
Quartetto di Venezia, que atua no Festival Terras Sem Sombra, em Ferreira do Alentejo, dia 22 Junho 2024. Foto: Direitos reservados
O Quartetto di Venezia, considerado um dos expoentes da música transalpina, atuará no Lagar do Marmelo, em Figueira dos Cavaleiros no próximo sábado, 22, à noite, num novo concerto do Festival Terras Sem Sombra, desta vez em Ferreira do Alentejo. Durante o fim de semana, haverá ainda atividades ligadas à salvaguarda do património (sábado à tarde) e à defesa da biodiversidade (manhã de domingo, dia 23).
“O perfeito domínio técnico e a força das suas interpretações, caraterizadas pelo impulso para um valor absoluto de si mesmos como verdadeiros intérpretes, colocam o Quartetto di Venezia num lugar cimeiro na sua categoria e entre os poucos dignos de assumir o papel dos grandes quartetos do passado”, afirma o violinista Bruno Giuranna a propósito do ensemble constituído por Andrea Vio, Alberto Battiston, Mario Paladin e Angelo Zanin.
O Quartetto di Venezia tem-se apresentado em festivais e palcos conceituados em Itália e um pouco por todo o mundo. Para além de obras mais conhecidas, cuja interpretação lhe tem valido prémios internacionais, o seu repertório integra outras raramente executadas, como os quartetos de G. F. Malipiero. Entre outras distinções, é, desde 2017, o quarteto residente da Fondazione Giorgio Cini, em Veneza. O ensemble irá apresentar, na noite de 22 de Junho, pelas 21h30 um concerto com obras de Ludwig van Beethoven, Gian Francesco Malipiero e Johannes Brahms. Sob o tema “A Arte do Quarteto: Uma Viagem Musical de Dois Séculos (Beethoven, Malipiero, Brahms)”, o concerto decorre na sala das máquinas do Lagar da Herdade do Marmelo.
Já na tarde de sábado, 22, pelas 15h, o Festival organiza uma visita ao património material e imaterial da Santa Casa da Misericórdia local. Com ponto de encontro na Igreja da Misericórdia, a ação começa por debruçar-se sobre esta obra de meados do século XVI, um exemplo da evolução da arquitetura tardo-manuelina. O espaço acolhe, presentemente, o Núcleo de Arte Sacra do Museu Municipal, dedicado à ação assistencial e religiosa desenvolvida pela Misericórdia e que continua o trabalho da instituição medieval que a antecedeu, a Confraria do Espírito Santo. Destaca-se o arquivo, que permite reconstituir muitos aspetos pouco conhecidos do passado da região, entre epidemias, guerras e catástrofes naturais. A viagem conta, também, com uma aproximação ao trabalho atual da Santa Casa, nas suas diversas respostas sociais ao serviço da comunidade. A atividade é orientada por Maria João Pina, diretora do Museu Municipal de Ferreira do Alentejo, e José António Falcão, historiador de arte.
Na manhã de domingo, 23, às 9h30, os interessados são convidados para uma jornada dedicada às relações entre biodiversidade e sustentabilidade, entre vinhedos: “Quando a Biodiversidade e a Indústria Cooperam – Iniciativas Sustentáveis na Herdade Vale da Rosa”. A organização fala de um momento para conhecer de perto, guiados pelos intervenientes locais, o trabalho no terreno de uma empresa portuguesa exportadora: a Herdade Vale da Rosa. Com o ponto de encontro na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Ferreira do Alentejo, a atividade é guiada por António Silvestre Ferreira, administrador da Sociedade Agrícola de Vale da Rosa, e Ivone Torrado, doutorada em Engenheira Biológica.
A 20.ª temporada do Festival Terras sem Sombra, subordinada este ano ao tema “Liberdade, quem a tem chama-lhe sua: Autonomia, Emancipação e Independência na Música (Séculos XII/XXI)”, prossegue a 29 e 30 de Junho no concelho de Coruche, numa incursão para além do território alentejano.









