire, há outras mudanças importantes que a circular assinada (mas ainda não publicada) pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin em breve confirmará: os dois eclesiásticos envolvidos na complexa investigação da venda de um palacete em Londres – Alberto Perlasca e Mauro Carlino –  irão regressar às suas dioceses (Como e Lecce, respectivamente, ambas em Itália).

Outro dado relevante é a confirmação da tendência de internacionalização do corpo de diplomatas da Santa Sé, que até um passado muito recente era quase só composto de italianos. O Avvenire nota que, em 1978, 55 dos 75 representantes pontifícios (73,3%) eram italianos. Agora, os núncios italianos são “apenas” 38 em 99 (ou seja, 38,4%).

No entanto, os números deste ano contrariam a tendência: quatro dos sete novos diplomatas do Vaticano são originários de Itália (os outros três são da Roménia, Albânia e Polónia). Os italianos estão destinados às representações diplomáticas da Santa Sé nas Honduras, Madagáscar, Congo e Tanzânia.

 

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