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philip pullella da reuters entrevista papa francisco em 2018 foto vatican news

Papa revela em entrevista

Mulheres vão intervir na escolha dos bispos

| 06/07/2022

 

philip pullella da reuters entrevista papa francisco em 2018 foto vatican news

O jornalista da Reuters Philip Pullella e o Papa Francisco, durante uma entrevista realizada em 2018. Foto © Vatican Media.

 

Depois de ter anunciado o desejo de visitar a Rússia e a Ucrânia, a seguir à viagem que vai fazer ao Canadá, o Papa Francisco surpreendeu esta quarta-feira ao anunciar a intenção de nomear duas mulheres para o comité do Dicastério dos Bispos, que procede à análise dos nomes a escolher para as dioceses, nas diferentes partes do mundo.

A revelação surgiu durante a entrevista dada ao repórter Philip Pullella, que faz a cobertura noticiosa do Vaticano para a agência Reuters, à qual o 7MARGENS já fez referência nesta terça-feira. Na entrevista, que ainda não foi publicada na íntegra, não é divulgada nem a identidade das pessoas em causa nem quando é que a nomeação será feita.

A decisão do Papa, que não foi por ora anunciada oficialmente, é, no dizer do entrevistador, “altamente significativa porque as mulheres passarão, pela primeira vez, a ter voz na nomeação dos bispos do mundo, que são todos homens”.

O Pontífice disse, na entrevista à Reuters, que quer dar às mulheres mais cargos de alto nível na Santa Sé, na sequência da nomeação, no ano passado, de Raffaella Petrini para número dois no governo da Cidade do Vaticano, o que aconteceu pela primeira vez com uma mulher. Ela é, neste momento, a mulher de mais alto escalão no menor estado do mundo.

Mas Petrini não é a única mulher em posições de destaque na Cúria. Também no ano passado, Francisco nomeou a religiosa salesiana Alessandra Smerilli como subsecretária do Dicastério para o Serviço ao Desenvolvimento Humano Integral. Por sua vez, a também religiosa xavieriana Nathalie Becquart passou a desempenhar a função de subsecretária do Sínodo dos Bispos, cargo que costumava ser ocupado por um bispo.

“Dessa forma, as coisas estão a abrir-se um pouco”, disse o Papa ao jornalista, no encontro de hora e meia que tiveram no último fim de semana.

Para aqueles que, nas últimas semanas, foram vaticinando a saída de cena a breve trecho do Papa Francisco, a resposta do próprio foi vigorosa, nas três entrevistas divulgadas nos últimos dias.

 

“Como é a oração de um papa?”

Um podcast do padre argentino Guillermo Marcó, que esteve à frente da Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Buenos Aires, quando Jorge Mário Bergoglio era o arcebispo, deu a conhecer, no passado dia 3, alguns aspetos da vida pessoal do Papa Francisco.

Intitulado “Marcó tu Semana”, num jogo com o apelido do seu autor, o podcast foi gravado há cerca de um mês e apenas uma pequena parte foi aqui aproveitada e divulgada no Spotify.

O antigo assessor recorda que Bergoglio “muitas vezes dizia, diante de um problema: ‘Bom, deixa-me rezar e, depois, eu respondo-te'”.

Como é que um Papa reza?, foi outra questão que surgiu na conversa, parcialmente transcrita pelo Vatican News.

“O Papa é um bispo, responde Francisco, e a oração do bispo é, falando em termos evangélicos, cuidar do rebanho e, então, continua com o mesmo estilo. É semelhante: pedir, interceder e agradecer por todo o bem que se faz.”

“O senhor ainda acorda de madrugada para rezar?”, pergunta Marcó, e o Bispo de Roma responde: “Sim, sim, porque se eu não rezar de manhã, não rezo mais, pois o picador de carne não larga mais.”

Francisco gostava de ser um homem da rua, na capital da Argentina, andando a pé e de transportes públicos. Isso mudou radicalmente, com a vida que passou a ter de levar, no Vaticano. É dessa liberdade que tem mais saudade. “Em Buenos Aires, refere ele ao padre Marcó, eu caminhava ou apanhava o autocarro, etc. Aqui [em Roma], nas duas vezes em que tive que sair, apanharam-me em flagrante. Duas vezes, no inverno. Às sete da noite, que não passa ninguém e está tudo escuro”.

A dado momento Francisco fala de si: “O meu coração é um depósito, está cheio de coisas que guardo. Eu tenho que ampliar as prateleiras, muitas vezes. Nisso sou um pouco ‘colecionador’ no bom sentido da palavra, não quero perder nada do bem que as pessoas me dão. As pessoas gratificam- nos muito, com exemplos, com palavras, com um ou dois factos. O sacerdote está aí para ensinar, mas acho que aprendemos muito com as pessoas se olharmos para elas.”

Por fim, o entrevistador questiona o Papa sobre como enfrenta esta etapa da sua vida, sendo octogenário. A resposta: “Eu, nesta idade, rio-me de mim mesmo e sigo em frente”.

 

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