Aniversário do Golpe Militar

Myanmar: resistência sobrevive a três anos de terror

| 1 Fev 2024

“Desde 2021 os militares mataram mais de 4.000 civis, mantêm 20.000 pessoas presas e o número de desalojados é agora superior a 2,6 milhões.” Foto © AFP via Getty Images (Sismógrafo)

 

Apesar da brutal repressão de que é permanentemente vítima, a resistência organizou no terceiro aniversário do golpe de Estado que colocou a junta militar no poder (1 de fevereiro de 2021), mais uma greve silenciosa nas grandes cidades de Myanmar. Desde 2021 os militares mataram mais de 4.000 civis, mantêm 20.000 pessoas presas e o número de desalojados é agora superior a 2,6 milhões.

A junta prolongou por mais seis meses o estado de emergência que instalou no país desde que a 1 de fevereiro de 2021, dia em que deveria tomar posse o novo Parlamento eleito em novembro de 2020, tomou o poder prendendo a líder Aung San Suu Kyi, que ainda se encontra detida em confinamento solitário numa prisão na capital Naypyidaw.

A manutenção do estado de emergência é vista pela maioria dos observadores como um sinal de fraqueza dos militares. A agência Asian News de 1 de fevereiro lembra que em janeiro o monge Pauk Ko Taw, da franja ultranacionalista do clero budista que até então tinha apoiado firmemente a junta militar, propôs a substituição do general Min. Aung Hlaing, que lidera o exército e ocupa o cargo de primeiro-ministro.

Apesar da situação interna e do equilíbrio de forças entre os militares ser de muito difícil perceção, a mesma agência adianta que o moral das tropas está muito baixo (centenas de soldados renderam-se às milícias anti golpe, ou desertaram em busca de refúgio no estrangeiro). Certo é que nos últimos meses, as forças de resistência reconquistaram dezenas de cidades e postos militares avançados, desencadeando debates sobre uma possível divisão do território quando o conflito terminar.

Entretanto, a Amnistia Internacional divulgou no dia 31 de janeiro um relatório em que afirma ter recolhido provas de que os militares de Mianmar estão a usar novas táticas para importar combustível para a aviação depois das sanções impostas internacionalmente em resposta aos ataques aéreos que mataram e feriram civis indiscriminadamente. Tais importações ilegais teriam sido realizadas, segundo revela a Amnistia, graças à cumplicidade do Vietname.

Os ataques aéreos em algumas regiões aumentaram mais de três vezes ao longo de 2023, afirmou no final de outubro do ano passado o relator especial da ONU, Thomas Andrews, numa audição perante uma comissão da Assembleia-Geral. Na ocasião além do seu relatório foi também apresentado um outro elaborado por uma equipa especial de investigação da ONU. Em ambos foram detalhados os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade perpetrados pelas forças armadas daquele país contra populações civis indefesas. De acordo com a organização Human Rights Watch durante aquela sessão tornou-se evidente que “a junta militar atacou ilegalmente aldeias em áreas controladas por forças anti junta e grupos étnicos armados, incluindo escolas, hospitais e campos para pessoas deslocadas”. Andrews documentou “assassinatos em massa” de civis sob custódia realizados pelas forças de segurança, acrescentando que os militares “queimaram, decapitaram, desmembraram e desfiguraram corpos numa aparente tentativa de aterrorizar a população civil”.

 

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