Nomeação inédita

Mulher árabe e cristã eleita reitora de uma universidade israelita

| 6 Mai 2024

Professora Mouna Maroun, nova reitora da Universidade de Haifa. © American Society of the University of Haifa

“Ninguém esperava que eu fosse bem sucedida – sendo árabe em Israel, cristã e, para além de tudo isto, mulher”, afirma Mouna Maroun, nova reitora da Universidade de Haifa. © American Society of the University of Haifa

 

Uma mulher árabe e cristã foi eleita reitora da Universidade de Haifa, na cidade de Jerusalém, em Israel. Mouna Maroun protagonizou um facto inédito por vários motivos, mas sobretudo por, até ao momento presente, nenhuma mulher ter ocupado este cargo.

“A minha eleição é uma mensagem importante de que tudo é possível no meio académico israelita. É uma mensagem para a minoria cristã de que estamos enraizados aqui, que podemos ter sucesso aqui; e é também uma mensagem para as jovens gerações árabes: se tiverem um sonho, podem realmente realizá-lo na sociedade israelita e especialmente nas universidades”, afirmou Maroun, em declarações à Catholic News Agency.

A nova reitora pertence à minoria árabe radicada em Israel, e às minorias cristã entre os árabes e maronita entre os cristãos. Também estas são razões para tornar esta nomeação inédita.

Mouna Maroun nasceu numa pequena aldeia, Isfiya, a apenas seis quilómetros da instituição que vai agora chefiar. Os seus pais eram semi-alfabetizados, mas acreditavam no valor fundamental que a educação detinha para a emancipação social das suas filhas. Maroun é uma entre quatro irmãs.

“A minha infância foi muito ativa na igreja e nos estudos, sabendo que só através dos estudos poderia ter sucesso em Israel”, esclarece. “Sempre acreditei que a emancipação da minoria árabe em Israel passa pelo ensino superior. Não acredito na política; acredito no ensino superior”, acrescenta.

Chegada à universidade, Mouna não tinha quaisquer conhecimentos de hebraico, pois os árabes e os judeus têm um sistema de ensino separado, e pouco falava inglês. Atualmente, aos 54 anos, é neurocientista e especialista em perturbações de stress pós-traumático. Faz parte do corpo docente da universidade que irá liderar durante quatro anos, a partir de outubro, há mais de 20 anos.

“Ninguém esperava que eu fosse bem sucedida – sendo árabe em Israel, cristã e, para além de tudo isto, mulher”, reitera. “Eu podia fazer aquilo em que acreditava, tinha um sonho e segui esse sonho sem pressões – só a minha família me incentivou a continuar neste caminho”.

A Universidade de Haifa é uma das universidades “mais diversificadas e inclusivas de Israel: 45% dos 17 mil estudantes provêm da sociedade árabe e 50% de todos os estudantes são estudantes de primeira geração a receber o ensino superior”. Do corpo de estudantes fazem parte judeus, muçulmanos, drusos e cristãos. “Temos aquilo a que se chama um laboratório natural, com todas as religiões a coexistirem e a viverem sem tensões”, afirma Maroun.

“Tornar-me a reitora árabe de uma universidade israelita depois do 7 de outubro de 2023 é uma tarefa difícil”, refere. “Estamos aterrorizados como israelitas, como seres humanos, com o que aconteceu a 7 de outubro e, ao mesmo tempo, também estamos aterrorizados com o que se está a passar em Gaza, onde milhares de crianças inocentes foram mortas”.

Acerca das manifestações anti-Israel que estão a acontecer em algumas universidades norte-americanas, Maroun disse: “A administração das universidades americanas devia fazer uma declaração moral e ética dizendo que não pode negar o que aconteceu a 7 de outubro e o que se passa em Gaza, e devia tomar medidas para promover o processo de paz sem tomar partido, porque o mundo académico não pode tomar partido neste conflito”, afirmou. “A academia em todo o mundo deve ser uma ponte para a paz, para a negociação e para a interação e não ser tendenciosa, porque isto é muito diferente do que é a ciência”.

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