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UN News Crianças em Gaza aguardam que seus recipientes vazios sejam enchidos com alimentos
Crianças em Gaza aguardam que os seus recipientes vazios sejam enchidos com alimentos. Foto © UN News

Comissão da ONU conclui

“Muitas crianças palestinianas foram mortas deliberadamente pelo exército de Israel”

| 26/06/2026

Há fundadas razões para acreditar que as forças de segurança de Israel cometeram genocídio, crimes contra a Humanidade e crimes de guerra contra crianças palestinianas em Gaza, assim como crimes de guerra na Cisjordânia. A conclusão está escrita no mais recente relatório anual de uma Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre os territórios ocupados da Palestina, que reponde perante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

O documento foi apresentado no início desta semana e tem por título “’A essência da infância foi destruída’: o ataque deliberado de Israel contra crianças palestinianas no Território Palestiniano Ocupado desde 7 de outubro de 2023”.

Este tipo específico de crimes de guerra contra crianças continuou a ser praticado já depois do “cessar fogo” de outubro de 2025, período em que mais de uma centena perderam a vida, sublinha o documento.

No relatório, os especialistas destacam que “o ataque deliberado às crianças é um dos principais elementos que estabelece a intenção genocida das autoridades e forças de segurança israelitas de destruir o ‘grupo palestiniano’, no todo ou em parte, em Gaza”. Para a comissão, as crianças personificam o futuro do grupo, e destruí-las compromete a sua capacidade de sobreviver.

Segundo o documento, as forças israelitas têm como alvo crianças de maneira direta e indireta, ao bombardear sistematicamente áreas residenciais, escolas e campos de refugiados sobrelotados.

Em termos quantitativos, eleva-se a 20.179 o número de crianças mortas na Faixa de Gaza entre 7 de outubro de 2023 e 7 de outubro de 2025 (perto de 5.000 com menos de cinco anos). Cerca de 44.000 ficaram feridas e mais de 58.500 perderam pelo menos um dos pais ou ficaram órfãs, no mesmo período.

O ataque ao desenvolvimento e mesmo à sobrevivência das crianças em Gaza também acontece quando as forças israelitas destroem infraestruturas. O relatório concluiu que 97 por cento das escolas foram destruídas e 95 por cento das universidades foram danificadas em Gaza. No mesmo período, 22 dos 38 centros de ensino superior foram completamente destruídos.

Quando o exército israelita ataca serviços neonatais e maternidades ou coloca as populações em situação de fome, como a que foi imposta em Gaza, são as crianças as primeiras prejudicadas. Só no início de outubro do ano findo tinham sido registadas 151 mortes de crianças por problemas de malnutrição.

Como se isto não bastasse, o documento relata que foram usadas armas de precisão, tais como quadricópteros, drones e espingardas de precisão, visando especificamente menores de idade na cabeça e na parte superior do corpo “para infligir o máximo dano”, diz Srinivasan Muralidhar, presidente da Comissão.

Esta entidade apresentou já à Assembleia Geral da ONU em 2024 os resultados da investigação a que procedeu relativamente aos crimes contra as crianças israelitas, nomeadamente os perpetrados pelo Hamas, no dia 7 de outubro. A Comissão constatou que crianças israelitas foram sujeitas a maus-tratos físicos e emocionais a 7 de outubro de 2023. Para além das 40 crianças mortas e das centenas feridas, muitas perderam um ou ambos os pais; testemunharam o assassinato de pais e irmãos; ou foram também filmadas para fins de propaganda por grupos armados palestinianos.

A Comissão considera particularmente grave o facto de crianças terem sido alvo de raptos, muitas delas levadas sozinhas. A Comissão concluiu que o Hamas e outros grupos armados palestinianos cometeram crimes de guerra e crimes contra a Humanidade, incluindo contra crianças israelitas e crianças reféns.

 

Israel nega e fala em propaganda

Israel, entretanto, reagiu vivamente contra o teor das conclusões da Comissão Independente, negando as alegações de genocídio e afirmando que as operações militares são realizadas em autodefesa e de acordo com o direito internacional.

Referindo-se aos crimes identificados no relatório, considerou-os “difamação enganosa” e “propaganda” de um mecanismo “fundamentalmente falhado e tendencioso”. Um representante do governo chegou mesmo a acusar membros da Comissão de estarem condicionados pela pressão do secretário-geral da ONU, António Guterres, o qual foi considerado persona non grata naquele país do Médio Oriente.

 

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