
O cartaz de celebração da Arábia Saudita como anfitriã do Mundial 2034.
A decisão da FIFA de atribuir o Campeonato do Mundo de 2034 à Arábia Saudita “sem garantir a existência de proteções adequadas aos direitos humanos” é “imprudente” e “colocará muitas vidas em risco”, alerta o diretor de Direitos Laborais e Desporto da Amnistia Internacional (AI), Steve Cockburn. “Com base em provas claras até à data, a FIFA sabe que os trabalhadores serão explorados e até morrerão sem reformas fundamentais na Arábia Saudita”, garante o responsável, em comunicado enviado ao 7MARGENS esta quarta-feira, 11 de dezembro.
A AI somou a sua voz à de outras 20 organizações, que acabam de publicar uma declaração conjunta em que condenam esta decisão como um “momento de grande perigo” para os direitos humanos. Os signatários incluem organizações de direitos humanos da diáspora saudita, grupos de trabalhadores migrantes do Nepal e do Quénia, sindicatos internacionais, representantes de adeptos e organizações mundiais de direitos humanos.
Já no passado dia 11 de novembro, a AI havia apelado à FIFA para suspender o processo de candidatura ao Campeonato do Mundo de 2034, e exigido uma estratégia credível em matéria de direitos humanos para o Mundial de 2030, que Portugal co-organiza.
Para Cockburn, “o deficiente processo de candidatura da FIFA foi também evidente na atribuição do Campeonato do Mundo de 2030, com riscos significativos para os direitos humanos a serem postos de lado. Desde o policiamento excessivo e desalojamentos forçados até aos direitos dos trabalhadores e à discriminação legalizada, ainda há muito a fazer para garantir que o torneio de 2030 pode ser usufruído por todos, com total respeito pelos seus direitos”, aponta.
Sobre a realização do Mundial na Arábia Saudita em 2034, Lina Alhathloul, chefe de monitorização e advocacia da ALQST for Human Rights, uma organização de direitos humanos da diáspora saudita, afirma por seu lado: “É desanimador, se não surpreendente, que a FIFA tenha concedido à Arábia Saudita de Mohammed bin Salman o direito de acolher a Mundial de Futebol com base numa candidatura fortemente falhada, que evitou o envolvimento com partes interessadas externas ou com o próprio público saudita”. E conclui: “Agora que aconteceu, são necessárias medidas urgentes e sustentadas para mitigar os graves riscos de violações dos direitos laborais e civis associados. ao torneio, nomeadamente através da garantia de reformas importantes e credíveis”.
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