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No sábado dia 20 de janeiro, na Igreja São João de Brito realizou-se a VIGÍLIA ECUMÉNICA JOVEM . Foto Igreja presbiteriana
Momento da vigília ecuménica jovem de 2023, na Igreja São João de Brito, em Lisboa. Foto © Igreja Presbiteriana

Entre 18 e 25 de janeiro

Multiplicam-se iniciativas ecuménicas no país, mas não basta: unidade dos cristãos tem de ser mais que “um tema da semana”

| 16/01/2026

Não faltarão, um pouco por todo o país, iniciativas para assinalar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que se avizinha, desde vigílias à apresentação da renovada Carta Ecuménica, passando pelo lançamento de um calendário que não é apenas ecuménico, e sim inter-religioso. Mas é importante, lembram os mais diretamente envolvidos no movimento ecuménico, que este seja entendido como “um caminho” a percorrer durante todo o ano, e não apenas como “um tema da semana”.

A agenda, nesta semana que se assinala de 18 a 25 de janeiro é, de facto, preenchida: destaca-se, no dia 20, às 15h00, o lançamento da Carta Ecuménica (ou Charta Oecumenica) 2025, que poderá ser acompanhado presencialmente na Sala das Exposições da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, ou através do Youtube, onde contará com transmissão em direto.

A apresentá-la estarão o bispo Rui Valério, patriarca de Lisboa, em representação da Conferência Episcopal Portuguesa, e em representação do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC) o bispo Jorge Pina Cabral (da Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana), o bispo Sifredo Teixeira (Igreja Evangélica Metodista Portuguesa) e a pastora Sandra Reis (presidente da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal).

Assinada em Roma (Itália), no passado dia 5 de novembro, pela Conferência das Igrejas Europeias (CEC) e pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), a renovada carta inclui capítulos dedicados à “paz e reconciliação”, “migração”, “juventude” e “novas tecnologias”, que não se encontravam na primeira versão, subscrita em 2001.

A nova Carta Ecuménica foi assinada pelos presidentes da CCEE e da CEC . Foto CCEE

A nova Carta Ecuménica foi assinada pelos presidentes da CCEE e da CEC. Foto © CCEE

Na apresentação da próxima terça-feira, será possível conhecer melhor as novidades e o enquadramento histórico deste documento que visa orientar a cooperação ecuménica entre as Igrejas cristãs europeias. Além disso, haverá testemunhos de como, em Portugal, diferentes comunidades cristãs acompanham “migrantes, refugiados e deslocados internos”.

No mesmo dia e também na Universidade Católica, mas às 18h00 e desta vez na livraria, decorrerá a apresentação do Calendário Inter-Religioso “Celebração do Tempo 2026”, promovida pela AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo – e pelo Grupo de Trabalho para o Diálogo Inter-Religioso. Este calendário, além de incluir as datas de todas as festividades  importantes das religiões mais representativas em Portugal (acompanhadas de explicações sobre a sua origem e comportamentos relacionados com cada uma delas), traz conteúdos sumariados sobre a história, doutrina, símbolos e textos sagrados de cada religião.

A iniciativa resulta da colaboração entre diversas tradições religiosas, em parceria com a Paulinas Editora, e a edição deste ano convida à reflexão sobre o tema “Religião e Ecologia”: em cada mês, um líder religioso registou a importância do cuidado para com o ambiente e seres vivos no contexto da sua respetiva fé.

No dia anterior, a diocese do Funchal associa-se à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, com uma vigília de oração ecuménica no Convento de Santa Clara, às 19h30. O resto da semana será igualmente marcado por celebrações ecuménicas de norte a sul do país. Dia 21, quarta-feira, às 21h00, haverá na Igreja Metodista de Aveiro um momento de oração conduzido pelo bispo católico António Moiteiro e o pastor da Igreja Metodista de Aveiro, Eduardo Conde, que terminará com uma ceia partilhada entre os participantes.

Nesse mesmo dia, às 21h30, terá lugar uma celebração ecuménica na Catedral do Porto, durante a qual será apresentado o Roteiro Ecuménico de Oração para a cidade para o ano 2026, com propostas ecuménicas para os vários meses do ano.

Na sexta-feira, 23, às 21h00, será a vez de a Igreja Matriz Nova de São Adrião, em Vila Nova de Famalicão acolher uma celebração ecuménica, que contará com a presença do arcebispo de Braga,  José Cordeiro, do bispo da Igreja Lusitana, Jorge Pina Cabral, do bispo da Igreja Metodista, Sifredo Teixeira, e dos padres Dmytro Tkachuk, da Igreja Ucraniana Ortodoxa, e Livinsky “Inácio”, da Igreja Ortodoxa Ucraniana.

No sábado, terá lugar em Lisboa, às 21h30, na Igreja de S. Tomás de Aquino, uma vigília ecuménica jovem. Na mesma noite, às 21h, na Igreja do Espírito Santo, em Castelo Branco, o secretariado da juventude e vocações daquela diocese convida todas as confissões cristãs para um tempo de oração em conjunto. E em Santa Maria (Açores), haverá uma celebração na Capela de Nossa Senhora do Ar, no aeroporto, às 19h00.

