Comissão Justiça e Paz de Braga

Proposta para esta quaresma: mudar os comportamentos com os aparelhos eletrónicos

| 28 Fev 2023

uso de tecnologias, foto c akshay manve

O que fazemos online pode, a muitos, parecer irrelevante, mas coisas tão rotineiras como o envio de um e-mail, a colocação de um “gosto” numa rede social, uma pesquisa num motor de busca ou o visionamento de um vídeo são ações poluentes. Foto © Akshay Manve.

 

“Impõe-se que o relacionamento pessoal presencial tenha a primazia sobre as relações virtuais” associadas ao uso imoderado das tecnologias, propõe a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga, numa mensagem que acaba de divulgar para o tempo quaresmal.

“A sobriedade, designadamente a digital, permite prestar atenção ao que é mais relevante. Em vez de uma imponderada submissão perante as tecnologias, importa dar prioridade ao estabelecimento de vínculos com as pessoas”, pode ler-se no texto, enviado ao 7MARGENS nesta terça-feira, 28 de fevereiro.

Exemplificando com práticas tão banais como é o envio de mensagens por correio eletrónico, a Comissão explica que “um simples e-mail não circula etereamente e a ‘nuvem’ em que fica armazenado é um dos muitos enormes blocos que são constantemente edificados para guardar os dados das nossas interações digitais”. Ora, esses espaços físicos funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, e requerem imensos consumos de energia, desde logo, por “ser necessário refrigerar potentíssimos computadores”. Mais concretamente, só os e-mails enviados e recebidos no ano de 2019 terão sido responsáveis por uma “pegada digital” de cerca de 150 milhões de toneladas de CO2 no mundo.

Maior poluição digital origina o visionamento de vídeos on-line. Dados citados no texto da mensagem indicam que a pegada digital resultante de assistir durante um mês aos 10 maiores sucessos globais da TV da Netflix é “equivalente a ir de automóvel até Saturno”.

O que fazemos online pode, a muitos, parecer irrelevante, mas coisas tão rotineiras como o envio de um e-mail, a colocação de um “gosto” numa rede social, uma pesquisa num motor de busca ou o visionamento de um vídeo são ações poluentes.

“Embora os comportamentos individuais adequados não sejam suficientes para combater a crise climática, não são, de modo algum, desprezíveis”, observa a Comissão Justiça e Paz. “O somatório dos nossos consumos digitais acaba por ter um impacto ambiental significativo, mesmo que disso, tantas vezes, não tenhamos cabal consciência”.

Por isso, alerta a mensagem quaresmal, “o rasto de informações sobre tudo o que fazemos online – susceptível, aliás, de ser usado perversamente – é a nossa pegada digital e é, simultaneamente, uma parte relevante da nossa pegada de carbono e do volume total de gases com efeito de estufa que geramos”.

A “sobriedade digital” que é recomendada, passa por “pequenos gestos, como, por exemplo, desligar os dispositivos tecnológicos, particularmente os smartphones” e outros aparelhos eletrónicos, de forma a poupar e aumentar o seu tempo de vida útil, já que a sua fabricação obriga à extração de grandes quantidades de metais, em condições e contextos muito problemáticos.

Os benefícios variados que podem resultar de atitudes e comportamentos de “sobriedade digital” e baseados no “discernimento tecnológico” são “de natureza global e pessoal”, sendo que “a quaresma proporciona uma boa oportunidade” para olhar para a relação que cada um tem com a tecnologia, “refletindo sobre o que têm sido as nossas prioridades de vida”.

A Comissão Justiça e Paz de Braga recorda ainda que “as tecnologias são instrumentos, não são finalidades”, para defender o que designa por “soberania digital”, que permite a cada pessoa assumir “o poder de usar os dispositivos tecnológicos utilmente, em vezPegadaCrise  de ser por eles seduzido e escravizado”.

Invocando a inspiração de escritos dos papas Bento XVI e Francisco, o comunicado termina recomendando: “Olhemos menos para os ecrãs – tenhamo-los desligados durante um período diário. Olhemos mais para o que está à nossa volta. Prestemos mais atenção uns aos outros”.

 

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