Nos EUA e noutros países

Multiplicam-se peregrinações religiosas pelo cessar-fogo imediato na Palestina

| 16 Fev 2024

Peregrinação pela Paz, em Washington. Jewish Voice for Peace

“Ou semeamos sementes de não-violência hoje, ou colheremos a inexistência amanhã”, dizem os organizadores da Peregrinação pela Paz, nos EUA. Foto © Jewish Voice for Peace

 

As lideranças de cinco organizações de diferentes religiões terminam na próxima quarta-feira, 21 de fevereiro, junto à Casa Branca, em Washington (EUA) uma peregrinação de oito dias para pressionar Biden a exigir de Israel o cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza.

A caravana a favor do fim da guerra na Palestina reúne responsáveis religiosos, ativistas e artistas. Teve início na última quarta-feira em Filadélfia e fará paragem, no percurso, em várias cidades estado-unidenses.

São organizadores da peregrinação o Conselho Nacional das Igrejas de Cristo nos EUA; Rabbis pelo Cessar-Fogo, Fé para as Vidas Negras; e Capítulo de Filadélfia do Conselho para as Relações Americano-Islâmicas. A iniciativa é apoiada por dezenas de organizações, entre as quais a Voz Judaica para a Paz; Fundação do Instituto Árabe-Americano; Pax Christi dos EUA; Aliados Judaico-Cristãos para uma Paz Justa em Israel e Palestina; e Nâo-Violência Internacional.

Numa proclamação citada pela Pressenza – International Press Agency, os organizadores apelam ao presidente Biden e ao Congresso para que “deixem de financiar o armamento de Israel e dediquem os seus esforços a aumentar a ajuda humanitária à Palestina”.

“É nossa responsabilidade coletiva – acrescentam – advogar por uma solução pacífica e defender os princípios da justiça e da compaixão. Ou semeamos sementes de não-violência hoje, ou colheremos a inexistência amanhã”.

 

Pax Christi celebra quarta-feira de Cinzas frente à Casa Branca

No âmbito católico, a Pax Christi dos Estados Unidos, em cooperação com cerca de uma dúzia de organizações, aproveitou a quarta-feira de cinzas para promover junto à Casa Branca, em Washington, uma celebração que marcou o início de uma campanha quaresmal a favor do cessar-fogo em Gaza, que se compõe de “uma série de ações estratégicas semanais não violentas (…) para apelar ao Presidente Biden, um católico, e aos membros do Congresso, em especial aos que são cristãos, para que sigam o caminho de Jesus de amor corajoso e os exortem a apelar publicamente a um cessar-fogo bilateral para evitar a perda de mais vidas e apoiem a desmilitarização em vez de fornecerem mais ajuda militar ou armas a Israel”.

Pressionam ainda os políticos norte-americanos, em especial os que são cristãos, a “concentrarem-se na libertação dos reféns israelitas e dos prisioneiros palestinianos detidos sem um processo justo” e a “apoiar uma forte assistência humanitária e o reinício do financiamento do governo dos EUA à UNRWA, a agência da ONU que apoia os refugiados palestinianos”.

Segundo a Pax Christi e colaboradores, os responsáveis deveriam “trabalhar no plano diplomático para pôr fim ao cerco a Gaza e à ocupação do Território Palestiniano, a fim de abordar as causas profundas da violência, responsabilizar-se pelos danos causados e levar todas as partes a uma paz duradoura e justa que proteja todas as vidas humanas e garanta a segurança e a sustentabilidade a longo prazo no Médio Oriente”.

 

Cristãos seguem a “via dolorosa da solidariedade”

Outras organizações cristãs em várias partes do mundo estão também a aproveitar a quaresma para realizar peregrinações pela “via dolorosa da solidariedade”, nas quais os passos da Paixão de Cristo são inspiração para a proximidade às vítimas da guerra na Palestina.

“A nossa oração é que nesta Quaresma, ao meditarmos na vida e na Paixão de Jesus, possamos aprofundar a nossa solidariedade com o que os nossos irmãos e irmãs palestinianos vivem diariamente”, refere um dos sites promotores. “Estamos empenhados em levar a sério o duro testemunho do corpo de Cristo na Palestina sobre a verdade do que está a acontecer”.

“Tal como as organizações israelitas de defesa dos direitos humanos e os grupos pacifistas judeus, também nós queremos afirmar com rigor que aquilo a que os palestinianos estão a ser sujeitos se enquadra na definição legal de apartheid e ocupação militar. Damos ouvidos ao saber dos especialistas que, na sua esmagadora maioria, identificam a intenção genocida na guerra em curso contra Gaza e estamos empenhados na sua prevenção. Tal como Jesus ensina, estamos a tentar ‘deixar que o nosso sim signifique simplesmente sim’ e a falar claramente a verdade. Fazemo-lo seguindo o exemplo de tantos palestinianos, incluindo os cristãos palestinianos que têm estado na linha da frente do movimento não-violento, apelando a um cessar-fogo duradouro e ao fim da ocupação, para que possa finalmente começar uma paz reparadora”, explica o referido site.

 

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