Sínodo

Mudar as estruturas e processos de decisão na Igreja Católica

| 20 Fev 2022

Jean-François Chiron, teólogo francês, coloca na mesa uma nova forma de tomar decisões na Igreja que pode resultar deste Sínodo. Foto © Direitos Reservados

 

“Na Igreja, a tomada de decisão resume-se a ‘uma só pessoa’. Essa é uma estrutura que encontramos a três níveis: o Papa na Igreja [universal], o bispo na diocese e o padre na paróquia.” A análise vem de Jean-François Chiron, teólogo especialista em Eclesiologia, atualmente professor na Universidade de Lyon, França.

Em entrevista ao La Croix International, o académico pronuncia-se sobre o impacto do atual sínodo sobre a sinodalidade na organização da Igreja Católica, focando de modo particular o delicado tema do exercício da autoridade, tema que – importa referir – o documento preparatório difundido pelo secretariado geral inscreve na agenda das questões acerca as quais convida os membros da Igreja a refletir.

O entrevistado começa por desenhar dois cenários que poderão sair do atual processo sinodal. Um aponta para a manutenção do status quo atual, ainda que apelando ao reforço e aproveitamento dos espaços existentes para aprofundar a participação, nomeadamente dos leigos. Outro seria conferir aos conselhos pastorais das paróquias (que os têm) e diocesanos poder deliberativo.

Contudo, observa Chiron, se se rompesse com a situação atual, conferindo esse poder num nível (paroquial, diocesano ou central), “teríamos que fazê-lo também nos outros níveis, o que seria uma verdadeira revolução”. “Não seria honesto”, em sua opinião, enveredar por um processo mais democrático num nível, deixando os outros de fora.

No quadro atual, o Papa consulta o povo de Deus, mas é ele que tem a “última palavra”. A tradição católica valoriza o “um que decide”: conforme o nível, o Papa, o bispo e o pároco. “A sinodalidade consiste em dar maior valor aos outros dois níveis, começando pelo segundo (‘alguns’), composto pelos bispos e cardeais no nível da Igreja universal; os sacerdotes, diáconos e conselhos a nível diocesano; e os conselhos e equipas pastorais ao nível paroquial. “A Igreja não é uma democracia, mas os ‘alguns’ podem ser representantes de ‘todos’”, acrescenta ainda.

Sobre a questão de um funcionamento de tipo democrático, o teólogo de Lyon diz-se surpreendido por declarações do Papa, críticas da via consensual. Isto porque, nos conselhos pastorais, é aos consensos que a vida eclesial aspira. Coisa bem diferente ocorre nas assembleias políticas, em que “é a maioria que prevalece”.

Apesar de tudo, o teólogo Jean-François Chiron acha que a grande maioria dos católicos “não aspira necessariamente a grandes mudanças”. “Já ficam satisfeitos se o seu pároco ou bispo é capaz de os ouvir” e reagem negativamente quando estes se recusam a ouvi-los. “Na verdade, mais do que estruturas, muitas vezes é uma questão de pessoas (…). Acredito na reforma das instituições, mas o que conta é a conversão das pessoas”, remata.

 

(Atualização dia 21, às 16h30: a entrevista de Jean-François Chiron foi entretanto traduzida na íntegra no portal da arquidiocese de Braga, onde pode ser lida na íntegra, em português.)

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

"Nada cristãs"

Ministro russo repudia declarações do Papa novidade

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, descreveu como “nada cristãs” as afirmações do Papa Francisco nas quais denunciou a “crueldade russa”, especialmente a dos chechenos, em relação aos ucranianos. Lavrov falava durante uma conferência de imprensa, esta quinta-feira, 1 de dezembro, e referia-se à entrevista que Francisco deu recentemente à revista America – The Jesuit Review.

O que têm dito os papas sobre a paz

Debate e oração no Rato, em Lisboa

O que têm dito os papas sobre a paz novidade

As mensagens dos Papas para o Dia Mundial da Paz é o tema da intervenção do padre Peter Stilwell neste sábado, 3 de Dezembro (Capela do Rato, em Lisboa, 19h), numa iniciativa integrada nas celebrações dos 50 anos da vigília de oração pela paz que teve lugar naquela capela, quando um grupo de católicos quis permanecer em oração durante 48 horas, em reflexão sobre a paz e contra a guerra colonial.

Ministro russo repudia declarações do Papa

"Nada cristãs"

Ministro russo repudia declarações do Papa novidade

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, descreveu como “nada cristãs” as afirmações do Papa Francisco nas quais denunciou a “crueldade russa”, especialmente a dos chechenos, em relação aos ucranianos. Lavrov falava durante uma conferência de imprensa, esta quinta-feira, 1 de dezembro, e referia-se à entrevista que Francisco deu recentemente à revista America – The Jesuit Review.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This