Mulher que entrou em templo hindu interdito agredida e abandonada pela família

| 23 Jan 19

Bindu Ammini (Direita) e Kanaka Durga (Esquerda). Foto © The News Minute.

Kanaka Durga, uma das duas primeiras mulheres a entrar no templo de Sabarimala, no estado de Kerala, na Índia, foi agredida e abandonada pela sua família, noticiou a BBC nesta quarta-feira, 23 de janeiro.

A mulher foi hospitalizada a dia 15 de janeiro, depois de a sogra a ter agredido com uma tábua de madeira, quando a peregrina regressou do templo. Este local sagrado era interdito a mulheres em idade de menstruação (10 aos 50 anos) até setembro de 2018 e muita gente, incluindo a família de Kanaka, estava contra o levantar desta proibição. 

Muitas mulheres hindus tinham tentado entrar no templo mas Kanaka Durga, 39, e Bindu Ammini, 40, foram as primeiras a fazê-lo, dia 2 de janeiro. Thankachan Vithayatil, uma assistente social que acompanhou Kanaka Durga quando ela foi para o hospital, afirmou à BBC que quando a visitante do templo voltou para casa na segunda-feira, dia 21, encontrou a porta trancada e a casa vazia, sem sinais do marido e dos dois filhos: “Ela acabou por ser escoltada pela policia até uma casa estatal de refúgio para mulheres.” Prasad Amore, uma amiga e ativista do direito das mulheres a entrarem no templo Sabarimala, disse à BBC: “Eles (a família de Kanaka) não querem que ela regresse a casa porque consideram que ela manchou o nome de família.”

O marido de Kanaka é um funcionário público e confirma que não a aceitará de volta, a menos que ela peça perdão pelo seu “pecado”. O homem foi convocado pela polícia para ser questionado e às autoridades afirmou que não a queria levar para casa.

A mulher hindu tinha registado um processo de violência doméstica contra a sogra no início da semana e a este processo acrescentará o pedido para o tribunal lhe conceder permissão para entrar na sua casa outra vez.

Desde que entraram no templo Sabarimala, Durga e Ammini têm andado escondidas e sob protecção policial constante, já que a sua entrada no templo motivou violentos protestos.

Bindu Ammini, professora numa faculdade de direito, voltou a ensinar e afirma que os seus colegas, alunos e família têm sido um grande apoio na sua decisão de entrar no templo.

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