7MARGENS na Antena 1

Mundo ferido, Igreja em sínodo – e que relação há entre ambos?

| 28 Out 2023

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“Optar pela guerra para resolver problemas é pegar no pior instrumento que temos ao nosso dispor para encontrar soluções”, diz o padre Tony Neves, assistente do superior geral dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos) em Roma, na segunda edição do programa 7MARGENS na Antena 1, emitido na madrugada deste sábado e que pode ser ouvido nas plataformas digitais ou na RTP Play.

Crentes ou não crentes embarcam “todos na mesma lógica, a lógica do lucro, da economia”, acrescenta o mesmo interveniente. “Os lobbies do comércio de armas são muito poderosos” e conseguem “convencer os governos de que a solução para determinado problema” é militar, diz Tony Neves, que foi já responsável de comunicação da sua congregação em Portugal e director do jornal Ação Missionária. E isso é “uma forma de agravar o problema”, porque “quanto mais violência, quanto mais armas, mais destruição, mais morte e menos progresso, menos futuro”, acrescenta o missionário que estava no Huambo (Angola) em 1993, quando a cidade viveu a chamada “batalha dos 55 dias”. Ainda jovem padre, Tony Neves foi colocado “no coração da guerra” e viveu o confronto que “arrasou completamente a cidade.

Guerra, pobreza, emergência climática. Há um mundo ferido que espera redenção. A Igreja Católica acaba entretanto de viver a primeira sessão de um sínodo, para que todos os crentes debatam caminhos de futuro. As duas coisas têm relação uma com a outra?… Com estas questões se fez o debate do programa desta semana.

Maria Emília Nabuco, doroteia, doutorada em desenvolvimento e aprendizagem da criança, responsável na sua congregação, durante seis anos, para os países de língua inglesa foi a outra participante. “Está a ser muito difícil começar o diálogo”, diz, referindo-se à questão das guerras no mundo. “Não estamos a comprometer-nos com oração consistente e diálogos construtivos”, acrescenta, referindo-se aos cristãos e aos crentes de um modo geral. E falando das últimas intervenções do Papa sobre o tema, Emília Nabuco sublinha a afirmação de Francisco segundo a qual é necessário um “diálogo desarmado”. Mas “falta formação” e um envolvimento sério dos cristãos “num compromisso efectivo”.

A irmã Milita, que nos contactos com as comunidades da sua congregação esteve várias vezes nas Filipinas, recorda os “meses seguidos a chover torrencialmente”, reflexo das alterações climáticas que se vêm registando cada vez mais. “A maior parte dos crentes” não olha para a questão da emergência climática como “um discurso religioso” nem sentem “como empenho efectivo nesta causa da humanidade que é de todos”, avalia.

O padre Tony Neves acrescenta, sobre este tema, os exemplos do sul de Angola e da Amazónia, onde a desertificação cresce. E diz que a oposição ao Papa por causa deste tema tem a ver com a “colagem à questão económica”. A ecologia integral tem o seu foco nos pobres e “são pessoas que têm interesses” que as posições do Papa vêm abalar e pôr em causa as que se manifestam contra elas.

No programa os dois intervenientes falam ainda dos problemas de um “espiritualismo desencarnado”, da falta de habitação no mundo e dos abusos de crianças “a nível social e não só na Igreja”, além do acesso aos cuidados de saúde, da falta de trabalho e da violência.

Sobre o Sínodo que neste sábado se concluiu em Roma, Tony Neves diz que ele constitui um passo muito importante: “Pela primeira vez na história pusemos toda a gente com direito à palavra”, afirma. Milita Nabuco acrescenta, por seu turno, que o Sínodo criou uma “dinâmica completamente nova”, com as mesas de grupos de trabalho, o apelo a que os participantes falassem “abertamente” e à aproximação entre diferentes opiniões.

 

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