Já no domingo, 25 de janeiro, será celebrada uma eucaristia, às 11h30, na igreja de São Vicente, em Bragança. E a diocese de Angra encerrará a semana com uma celebração ecuménica às 15h00, na Capela do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

 

Muito se tem feito, muito há ainda por fazer, diz bispo de Angra

Bispo de Angra, Armando Esteves Domingues. Foto Igreja Açores

Armando Esteves Domingues, que preside à Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, tem acompanhado de perto o caminho do ecumenismo em Portugal. Foto © Igreja Açores

É precisamente a partir de Angra, onde, como em outras dioceses, este momento de oração comum será “o ponto alto de uma semana que convida todas as comunidades cristãs a renovar o compromisso com a unidade”, que uma recém-nomeada Comissão Diocesana para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso faz questão de lembrar, numa mensagem divulgada no passado dia 6, que o ecumenismo não é apenas “um tema da semana” e sim “um caminho que exige perseverança, forma o olhar e a palavra e impulsiona para encontros concretos, até que a comunhão se torne cada vez mais visível”.

Para o bispo desta diocese, Armando Esteves Domingues, que preside à Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização e tem acompanhado de perto o caminho do ecumenismo em Portugal ao longo dos últimos anos, não restam dúvidas de que esse caminho “tem evoluído de forma significativa”.

Em declarações ao 7MARGENS, o prelado sublinha a importância do trabalho da Comissão para o Diálogo Ecuménico, composta por membros da CEP e do COPIC, “onde se vive e fortalece um espírito de grande fraternidade e diálogo, e se preparam e coordenam atividades conjuntas como a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, ou a nova app Eco Igrejas sobre a sustentabilidade ambiental nas comunidades”.

“Temos conseguido criar espaços de encontro e reflexão entre igrejas, promovendo uma maior sensibilização para a unidade cristã e para o diálogo inter-religioso. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos tem tido, este ano, uma projeção maior, também porque associada à apresentação da nova Carta Ecuménica, o que nos enche de esperança”, assinala o bispo de Angra.

Ecumenismo de base “já tem iniciativa própria”, reconhece bispo da Igreja Lusitana

Bispo Jorge Pina Cabral. Foto Igreja Lusitana

Para o bispo Jorge Pina Cabral, esta semana “é em si mesma uma oportunidade para um renovado compromisso”. Foto © Igreja Lusitana

Jorge Pina Cabral, bispo da Igreja Lusitana, destaca por seu lado o facto de haver já várias “comunidades locais que se conhecem e estão habituadas a encontrar-se para tempos de oração”, partilhando também outras atividades ao longo do ano. E dá dois exemplos: as Igrejas na região de Sintra cuja cooperação ao longo do ano culmina sempre no grande evento que é o Encontro Cristão de Sintra – cuja 16ª edição está marcada para o próximo dia 31 de janeiro – e as Igrejas na região do Grande Porto que estabelecem o chamado Roteiro Ecuménico do Porto com atividades diversas e ao longo do ano nas diferentes Igrejas. “É o chamado ecumenismo de base que pela graça de Deus já tem iniciativa própria e se insere no seu próprio contexto social e cultural”, diz ao 7MARGENS.

E identifica “os migrantes, a salvaguarda da criação de Deus e o trabalho com os jovens que estão referidos na Charta Oecumenica” como “novas oportunidades de trabalho conjunto e consequente aprofundamento da vivência ecuménica”.

Oportunidades, de facto, não faltam, mas nem sempre são devidamente aproveitadas, aponta o bispo Armando Esteves Domingues, ao mesmo tempo que deixa o alerta: “não podemos iludir-nos, ainda há muito por fazer”. O prelado confessa que “gostaria de ver esta semente [do ecumenismo] presente em todas as dioceses, em todas as comunidades, envolvendo particularmente os jovens”. Porque “o diálogo ecuménico – defende o bispo de Angra – não deve ficar restrito aos encontros institucionais; deve ser vivido no dia a dia das nossas comunidades, tornar-se vida no seio de todo o povo de Deus”.

Quanto à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – cujo tema este ano vem da carta do Apóstolo Paulo aos Efésios: “Um só corpo, um só Espírito, uma só esperança” – ela “é em si mesma uma oportunidade para um renovado compromisso”, considera o bispo Pina Cabral. E apesar de a dimensão espiritual desta iniciativa não ser propriamente “visível ou espetacular”, ela “coloca-nos desde logo na disponibilidade em acolher o agir do Espírito Santo no caminhar de Missão a que somos chamados”.

Para o bispo de Angra, esta semana tem o mérito de ser “uma ocasião propícia a colocar o assunto na ordem do dia”. No entanto, não esconde que gostaria de a ver assinalada com ainda “maior adesão, com iniciativas locais em todas as dioceses, envolvendo jovens, comunidades e até instituições académicas”. E em particular nos tempos “desafiantes” que vivemos, “marcados por divisões e polarizações na sociedade”. Porque “o ecumenismo, mais do que nunca, é um sinal de esperança. Ele mostra que é possível conviver respeitando diferenças, trabalhando juntos pelo bem comum e promovendo a paz”, reconhece Armando Esteves Domingues.

Também o bispo da Igreja Lusitana acredita que “a prática do diálogo, da reconciliação e da valorização do outro na sua tradição, presentes na vivência ecuménica, oferecem um caminho e uma proposta muito importante e atual para o contexto polarizado que alguns, poucos, procuram alimentar”.

Uma coisa é certa, conclui Armando Esteves Domingues: “O ecumenismo só será verdadeiramente vivo quando se tornar parte da vida quotidiana das nossas comunidades. Só aprofundando o que somos e conhecendo os que vão a Deus de modo diferente, poderemos construir comunidades mais unidas e um mundo mais justo e pacífico.”

 

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